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NO sentido de contribuir para ajudar a colmatar esta lacuna, surge agora publicação, pela Livraria Almedina, de Coimbra (que tem dedicado muito meritória atenção aos problemas da Educação, tanto nos domínios psico-pedagógicos quer curriculares) de dois volumes sob o título Psicologia da Educação Escolar: I - aluno-aprendizagem; II - Professor-ensino, da autoria dos irmãos José H. e António M. Barros de Oliveira, o primeiro da Faculdade de Ciências da Educação da Universidade do Porto, e o segundo no Instituto de E.e Psicologia da Universidade do Minho.
Os autores, numa explicação introdutória,esclarecem que a Psicologia Educacional tem como núcleo central o processo dinâmico ensino/apendizagem, salientando no entanto a dificuldade da definição dos conteúdos e objectivos da Psicologia da Educação.
Explicam ainda os autores a divisão da obra em dois volumes, dedicando o primeiro ao binómio aluno/aprendizagem e o segundo ao binómio professor/ensino, dando assim maior preponderância metodológica ao que é considerado o sujeito essencial de toda a acção educativa, que é o aluno.
Num rápido percurso dos dois volumes, salienta-se a fundamentação teórica do "conceito, estatuto e história da psicologia da educação", analisam-se as "teorias e processos de aprendizagem", estuda-se "a motivação, personalidade e aprendizagem", para depois se abordarem os aspectos negativos, as "dificuldades de aprendizagem" e o insucesso escolar, procurando promover a respectiva superação. Conclui-se este primeiro volume com o estudo da sobredotação e da criatividade, aspectos de cariz positivo que nem sempre são aproveitados de uma forma proveitosa.
O segundo volume estuda a atitude pedagógica do professor, a eficácia da sua acção educativa, as formas de uma relação educativa mais proveitosa, a utilização de processos de maior actualidade nas expectativas e mentalidades dos alunos (dinâmica de grupo, modelos de disciplina e de autoridade). A análise completa-se debruçando-se mais especificamente sobre o ensino e a actividade educativa, o desenvolvimento da personalidade dos jovens, o problema da definição de objectivos educativos e da avaliação, a finalmente o papel do psicólogo na acção e na estrutura escolar.
No final de cada capítulo encontram-se bibliografias específicas para a temática respectiva, quer no que se refere a manuais e obras de conjunto, quer a obras e artigos de aprofundamento próprio das várias matérias.
Trata-se, pois, de uma obra que pode tornar-se particularmente útil a professores, pais, dirigentes escolares, formadores e professores em formação (como bem indicam os autores) e demais implicados no processo educativo. Tem o mérito de alertar para a importância que o conhecimento da psicologia do desenvolvimento deve assumir na definição das formas mais eficazes de responder às necessidades educativas do jovem, não apenas os domínios do saber, mas nos domínios do ser. Nessa perspectiva humanista se colocam os autores, entendendo a educação como a formação integral e completa do jovem, tanto para a formação científica, como para os valores sociais, culturais, cívicos e morais que constituem e totalidade do homem.
| C.F. |
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De 24 a 30 de Janeiro
TELEVISÃO - Continuo
a apostar na RTP 2 como o único e o melhor canal
de TV onde se pode ver a melhor selecção cinéfila
de sempre. Apenas três rubricas conseguem, indo contra todos
os shares de audiências, convencer os espectadores
a ver o melhor cinema: "Cinco Noites, Cinco Filmes",
de segunda a sexta, "O Filme da Minha Vida",
aos sábados, apresentado pela simpática actriz Inês
de Medeiros, irmã da também actriz Maria de Medeiros,
ambas filhas do Maestro Vitorino de Almeida, e "Cinema
Português", aos domingos. Assim, sem mais delongas,
eis as sugestões para esta semana.
A rubrica "Cinco Noites, Cinco Filmes" vai dedicar esta semana o seu espaço ao polémico realizador Roman Polanski, levando-nos numa viagem ao interior da sua obra. Vamos poder ver o seu primeiro e último filme, mas cautela, pois é um mestre em surpreender e até chocar com as imagens cruas. Assim, já na segunda-feira, o ciclo inicia com «A Faca na Água», estreia de Polanski na direcção de uma longa-metragem, realizada em 1962, com Leon Niemczyk e Jolanta Umecka: um drama belo mas perturbador, com forte carga de manipulação psicológica (dia 27); segue-se, «Repulsa», de 1965, um thriller carregado de erotismo, o primeiro percalço do realizador com a censura, onde encontramos Catherine Deneuve no papel duma esquizofrénica (dia 28); depois, para amenizar o ambiente, chega «What?», uma comédia de 1973, com Sydne Rome e o recém desaparecido Marcello Mastroianni: um dos mais intrigantes filmes do realizador, caracteriza-se como um elogio à paranóia (dia 29); mas na quinta-feira, dia 30, podemos assistir a um monumento do cinema com «Tess», uma obra dramática de 1979, com Nastassja Kinski e Peter Firth: uma obra de grande qualidade, com um rigor artístico e uma beleza sem comparação que nos prende ao ecrã do primeiro ao último fotograma.
