A divisão dos cristãos continua a apresentar-se como um escândalo para o mundo, devendo o caminho da unidade ser percorrido por todos nesta fase de preparação do Jubileu da Redenção. No documento de preparação para o novo Milénio, João Paulo II lembra que, além da súplica ao Espírito Santo, todos devem fazer exame de consciência e empenhar-se mais na oração ecuménica mas também dar passos para que sejam superadas as divisões existentes.
Como tema bíblico de reflexão é apresentada a II Carta de S. Paulo aos Coríntios (5, 16-21) em que se assinala que «quem vive unido a Cristo, torna-se uma pessoa nova» e que, se Cristo «reconciliou a humanidade», é bem oportuno o apelo do Apóstolo: «Em nome de Cristo peço-vos, irmãos, que se reconciliem com Deus».
A Comissão Episcopal da Doutrina da Fé e o Conselho Português de Igrejas Cristãs editaram um caderno de apoio para a Oração pela Unidade dos Cristãos. Essa proposta pode ser aproveitado ainda para encontros de oração ecuménica. O texto foi elaborado a partir do trabalho de um grupo que se reuniu nos arredores de Estocolmo, Suécia, designado pelo Conselho Pontifício e pela Comissão «Fé e Constituição».
«A reconciliação com Deus em Jesus Cristo» deve fazer dos cristãos «ministros da Reconciliação» num tempo em que muitos aspiram à reconciliação e vão sendo dados passos significativos, como acontece com a preparação da reunião de Graz, convocada pela Conferência das Igrejas Europais e pelo Conselho das Conferências Episcopais Europeias sobre o tema: «A reconciliação, dom de Deus e fonte de vida nova».
Recomenda a proposta de preparação da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos que seja proclamado o «Evangelho da reconciliação» e que todos os cristãos se tornem «embaixadores da Reconciliação em Cristo» na linha do caminho iniciado em 1908, com o aparecimento da referida Semana. Desde essa data, merecem relevo o apelo feito em 1920 em Constantinopla para que se formasse uma «comunhão de Igrejas cristãs», a constituuição em 1948 do Conselho Mundial das Igrejas e a proclamação pelo Vaticano II de que seria irreversível o caminho da unidade.
Merecem ainda relevo alguns factos como a reunião Ecuménica de Basileia «Paz, Justiça e Preservação da Criação», diversos encontros de diálogo e acordos teológicos entre as Igrejas, a Declaração de Fé comum da Igreja Católica com algumas Igrejas antigas do Oriente, etc. «Em nome de Cristo peço-vos que se reconciliem com Deus» é o apelo feito a cada comunidade e a cada cristão. Nas suas mãos está o êxito do caminho da unidade, sempre conscientes de que, antes de oferecerem a sua oferta, devem reconciliar-se (Mt.5, 23).
| Primeira Página | Página Seguinte |