Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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... INTERNACIONAL


CHINA - O regime comunista chinês reagiu com irritação ao convite efectuado pelo vice-presidente da Formosa (Taiwan) ao Papa João Paulo II para este visitar aquela ilha asiática.

O vice-presidente formosino, Lien Chan, foi recebido pelo Papa em Castelgandolfo e o Vaticano indicou que esta vista era de estrito carácter privado. Um porta-voz do regime comunista de Pequim acentuou que a China espera que não haja "interferências" nos assuntos religiosos chineses, incluindo nesse campo quer o "trabalho missionário" quer a "escolha de bispos". Estas declarações coincidiram com informações oriundas de Roma segundo as quais o Vaticano está a observar com grande atenção a maneira como os católicos de Hong-Kong serão tratados depois da transferência da ex-colónia britânica para a soberania chinesa.


PALESTINA - Israel e a Alta Autoridade palestiniana chegaram finalmente a acordo sobre o estatuto da cidade de Hebron, onde se encontra o túmulo de Abraão, importante centro religioso comum a judeus e muçulmanos. O acordo foi assinado depois de intensas negociações e permite aos palestinianos chefiados por Arafat o controlo de mais de três quartos da cidade. Os colonos judeus mantêm a sua área, separados do resto da cidade por um verdadeiro muro fortificado. O exército israelita iniciou a retirada das suas posições no passado dia 16, prevendo-se que em 1988 toda Cisjordânia esteja já sujeita ao novo reposicionamento de forças. O governo israelita, apesar de uma enorme controvérsia interna, acabou por aprovar o acordo, embora sete dos 18 ministros tenham votado contra.


SUDÃO - Rebeldes sudaneses avançaram sobre a cidade de Damazin, importante ponto estratégico situado no Nilo Azul, relativamente próximo da fronteira com a Etiópia. O objectivo dos rebeldes é, a partir de Damazin, cidade que controla uma grande barragem hidro-eléctrica que fornece energia à capital sudanesa, Cartum, exercer maior pressão sobre o regime sudanês e provocar um levantamento popular contra o regime islâmico fundamentalista que detém o poder. Por sua vez, o governo do Sudão declarou a "guerra santa" contra os rebeldes e contra a Etiópia acusada de fornecer apoio aos rebeldes, apesar das afirmações em contrário do governo etíope.


ANGOLA - Os setenta deputados da UNITA que deveriam ter chegado a Luanda no passado dia 12 só deverão apresentar-se na Assembleia Nacional no fim do mês, o que determina um novo atraso no complicado processo de paz angolano. Deste modo fica adiada a tomada de posse do ansiado Governo de Unidade e Reconciliação Nacional.

O representante da ONU, Alioune Blondin Beye, tem desenvolvido esforços, tanto em Luanda como no Bailundo, no sentido de obter uma definição final do estatuto político que deve ser concedido a Jonas Savimbi, assunto que por diversas vezes tem feito atrasar as negociações neste longo, confuso e desesperante processo de paz.


ESPANHA - O número três da ETA, organização basca que luta pela independência da sua região utilizando a violência, foi preso no sul de França, no passado dia 17, no decurso de uma operação policial de rotina. José Luis Urrusolo Sistiega, conhecido como o "terrorista das mil caras", acusado de 50 atentados, que provocaram 16 mortos e envolvido em dois sequestros, foi preso, três anos depois de regressar à "actividade".


SÉRVIA - Dezenas de milhares de pessoas continuam a sair à rua em Belgrado, agora em clima de festa, dois meses depois do início das manifestações contra o regime de Milosevic que teima em não reconhecer a vitória das forças políticas da oposição nas eleições autárquicas. Apesar de já ter sido forçado a reconhecer a vitória dos oposicionistas em sete das 14 autarquias que estes afirmam ter ganho, o regime de Milosevic não desarma, apesar de cada vez ter menor apoio interno: a Igreja Ortodoxa veio a público condenar a posição do governo e os militares resolveram manter uma neutralidade incómoda para o regime de Belgrado.

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PONTO DE VISTA

A Princesa

Os jornais e as televisões de todo o mundo têm-se ocupado, até à exaustão, da vida privada da ex-mulher do príncipe Carlos. Em entrevista que deu à BBC, a princesa Diana sensibilizou a opinião internacional com um depoimento que pareceu sincero, e em que não escondeu aquilo de que se sente culpada. Algum tempo depois, vimo-la, na TV, a visitar um hospital onde doentes afectados pela sida vivem os últimos dias. Não se limitou a olhá-los e a dar-les um sorriso. A um, pegou-lhe na mão e teve-a demoradamente entre as suas, enquanto lhe falava. Dizer que isto é «marketing», para criar imagens, é fazer um comentário tolo.

Na semana passada, esteve em Angola aonde se deslocou, para ajudar a cruz vermelha na campanha pela proibição mundial de utilização de minas. É um cenário de ruínas aquele que ela foi visitar. Uma fotografia mostra-a, tendo sentada ao colo uma criança que ficou sem uma perna. Falou com mutilados da guerra, e dizem os noticiários que saíu profundamente chocada com o que viu. Na antiga colónia portuguesa há, ainda, nove milhões de minas enterradas no solo!...

Diana é uma princesa de quem se fala, que os fotógrafos perseguem por todo o lado, e que lidera o «jet-set» internacional. Mulher fútil? Não é o que mostraram, há dias, as fotos dos jornais. Quem assim se compadece com as desgraças alheias e vai tocá-las fisicamente é mais do que uma princesa da corte britânica. É alguém que fraterniza com os pobres.
Pacheco de Andrade
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