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É bem conhecida a origem franciscana e italiana desta evocação da cena do nascimento de Jesus. Foi Francisco de Assis, na vigília do Natal de 1223, a ter a ideia de reconstituir ao vivo a cena, na localidade umbra de Greccio. Nada de mais franciscano do que a simplicidade e pobreza do estábulo ou da gruta de Belém. E também a humanidade e ternura do mistério da incarnação.
O mais antigo presépio propriamente dito é, com toda a probabilidade, o da basílica de Santa Maria Maior, em Roma, que reivindica possuir a relíquia da manjedoura onde Jesus recém-nascido foi depositado. As imagens de São José e do boi são as únicas que subsistem do conjunto original, que remonta a 1260 (as outras figuras foram substancialmente retocadas no século XVI).
Logo a partir do século XIV a tradição estendeu-se ao mundo germânico. Durante dois séculos foram sobretudo os artistas e artesãos alemães e austríacos a produzir as obras que se podiam observar, em tempos da renascença, mesmo em muitas igrejas e palácios italianos.
O estilo mudou completamente quando passou a ser
Nápoles a capital deste costume e desta arte. A ligação
política e cultural do «Reino das Duas Sicílias»
à Espanha e a explosão do barroco e do rococó»
levaram ao tipo de presépio que se tornou mais comum nos
países católicos da Europa: com grande número
e variedade de figuras de personagens e animais, representando
não só a cena do nascimento de Jesus, mas incluindo
também a evocação da vida quotidiana da gente
do tempo (de então): ao lado dos pastores, lavradores e
pescadores, sapateiros e vendedores, lavadeiras e peixeiras, e
um nunca mais acabar de figuras estendidas num cenário
que inclui já não tanto os caminhos que ligam a
Belém o conduzem a Jerusalém, representada ao longe,
mas sim as ruas e praças, com lojas e adegas, e tudo o
mais que imaginar se possa.
O Presépio e a Árvore de Natal
da Praça de São Pedro
No caso concreto de Roma, os cenários incluem, muito justamente, ruínas romanas, do Arco de Constantino ou de Tito ao Coliseu e aos Templos pagãos em ruínas. Os muitos e esplêndidos presépios romanos não estão de modo algum confinados às igrejas. Em variadas praças públicas, na estação central do Caminho de Ferro e na Escadaria de Trinitá del Monte (junto à Praça de Espanha), encontram-se representações que beneficiam de certas inovações de ano para ano de modo a continuar sempre a atrair os visitantes interessados.
Nos últimos anos, os párocos romanos têm manifestado um cuidado crescente em tirar partido desta atracção popular, favorecendo a instalação de presépios geralmente mais sóbrios, que ponham devidamente em relevo as figuras evangélicas e o mistério evocado, tentando assegurar ao mesmo tempo o gosto artístico e popular do passado. Um equilíbrio nem sempre fácil de conseguir.
Nos últimos 15 anos, também a Praça de São Pedro contou com um presépio, que logo passou a ser mais uma das atracções para os romanos nesta quadra natalícia. A iniciativa partiu do desejo expresso de João Paulo II, que em 1982 fez instalar junto do obelisco central da Praça a representação do Natal. A ideia não era fácil de concretizar, dada a imensidão do espaço, mas as soluções encontradas têm sido geralmente aceites com agrado.
Nove das imagens de tamanho natural ali usadas provêm de um presépio que São Vicente Pallotti mandou preparar em 1842 para a igreja de Santo André della Valle, em Roma, e distinguem-se por uma grande serenidade e dignidade. Utilizando materiais modestos (madeira, ramos, palha, pedras), foi criado um cenário de realismo e simplicidade, que convida a uma atitude de fé, de oração e adoração. Ao lado do Presépio, está instalada uma árvore de Natal de 30 metros de altura, oferecida pela República da Eslovénia. Também esta foi uma ideia pessoal do Papa polaco, que para tal teve que vencer algumas resistências dos que olhavam com suspeita um uso que julgavam de raiz menos católica...
| Pacheco Gonçalves |
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Estávamos no dia 23 de Agosto. O dia mal despontava. Cerca de mil polícias de intervenção cercam a Igreja de São Bernardo, no 18º bairro de Paris. Depois de imobilizarem as centenas de pessoas que velavam dia e noite para protegerem os ocupantes, as forças policiais rebentam as portas da igreja à machadada. O pároco que iniciava a celebração diária da Eucaristia é empurrado; tiram-lhe o microfone das mãos; impedem-no de se juntar aos africanos que de rastos são levados para autocarros e carrinhas.
Durante três dias os interrogatórios
vão suceder às prisões. A libertação
da totalidade dos sem-papéis revela a evidente ilegalidade
da intervenção da polícia. Durante três
semanas a igreja vai permanecer fechada pelas autoridades pretextando
um risco de nova ocupação.
