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O Chá e o Garfo

"Educando as raparigas educa-se metade da geração que surge; se esta crescer boa e sendo tão grande a influência que tem sobre os filhos a educação das mães, também a outra metade vai necessariamente melhorar"
Paula Frassinetti

É conhecida a história chinesa do camponês que regava a horta, retirando, paulatinamente, balde a balde, a água do poço.

Chegou o sábio e disse:

- Há um aparelho com que podes tirar a água mais rapidamente, com menos esforço e em maior quantidade.

- Como é esse aparelho? - perguntou o camponês.

- É uma roda com muitos baldes; vai ao fundo do poço, enche vários baldes ao mesmo tempo e depois espalha a água pela horta.

- É portanto uma máquina! Quem trabalha maquinalmente é porque tem uma máquina no coração; e quem tem uma máquina em vez de coração, também não sabe usar os miolos; e quem não usa os miolos é tolo; e quem é tolo não sabe saborear a vida. Eu conheço a máquina, mas prefiro saborear a vida.

A história não impressiona muito o racionalismo característico da nossa mentalidade de ocidental, marcada pela ideia de que "o tempo é dinheiro". Mas, de facto, põe o dedo na ferida deste nosso modo de ser e estar.

No Dia Internacional da Mulher, que há dias ocorreu, esta história afigura-se-nos exemplarmente aplicável ao trabalho doméstico. Rodeamo-nos de maquinetas para facilitar o trabalho de casa. Mas nem por isso a Mulher encontra na sua vida mais alegrias do que as suas avós. A quantas mulheres ouvimos dizer "eu não trabalho, estou em casa"! E, no entanto, chegam ao fim do dia extenuadas e esvaziadas porque, de facto, houve um enorme dispêndio de energias.

Por seu turno, a mulher empregada, acumulando a profissão com o cuidado da casa, dos filhos, do marido, também ela se extenua e esvazia às vezes apenas em nome duma frase feita: "A vida moderna é activa". Tão activa que deixa de ser afectiva!

Resultado, a TV mostra-no-lo: família reunida à mesa de jantar, abrindo cada um a sua lata de conservas, sobre a toalha de plástico, enquanto vêem o concurso da mesma TV. E todos contentes com a sua lata e a sua pressa, porque há ainda trabalho para fazer.

Se pedirmos à dona de casa uma lista do que produz, apesar de eventualmente dizer "eu não trabalho", ela saberá indicar como se vê num inquérito recentemente feito: cozinha, higiene, puericultura, enfermagem, limpeza, conservação e fabrico de alimentos, roupas, utensílios de trabalho e decoração, organização e administração dos recursos disponíveis; e, por fim, a educação das crianças e adolescentes.

E que ganha com isto? Ninguém fala de donas de casa notáveis na História. Mulheres notáveis são-no sempre pelo brilho com que realizaram funções diferentes da função materno-doméstica. E, no entanto, é à dona de casa que se deve a saída do estado de boçalidade em que se vivia ainda na Idade Média. Foi ela que impôs o uso de talheres à refeição, o hábito delicado do chá das cinco e a exigência de se limpar os pés à entrada da porta. Mas a sua acção civilizadora mais importante estará, sobretudo, na função de ajudar os filhos a crescer. Isso humaniza a vida, como diria a grande educadora que foi Paula Frassinetti, cujo aniversário da canonização se celebra este mês.

Pena é que esta função, no inquérito que compulsámos, venha mencionada em último lugar. E trata-se de inquérito elaborado e respondido por mulheres.

Estará aí a chave do problema. No lugar do coração, pusemos a máquina para fazer as coisas. E sem coração a acção educativa é coisa secundária que se entrega à creche para aí ser feita maquinalmente... e para se investir o tempo noutra função. Acelera-se a vida mas não se saboreia. Até o chá e o garfo perdem sentido, estético e ético.
Ernesto Campos
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Tentar viver com o salário mínimo

O Bispo de Bilbau, Espanha, lançou no dia 11 de Fevereiro aos seus fiéis o ousado convite a viverem com o salário mínimo, como gesto de solidariedade para com os mais pobres. Trata-se da campanha «viver um mês com o salário mínimo», iniciada no domingo, dia 23, para incentivar as pessoas à poupança e à simplicidade de ser capaz de viver sem o supérfluo, entregando o dinheiro poupado à Cáritas diocesana.

Como explicou o Vigário Geral da diocese, «não se trata de viver mecanicamente com aquela quantia» mas antes de conseguir «que cada cidadão, voluntariamente e satisfeitas as suas necessidades básicas, assuma o valor da austeridade no contexto do tempo quaresmal». A campanha visa ainda sensibilizar as pessoas para os problemas de 500 mil pessoas que naquela província basca vivem com o salário mínimo ou até menos, e que, na sua maioria, são reformados.

"Deus não vai destruir o mundo"

João Paulo II assinalou o I Domingo da Quaresma com uma visita pastoral à paróquia de Santo André Avelino, no Bairro Trionfale, na sua diocese de Roma. Na homilia, afirmou que a hipótese de um segundo dilúvio deve ser afastada, tendo acrescentado que "Deus não vai destruir o mundo", pois "já nenhum pecado poderá mover Deus a acabar com o mundo que Ele mesmo criou".

Apontando depois a novidade da vida cristã, o Papa disse que se abre diante dos olhos hoje «uma visão nova do mundo» que nos ajuda a «tomar consciência do valor que ele tem aos olhos de Deus».

No fim, o Papa distribruiu alguns exemplares do Evangelho de S. Marcos, que foi escrito em Roma por volta dos anos 60. Uma edição deste Evangelho será distribuída em todas as casas da capital italiana como preparação para o Jubileu do ano 2000. Antes de entrar na referida paróquia João Paulo II, «em boa forma e afável» para com as pessoas, quis contemplar o panorama do Monte Soratte, coberto de Neve.

Novo Sínodo Especial para a Europa

João Paulo II nomeou, há pouco, alguns bispos para prepararem o Sínodo Especial dos Bispos para a Europa. A lista divulgada pelo Cardeal Jan Schotte, Secretário Geral do Sínodo dos Bispos, não apresenta nenhum português e sobretudo bispos dos países do Leste europeu: Os Cardeais Ratzinger, Cassidy, Etchegaray (da Cúria romana); Ruini (Itália), Vlk (República Checa) e Pulcij (Bósnia); os Arcebispos Yanes (Espanha), Billé (França), Schonborn (Áustria), Barkis (Lituânia) e Kondrusiewicz (Rússia); e os bispos Lehmann (Alemanha), Zycinski (Polónia), Nichols (Inglaterra) e Husar (Ucrânia).

O II Sínodo dos Bispos para a Europa foi convocado pelo Papa para avaliar o novo contexto socio-político que surgiu após a queda do Muro de Berlim e o fim dos regimes comunistas no Centro e Leste europeu, devendo, para além disso, tratar ainda de problemas como o desemprego, a pobreza, a secularização e as relações com o poder civil. O primeiro encontro do Conselho pré-sinodal terá lugar de 18 a 20 de Março no Vaticano. Nele, o Conselho deverá analisar as propostas dos vários episcopados, dando assim início à redacção dos chamados Lineamenta, o documento que servirá de base para o debate e a reflexão nas Igrejas locais.
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