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O Poder de curar

Se entendermos a cura no seu sentido mais amplo, isto é, a cura física, psíquica e espiritual, portanto a cura mais verdadeiramente humana, na medida em que o homem é uma unidade composta de corpo e alma, podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que existe na Igreja o carisma e o ministério da cura.

A Igreja é muito reticente e cautelosa em tudo o que se refere às curas físicas, sobretudo quando estas têm um carácter extraordinário, a marca do milagre. E compreende-se, porque os milagres, no seu sentido estrito, têm de ser raros ou contradiriam a sabedoria de Deus que governa o Universo por meio das leis que decorrem naturalmente do próprio acto criador. Ora o milagre, no seu sentido mais rigoroso, é algo que contraria as leis naturais. Daí, que só Deus os possa fazer, ainda que através de alguma das suas criaturas.

O conceito de cura não se limita ao milagre, é muito mais amplo, como o é, aliás, o de enfermidade. Esta não atinge apenas o nosso corpo. Afecta igualmente a nossa psique e o nosso espírito. Dada a unidade do ser humano, as doenças espirituais, e sobretudo o pecado, podem provocar males físicos e as doenças do corpo lesam igualmente a nossa alma. O mesmo se deve dizer das curas.

Jesus Cristo, que veio ao encontro da fragilidade e do sofrimento do homem em todas as suas dimensões, fez inúmeros gestos de cura: as multidões vinham ao seu encontro para o ouvirem e serem curadas das suas enfermidades. Ao conferir aos seus discípulos os poderes e a missão que recebera do Pai - assim como o Pai me enviou também eu vos envio a vós - conferiu-lhes também o poder de curar. S. Mateus refere-o duas vezes no mesmo capítulo décimo: deu-lhes o poder para expulsarem os espíritos imundos e para curarem todas as enfermidades. S. Marcos refere o mesmo no capítulo 3 e S. Lucas, no capítulo 9 atribui a mesma missão não só aos doze mas também aos setenta e dois, que o Senhor enviou dois a dois, à sua frente. O exercício deste poder de curar é mesmo considerado como um sinal da proximidade do Reino de Deus: curai os enfermos e dizei-lhes que está a chegar para vós o Reino de Deus.

Digamos, de passagem, que esta missão sanadora do próprio Jesus Cristo e a entrega desta mesma missão àqueles que haveriam de continuar a sua obra de salvação contrasta com a expressão, bem intencionada sem dúvida, mas incorrecta, que ouvimos com alguma frequência a alguns doentes, quando pretendem afirmar a sua resignação, dizendo: é a vontade de Deus. Ora o que podemos ler no Evangelho é que, um dia, um leproso aproximou-se de Jesus e disse-lhe: Mestre, se quiseres, podes curar-me. E logo Jesus, sem esperar mais, como se isso fosse um desafio à sua missão, estendeu a mão para o leproso, tocou-lhe e disse: quero, sê curado.

É esta então a vontade de Deus, que sejamos curados das nossas enfermidades pelo poder de Jesus Cristo, que continua agindo na sua Igreja.

A doença foi sempre considerada como um dos maiores motivos de sofrimento para o homem. Ela reduz as suas faculdades, inibe o homem de se afirmar na plenitude da sua humanidade, é fonte de dores, por vezes bem difíceis de suportar e é sempre uma ameaça de morte.

A resposta que se dá a este grave problema depende do conceito que se tem da vida e do mundo. Noutros tempos, entendia-se que a doença era provocada por espíritos maléficos ou por alguma divindade ofendida. Tornava-se então necessário exorcizar os espíritos maus ou apaziguar a ira dos deuses.

Hoje, a doença é objecto da investigação científica, que anima as nossas esperanças de cura, por vezes para além do razoável, de tal modo que se chega a culpabilizar os médicos pelos fracassos naturais da medicina.

A Bíblia não cuida dos aspectos científicos da saúde e da doença, mas preocupa-se apenas com o sentido religioso que a doença e a cura têm no desígnio de salvação que Deus tem para o homem. (Léon-Difour). A doença tem uma relação muito próxima com o o pecado, mesmo no Novo Testamento. Jesus, antes de conceder a cura, experimenta a fé do doente e perdoa o pecado, unindo assim muito estreitamente a cura espiritual e a cura física. No Génesis afirma-se expressamente que o mal entrou no mundo em consequência do pecado. Depois da falta cometida por Adão e Eva, Deus diz: a terra será maldita por tua causa, com trabalho penoso tirarás dela o alimento... produzir-te-à abrolhos e espinhos... comerás o pão com o suor do teu rosto. Mas não estabelece uma relação directa entre o pecado pessoal e o mal que atinge a pessoa.