Mas quem é este polémico realizador? Conterrâneo do Santo Padre João Paulo II, Roman Polanski nasceu no ano de 1933, em Cracóvia, na Polónia, no seio de uma família judaica. Tendo assistido à retirada de seus pais do ghetto de Cracóvia para os campos de concentração (sua mãe morreu em Auschwitz), fugiu e foi ferido por soldados alemães enquanto vagava pelos campos poloneses. A sua mulher Sharon Tate foi assassinada em 1969 pela família Manson e há quase 20 anos ele fugiu dos Estados Unidos, depois de ter sido acusado de violar uma jovem de 13 anos, na casa do actor Jack Nicholson. Daí que não nos surpreenda que alienação, insegurança, obsessão e violência sejam os temas dramáticos centrais de Polanski, frequentemente envoltos por um clima absurdo e irónico. «A Faca na Água» (1962), a primeira obra e o único filme que realizou na Polónia, recebeu os mais altos elogios em todo o mundo. «Repulsa» (1965) e «O Bebé de Rosemary» (1968) vieram em seguida, nos quais Catherine Deneuve e Mia Farrow, respectivamente, brilharam como nunca. Depois de «Cul-de-Sac» (1966) ele realizou «Macbeth» (1971), logo após o assassinato da mulher. Sempre um técnico habilidoso, Polanski mostrou-nos o seu talento na ambiguidade em «Chinatown» (1974) e «O Inquilino» (1976). O seu mais recente trabalho «A Noite da Vingança» (1994) apresenta os seus característicos cortes precisos na montagem e movimentos fluídos de câmera.
Outros filmes para ver ainda esta semana: «O Despertar», drama, de Clarence Brown (1946), com Gregory Peck, Jane Wyman e o pequeno Claude Jarman Jr.: baseado na novela de Marjorie Kinnan Rawlings, premiada com o Prémio Pulitzer em 1938, conta-nos como um miúdo de 11 anos aprendeu a respeitar as dádivas da Natureza (TVI, dia 25); e, «As Pupilas do Senhor Reitor», clássico dramático do cinema português, de Leitão de Barros (1935), com Joaquim de Almada, Maria Matos, António Silva, Leonor d'Eça e Maria Paula, inspirado no romance homónimo de Júlio Diniz (RTP 2, 26).
Quando se fala de um filme como «DENISE TELEFONA», a primeira coisa que há que deixar bem claro, antes mesmo de mencionar que se trata da primeira obra de um realizador independente, Hal Salwen, é que se trata de uma curta-metragem alargada. Uma comédia argumental bem imaginativa, mas que se encerra em si mesma de forma centrípeta, estirando-se quase até ao infinito.
Sem dúvidas, algo diferente e realmente importante logrou conseguir este jovem realizador norte-americano, que filmou a sua película durante o verão de 1994 sem maior experiência prévia, que uma curta-metragem realizada como prática na Escola de Cinema de Nova Iorque, com o significativo título de «The Telephone», quando esta piada alargada se converte nas suas mãos numa vibrante, divertida e fresca comédia romântica sobre o amor e a solidão urbana, em que o telefone adquire um protagonismo insuspeitado e muito original.
No actual panorama do cinema independente, uma boa idéia vale mais que uns milhões de dólares. Entre outras coisas, porque os dólares nunca aparecem e as boas idéias sempre estão na mão de quem menos se espera.
No caso de Hal Salwen, a idéia surgiu-lhe pela observação: seus amigos e vizinhos pareciam ser vítimas de um vírus ligado intimamente ao telefone. Pendurados nos estáticos e móveis aparelhos, entregavam-se com voracidade a uma comunicação verbal, que não sendo física, os tornava incapazes de conviver com os outros. Em certa medida, esse é o motor desta comédia de diálogos cruzados.
Com uma montagem elaborada, uns diálogos com boas doses de ironía e, sobretudo, um eficaz trabalho de casting, o filme discorre num tom de humor inteligente, crítico e claramente urbano. Os seus personagens são trintões escravizados pelo trabalho, amiúde tímidos nas suas relações com os outros, algo neuróticos e muito dados a contar pelo telefone os segredos que são incapazes de confessar cara a cara.
O único elemento de ruptura, o que de verdade desestabiliza a cadeia de chamadas, é o jogo de gato e rato entre dois protagonistas, a atrevida Denise e o jornalista judeu Martin.
E o enredo não se esgota, porque o seu argumento contém tantos elementos que não dá tempo a pensar que tudo isto não passa de uma simples chamada telefónica.