A honra da Igreja
Na sua homilia durante a celebração de reabertura da igreja ao culto, D. Georges Soubrier, bispo auxiliar de Paris (nomeado há pouco bispo de Nantes), manifesta ao pároco, padre Henri Coindé, o agradecimento da Igreja diocesana porque «a sua coragem e a justeza do seu comportamento, das suas palavras e das suas decisões honraram a Igreja. Este reconhecimento é extensivo a todos aqueles que, dia a dia, tomaram parte nesta presença activa, lúcida e responsável. Com efeito, concluía D. Georges, a paróquia é a Igreja implantada no meio dos homens. Ela vive e actua profundamente na sociedade humana e intimamente solidária com as suas aspirações e os seus dramas». E, citando o Papa, não se pode separar a verdade sobre Deus que salva, da manifestação do seu amor preferencial pelos pobres e os humildes».
Desde os primeiros dias da ocupação
da Igreja de São Bernardo, as famílias africanas
tinham afirmado que a Igreja constituía o último
recurso no meio da difícil situação que viviam.
As machadadas da polícia na enorme cadeia de solidariedade
e de simpatia que se gerou à volta dos sem-papéis
deixam agora lugar para a grave questão do compromisso
activo (os actos para além dos discursos) dos cristãos
na defesa dos direitos dos estrangeiros.
A credibilidade da Fé
Numa recente sondagem, a que já me referi em artigo anterior, cerca de 70% dos católicos praticantes pensam que «o acolhimento dos estrangeiros» faz parte da essência do cristianismo. E 66% consideram que é dever da Igreja defender o princípio de igualdade entre todos os homens. Num país, como a França, em que a prática religiosa católica ronda apenas os 10%, a questão é a do impacto das palavras e dos actos da Igreja junto de uma opinião pública atravessada por fortes correntes xenófobas e até racistas. O recentíssimo debate parlamentar sobre novas restrições à entrada e à estadia de estrangeiros em França é revelador da urgência dessa interrogação. Que palavra sobre o respeito dos estrangeiros e sobre a solidariedade necessária pode ser recebida por esta opinião pública já tão destabilizada quanto ao futuro?
Quer se trate de estrangeiros, em geral, em França, de ciganos ou de africanos noutros países, a responsabilidade da Igreja está aqui fortemente comprometida. Não é uma simples questão de opinião. É a credibilidade da fé cristã que está em causa!
| J. Coutinho da Silva |
| Início |
Depois, vi aparer com insistente persistência, a figura simpática, diga-se, do Pai Natal. A princípio apenas os filmes e, aqui e ali, uma ou outra loja faziam menção dessa personagem.
Mais recentemente, deparei-me com uma situação insólita: o Pai Natal enche as ruas, é ele quem dá prendas, é por causa dele que um pavilhão desportivo fica a abarrotar com centenas de crianças, todas imitando, no traje, a dita figura. Que eu saiba, só na paróquia portuense de S. Nicolau se tem feito algo para cristianizar esta figura devolvendo-a a uma imagem cristã, a de S. Nicolau.
Este ano (o ano passado, quero dizer) andei por aí, olhei as iluminações natalícias, procurei aqui e ali nos armazéns, perscrutei as frontarias das igrejas e não consegui encontrar o Menino Jesus. E nada seria de espantar se o Natal não fosse a data do aniversário natalício desse Menino.
Vi renas feitas de luzes, admirei pinheiros estilizados, observei estrelas prateadas, enchi os olhos com as cores de milhares de lâmpadas de todos os tamanhos e feitios...Mas não vi o Menino Jesus. Mesmo nas imediações das igrejas (confesso que não as vi todas...), não vi representações do Menino Jesus. Em algumas destas nem sequer vi o tradicional Presépio.
Um padre amigo dizia-me que esta «imposição» do Pai Natal nos espaços citadinos e no imaginário infantil é obra da maçonaria. Será... Obra de sapa, desenvolvida a coberto de vastos interesses comerciais. Paulatinamente, à mesma velocidade que a coca-cola (também encarnada e branca) se instala entre nós, o Pai Natal vem ganhando o espaço que antes pertencia, por direito próprio, ao aniversariante, o Menino Jesus.
Felizmente, há cada vez mais grupos de jovens que encenam o «presépio vivo», num movimento que julgo de dimensões crescentes. Mas na televisão, no cinema e nas ruas a primazia tem pertencido ao Pai Natal.
Confesso que, nos derradeiros dias de 1996, ao pensar em tudo isto, senti que me roubaram o Menino Jesus.
| Bernardino Chamusca |
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