Curando um sem número de doentes, Jesus não acabou com a doença no mundo, mas afirmou que, entrando na história humana o poder de Deus, a doença e a morte não terão mais poder de destruição sobre o homem, porque este se encaminha com Cristo, por vezes através de inúmeras vicissitudes, para a vida perfeita, que não estará mais sujeita à dor, ao sofrimento ou à morte. Jesus venceu definitivamente todas as forças do mal. E esta acção salvífica, concretizada na sua morte e ressurreição, continua a realizar-se na sua Igreja por ele próprio, que está vivo, ainda que através daqueles a quem ele confiou os seus poderes.

Os gestos mais significativos e eficazes desta acção sanadora de Cristo são os sacramentos. Através deles realiza-se já a salvação do homem, na sua totalidade, corpo e espírito. Por isso, a cura espiritual conferida pelos sacramentos ou pela oração pode melhorar o estado físico, se ele está afectado, ou mesmo curar totalmente a doença daquele que é o sujeito do sacramento. Haverá sacerdote que não tenha experimentado já o efeito curativo do sacramento da unção dos enfermos? Não se trata aqui de milagres, mas de uma recuperação da saúde, imprevista ou mais rápida do que faziam supor os tratamentos médicos. É como que um complemento desses mesmos tratamentos.

Ainda há pouco se publicou entre nós, numa revista que nada tem de religioso, um artigo assinado por Larry Dossey, em que se começava por afirmar: os cientistas estão a descobrir aquilo que os crentes sempre souberam... o poder curativo da oração. E afirmava o autor: comecei por deparar com estudos, alguns deles feitos em condições laboratoriais extremamente rigorosas, que demonstravam que as orações provocam alterações significativas em diversas condições de saúde... Existem estudos que indicam que as orações podem Ter efeitos vantajosos na hipertensão, em feridas, em dores de cabeça e na ansiedade.
Gonçalves Moreira
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Preparação dos Tempos Litúrgicos - 1997

Há alguns anos que se lançou, na nossa Diocese, esta acção que visa ajudar os animadores paroquiais a preparar adequadamente as celebrações litúrgicas. Após alguns anos de interrupção para realizar outras actividades formativas e atendendo à solicitação de muitos desses animadores, pareceu bem ao Secretariado Diocesano de Liturgia retomar esta acção que tão bons resultados deu na animação litúrgica de toda a Diocese.

No ano passado, realizou-se a preparação do Tríduo Pascal. Neste ano (1997), iremos realizar a PREPARAÇÃO DO TEMPO PASCAL.

Porquê o Tempo Pascal?

- O Tempo Pascal é o prolongamento da Páscoa anual, celebrada no Tríduo, cume e centro do ano litúrgico. Como diz a Igreja: «A celebração da Páscoa continua no tempo pascal. Os cinquenta dias que se seguem desde o Domingo da Ressurreição até ao Domingo de Pentecostes, celebram-se na alegria como um único dia de festa, mais ainda, como o «grande Domingo» (Cf. PCFP = Carta Circular da Congregação para o Culto Divino, sobre a Preparação e Celebração das Festas Pascais, nº 100)

- Temos consciência de que há, ainda, um enorme esforço a realizar para dar ao Tempo Pascal, o lugar e a importância que deve ter como tempo especialmente festivo, o mais festivo de todos, vivido e celebrado numa grande unidade.

Onde e quando se realiza?

A Preparação do Tríduo Pascal terá lugar nos seguintes centros: Porto (Casa Diocesana Seminário de Vilar); Santo Tirso (Colégio de Santa Teresa), Penafiel (Igreja Matriz), S. João da Madeira (Centro Paroquial), nos dias 15 e 22 de Fevereiro, das 15 às 17 horas.

A quem se destina?

Esta actividade destina-se a todos os que intervêm na celebração litúrgica, particularmente: Acólitos, Leitores, Salmistas, elementos dos Grupos Corais, Directores de Coro e Assembleia e Organistas.

O Tempo Pascal é um tempo especialmente festivo que implica por isso um recurso mais abundante de elementos rituais (procissões, formulários, acções, música e canto), que requerem uma programação cuidada e um número conveniente de ministros, cuidadosamente instruídos.

Qual o método de trabalho?

A cada Centro deslocar-se-á uma equipa de formadores, constituída por um padre e vários leigos, especializados nas matérias dos diversos ministérios litúrgicos.

Cada encontro constará de um reflexão litúrgica e trabalho prático sobre cada um dos ministérios (Acólitos, Leitores, Salmistas e Coro).

Não haverá inscrição e taxa de inscrição. O S.D.L. fornecerá uma brochura de trabalho, com os conteúdos da formação, que custará 300$00.

O S.D.L. pede aos Párocos e Reitores das Igrejas não só que publicitem esta acção de formação, mas também que motivem os leigos que colaboram mais directamente na celebração litúrgica, a participarem nela.

Do interesse e empenho que esperamos, depende o êxito desta iniciativa, o progresso da vida litúrgica na nossa diocese e, acima de tudo, o bem espiritual das nossas comunidades.
S.D.L.
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