Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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...INTERNACIONAL



PALESTINA - O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apertou a mão, pela primeira vez, ao presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Yasser Arafat, num encontro entre os dois dirigentes que se realizou no passado dia 4, em Erez, ponto de passagem na fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza.

O encontro dos dois líderes parece significar que o governo israelita se inclina para cumprir o processo de paz iniciado antes da eleição de Netanyahu. As duas partes, findo o encontro, que contou coma mediação do representante a ONU, o norueguês Terje Larsen, reafirmaram o seu empenhamento no acordo provisório sobre a extensão da autonomia palestiniana e a sua determinação em aplicá-lo.


IRAQUE - Os EUA bombardearam por duas vezes, com mísseis, locais estratégicos no Iraque, em resposta ao avanço das tropas de Saddam Hussein para o Norte do país em apoio a um dos partidos curdos.

A intervenção norte-americana, embora apoiada em geral pelos países aliados cujas tropas intervieram na Guerra do Golfo não colheu a unanimidade internacional e os países árabes do Conselho do Golfo, em reunião convocada para o efeito, condenaram a atitude dos EUA.


RÚSSIA - O presidente russo, Boris Ieltsin, vai ser operado, em breve, ao coração, pois exames médicos que efectuou recentemente revelaram que sofre d uma doença que, caso não seja operado, impedirá uma vida activa a cem por cento.

Recorde-se que Ieltsin teve, no ano passado, dois ataques cardíacos e tem estado como que desaparecido nos últimos tempos.

Entretanto, o general Lebed, responsável pelo Conselho de Segurança da Rússia e homem da confiança de Ieltsin, conseguiu um acordo de cessar-fogo na Tchechénia, em consequência do qual as tropas russas já iniciaram a sua retirada daquela república.


ANGOLA - Mantém-se de pé a possibilidade de uma cimeira entre o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, e o presidente da Unita, Jonas Savimbi, apontando-se para tal o dia 18 de Setembro. O mediador das Nações Unidas, Alioune Blondin Beye, manteve quatro horas de conversações com Savimbi e desbravou o terreno para o encontro das duas personalidades, fazendo, assim, renascer a esperança de que o processo de paz em Angola chegará a bom termo. Recorde-se que Savimbi, no Congresso da Unita realizado recentemente no Bailundo, se recusou a ocupar uma das vice-presidências de Angola, relegando o cargo para um outro dirigente da Unita.


IRLANDA DO NORTE - As conversações de paz para a Irlanda do Norte recomeçaram na passada segunda-feira, embora o clima reinante seja de notório pessimismo.

De facto, o Sinn Fein, órgão político do IRA (Exército Republicano Irlandês), está a promover ruma campanha política intensa cujo objectivo é o de boicotar o comércio das áreas protestantes. O próprio Governo britânico - que patrocina o diálogo com o governo da Irlanda - tem mostrado pouco entusiasmo, contentando-se em declarar que é preciso dar uma oportunidade ao diálogo no processo de paz.

Todavia, um jornal londrino anunciou que o IRA poderá anunciar nas próximas semanas um novo cessar-fogo.


BÉLGICA - Na sequência das sucessivas revelações e prisões sobre a rede de pedofilia e de raptos de crianças descoberta na Bélgica e com extensões em vários países, nomeadamente de Leste, os belgas pedem aos seus dirigentes para prestarem contas.

No passado sábado o país prestou a última homenagem a duas adolescentes, An Marchal e Eefje Lambrecks, assassinadas durante o seu cativeiro, depois de raptadas a 22 de Agosto de 1995 por um grupo de pedófilos.

O que mais espanta a população belga é o facto de o organizador destes raptos, Marc Dutroux, condenado a 13 anos de prisão em 1989 por violação, e libertado condicionalmente em 1992, nunca ter sido alvo de investigação durante os inquéritos sobre os numerosos desaparecimentos de crianças ocorridos até à sua prisão em 13 de Agosto deste ano.

(A proósito deste tema, ver texto de C. F. na última página deste jornal)


ITÁLIA - Uma jovem italiana de 18 anos, Denny Mendez, eleita Miss Itália no passado sábado, provocou uma enorme polémica pelo facto de ser negra.