Distribuído por United King Filmes, este trabalho que foi premiado no FANTASPORTO 96, pode ser visto na acolhedora sala do Cinema Nun'Álvares.
| Vasco Martins |
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Nos últimos dias o campo vasto da educação, geralmente pouco mediático (o que é bom sinal, porque só se torna mediático o que levanta - ou quando levanta - problemas ou escândalos) foi objecto de alguma atenção cúpida das parangonas. Foi a divulgação (ao que parece fugitiva) dos resultados da análise feita pelo chamado Conselho Nacional de Exames, ao decurso dos exames do 12º ano do ano lectivo transacto, com a consequente evidenciação das lacunas do sistema e da própria organização do currículo do ensino secundário.
Tais resultados não traziam, como era de esperar, nada de novo. Apenas se sistematizou o velho. Tudo se sabia já: que os exames tiveram erros (como aconteceu sempre que se realizaram exames, com maior ou menos gravidade), que os resultados foram maus e díspares, que a correcção das provas não teve critérios homogéneos (como nunca teve nem terá, porque toda a avaliação é aproximativa, analógica e falível), e que os currículos do ensino secundário não são adequados: têm excesso de disciplinas e má integração de matérias. E conclui ainda por uma evidente "visão catastrofista da comunicação social".
Tudo isto era e é sabido. Muitas vezes aqui foi escrito. Não foi a comissão que descobriu agora as deficiências dos currículos e a inadequação dos programas do ensino secundário. Quando os programas foram introduzidos houve muito quem declarasse a sua pretensiosa multiplicidade e repetitividade, a falta de cientificidade e as tentativas de resposta a pressões corporativas provindas de vários interesses criados e não superados no campo da educação. Fizeram-no os professores, e ninguém lhes ligou. Vem agora uma comissão declarar o declarado, e enchem-se as páginas dos jornais. É a sina assumida do sistema: onde não se ouvem os professores, proliferam as comissões.
Importa aproveitar agora a oportunidade para se reformular o ensino secundário através de uma planificação simultânea de currículos e programas. Importa produzir uma equilibrada articulação entre uns e outros. Os actuais currículos e programas repetem-se em muitas disciplinas. Em outras, interdependentes por natureza, os programas vegetam de forma anárquica, sem que os alunos tenham possibilidade de edificar o edifício do saber a partir dos alicerces. Ainda há dias, num colóquio, se queixavam oradores e público da falta de rigor e da falta de grande sínteses no nosso modelo de ensino.
A equipa ministerial veio agora anunciar algumas medidas de aplaudir, se forem bem feitas. Uma delas é precisamente a reestruturação do ensino secundário. Outra é a exigência da licenciatura para todos os professores, incluindo os do primeiro ciclo. Outra é a introdução de uma propina única e universal para o ensino superior, com uma definição justa e equitativa da atribuição de subsídios pelas estruturas de uma acção social escolar rectamente instaurada e dimensionada.
Temos que exclamar: até que enfim! Várias vezes aqui e alhures escrevemos que a única forma de introduzir justiça no sistema de pagamento das taxas académicas é que todos as paguem e que depois a redestribuição seja feita de acordo com as necessidades dos que precisam. Os que podem aos que precisam, dizia uma antiga norma.
No entanto, as propostas do ministério para o próximo ano denotam algumas lacunas importantes, cuja origem parece residir na falta de alguma coragem política: a questão da direcção e gestão das Escolas é a mais grave, bem como as regras de definição da respectiva autonomia. O mais estranho de tudo isto é que nem sequer se trata de medidas que induzam novas despesas: pelo contrário: reduzem-nas. É apenas questão de opções políticas de rigor e qualificação, que estranhamente são sempre adiadas, quando não são tropegamente realizadas.
O mais de tudo, no entanto, é a questão da formação
de professores, tanto a inicial como a contínua, que importa
ser urgentemente redefinida (ver o texto da VP,
28.11.96). Não se entende, por exemplo, que a participação
em colóquios, jornadas de estudo, seminários eoutras
enicitaivas não releve para efeitos de formação
contínua. Alguém no sistema deve sofrer de erros
de paralaxe...
Revista EDUCAR
Acaba de sair a público, com a data de Janeiro de 1997, o nº 14 de revista EDUCAR, órgão do Movimento de Educadores Católicos, que assim entra no ano 4º da sua publicação. Do seu conteúdo avulta a publicação de um texto programático do recém-constituído Grupo de Reflexão e Acção Educativa (GRAE), o qual texto aborda os aspectos considerados essenciais na definição e orientação de uma política para a acção educativa.
A revista publica-se em Leiria, faz sair 4 números por ano, a assinatura custa 1200 escudos pelos 4 números anuais e pode ser pedida para o Apartado 1089, 2400 LEIRIA.
| M. Correia Fernandes |
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