Foi desde o Concílio do Vaticanoi
II que a Igreja entrou verdadeiramente em diálogo teológico
com as grandes comunhões cristãs, seja as Igrejas
do Oriente, ou as resultantes da Reforma. Para além de
onze comissões mistas, tem sido afirmado repetidamente,
que a unidade será fruto sobretudo da oração
e do esforço de fidelidade à Boa Nova de Cristo.
E por isso, todos os anos, os cristãos das diversas Igrejas
oram em comum na semana de 18 a 25 de Janeiro, para que o Senhor
acelere o processo de aproximação até à
plena comunhão. E João Paulo II tem insistido que
o Ano Dois Mil da Redenção deve ser um marco no
que diz respeito à unidade, para que um tempo novo comece
para a cristandade e para o mundo.
Passos da divisão
Muitas discussões sobre questões teológicas agitaram a Igreja ao longo dos primeiros sete séculos, mas não cavaram divisões intransponíveis, como aconteceu depois da capital do Império Romano ter mudado para Constantinopla. Os Bárbaros ocuparam o Ocidente e o Islão o Oriente, e formaram-se dois mundos de costas voltadas um para o outro que depressa haveriam de dar origem a Igrejas separadas.
A partir do século VII as diferenças foram-se acentuando, tornando-se o Oriente mais voltado para a veneração mística de ícones, «um canto de triunfo e um monumento à vitória dos santos», como lembra S. João Damasceno, e o Ocidente mais voltado para as coisas terrenas, com o Papa a dominar os territórios abandonados pelo Império ao domínio bárbaro. Os bispos orientais não aceitavam o domínio do Papa sobre a Igreja inteira e o problema surgiu com mais clareza quando Nicolau I, em 863, contestou a eleição do novo Bispo de Constantinopla e exigiu que fosse escolhiodo outro. Em 794, o Bispo de Constantinopla protestara com a inclusão da expressão Filioque no Credo, significando que o Espírito Santo procede do Pai «e do Filho». Estavam criadas as condições para o cisma que aconteceu em 1054, quando é colocada uma bula papal de excomunhão no Altar de Santa Sofia em Constantinopla, antes do Bispo iniciar as celebrações. Nasce a Igreja Ortodoxa a Oriente e a Católica a Ocidente.
Também no século XVI são tensões entre a política e a religião que conduzem à divisão, arrastando consigo as boas intenções de reformadores como Lutero, na Alemanha, e Calvino, na Suíça. Em causa, a autoridade do Papa no mundo espiritual mas também no político.
Todas estas lutas, longe de «matarem a Igreja», acentuaram-lhe o fervor e fizeram crescer o ardor missionário, levando pregadores do Evangelho, pode dizer-se, a todo o mundo. As grandes divisões do Cristianismo permitiram uma mais profunda investigação teológica, de modo que hoje deverá olhar-se para as confissões religiosas como «caminhos» de descoberta, da Fé cristã. E, se são grandes as diferenças, muito maior é a unidade.
O esforço ecuménico exige que se situe historicamente os sinais de divisão e que se tente verificar se podem ou não ser colocados em linha convergente para uma Igreja que respeite a diversidade de culturas e de caminhos de busca de Deus. Como vão salientando as conclusões de muitos encontros ecuménicos, a divisão assenta mais no que é secundário, do que no considerado essencial. E torna-se lamentável quando alguns grupos teimam em firmar a sua identidade, desenvolvendo e multiplicando os pontos de discórdia. Não tem sido este, nos últimos anos, o caminho da Igreja Católica.
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