Logo no momento do concurso um membro do júri opôs-se à eleição de Denny declarando que uma jovem mulher negra não pode representar a Itália porque as mulheres deste país têm a pele branca. Enquanto o jornal LUnita, próximo do PDS (ex-comunista) saúda a eleição como uma viragem, a maioria dos jornais salientam que a miss mais bela é miss discórdia e Il Messagero refere a questão afirmando que a Itália é um país exótico, mas não a este ponto.
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PONTO DE VISTA

Encontros

Há muitos, e tive vários ao longo da minha vida. Nenhum, porém, tão constante, tão jovem e tão familiar como estes que se repetem desde há cinquenta anos, sem interrupções, sem hiatos, sempre com as mesmas pessoas, e com a mesma alegria e com a mesma intimidade que o intervalo de uma dúzia de meses não arrefece.

Há, realmente, uma amizade-irmã entre nós todos, os que deixámos o velho Seminário dos Grilos, em 1945. Fizemos a primeira reunião de curso no ano seguinte, em Santo Tirso, promovida pelo nosso Adolfo, natural de lá, e vivemos a última no passado mês de Julho, em Jovim, para onde nos arrastou o Domingos Costa, que é o pontífice lá do burgo. Alguns já não aparecem. Estão à nossa espera, do outro lado, mas tenho a certeza de que também eles participaram nestes encontros, porque os lembramos. Não com nostalgia, porque nem a morte desatou os laços que nos unem.

Tem sido sempre assim, desde há cinquenta anos. Os cabelos embranqueceram, em alguns desertaram, as rugas são um certificado de tempo, o exterior mudou, mas a alma ficou a mesma. É por isso que este dia de encontro anual é um dia de festa, é uma data que se deseja chegue outra vez, sempre com a despedida de «até para o ano, se Deus quiser».

Dizem-nos que o nosso curso é um caso paradigmático, um exemplo solitário. Acredito que o seja. Na verdade, sãoo cinquenta anos de encontros que nunca falharam. Cada um deles foi aguardado e vivido com o mesmo encanto e alegria do primeiro. Não é verdade, ó meu velho amigo Roriz, ó Alberto, ó Ferreira Vaz e Soares de Pinho, meu vizinho de carteira nas aulas, ó Serafim, a alegria e a juventude de sempre? Não é assim, ó imparável Celestino, e ó Custódio, o patriarca de todos nós, o manuel Gonçalves, o Manel que a minha admiração há muito canonizou, e ó Ramiro e ó irrepetível Morada, e ó Cerejeira, o industrial do grupo, ó José Pinto, mais uma vez em rota de presidência nas autárquicas?, e ó nosso bom e generoso condiscípulo D. Júlio, e ó Pardinhas? Trazido pelos ares da Ria, vem, também, lá das salinas de Aveiro, o Fonseca. E, ainda, a completar o ramalhete, os nossos dois engenheiros reformados, o Lino e o Martins. Só nos tem faltado o Zacarias, nestes últimos anos, o Zacarias que os livres escreveu, e foram tantos, e as palestras televisivas que fez tornarão sempre presente.

Desde há meio século (a primeira vez foi no Monte da Assunção) que o curso marca os seus encontros. Quase distraidamente, tão naturalmente como um fio de água que corre de manso e vai de pedra em pedra e não se esquece da frescura da nascente, assim se foi reunindo, ao longo de cinco décadas, este grupo de jovens com mais de setenta anos. Sendo os 120 a média de vida que os biólogos anunciam para as gentes doo terceiro milénio, e já agora que estamos a lá chegar, será pedir muito que, depois de cinquenta anos de reuniões de curso, consigamos celebrar o centenário?
Pacheco de Andrade
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Projecto de lei dos EUA proibe
os casamentos homossexuais

Foi recentemente aprovado na Câmara de Representantes dos EUA, por significativa maioria (342 votos a favor e 67 contra), um projecto de lei que exclui a possibilidade do casamento entre homossexuais.

De acordo com o texto do projecto só se reconhece como verdadeiro matrimónio a união de um homem com uma mulher. Isto terá como consequência que as uniões homossexuais não serão reconhecidas legalmente e não beneficiarão dos direitos concedidos aos casamentos normais nem receberão as mesmas prestações sociais.

Embora nos EUA a lei matrimonial seja da competência de cada Estado, o Congresso resolveu intervir confrontado com a possibilidade de o Supremo Tribunal do Hawai vir a legalizar, em Setembro, as uniões homossexuais, equiparando-as ao matrimónio. Caso assim acontecesse, os outros Estados teriam provavelmente de reconhecer como casados aqueles que tivessem efectuado tal união no Hawai, ainda que não admitissem esse tipo de matrimónio no seu território. O recente projecto poderá impedi-lo se for aprovado pelo Senado e assinado pelo Presidente dos EUA.
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