Museu de Arte Sacra de Arouca

Tesouros de Santa Mafalda

O Museu de Arte Sacra de Arouca, ao cuidado da Real Irmandande da Rainha Santa Mafalda, organiza cada ano uma exposição temática. Os visitantes conhecem assim os tesouros arquivados neste Museu.

Este ano trata-se de reconstituir, com peças do Museu, iconográficas ou escritas, a imagem da Santa que tornou conhecido o Mosteiro e o concelho.

Há anos a esta parte tem vindo o Museu de Arte Sacra a organizar exposições temáticas, permitindo assim aos milhares de visitantes que demandam terras de Arouca no Verão, tomar contacto com o notável espólio que se guarda no convento. A ultima exposição, foi constituída com os pergaminhos de Arouca, riquíssima colecção, ímpar mesmo, constituída, entre outras, por obras iluminadas do século XIII, raras em toda a Europa.

Este ano resolveu a Real Irmandade, que tem como Juiz, o Professor Arnaldo de Pinho, dar a conhecer aos visitantes o tempo e a memória que em Arouca se guardou daquela princesa e rainha. Na sala de exposições D. Domingos, em trabalho levado a cabo sob a direcção da conservadora Dra. Angelina noites e do funcionário Carlos Matos, pode o visitante aperceber-se não apenas das diversas peças que em Arouca e sobretudo no museu se conservam referindo a Santa, mas também familiarizar-se com quadros e esquemas que facilitam uma leitura do tempo em que viveu e da expansão que conheceu na Europa de então a ordem de Cristo.

Mafalda, filha de D. Sancho I, recebeu o convento de seu pai e aqui se recolheu em 1217, após a anulação do seu casamento com Henrique II de Castela, que a morte levou, antes de viverem juntos. Insatisfeita com o estado de pobreza do mosteiro e com o pouco empenho das monjas na estrita observância da regra beneditina, à qual se acolhera o convento, Mafalda adopta a regra de Cister, mais de acordo com a corrente espiritual da época. Em 1224, com autorização do bispo de Lamego, é a esta regra que se acolhe o convento. Começa então uma época de explendor, que a construção actual e as peças que se foram conservando, quase por milagre, atestam.

O visitante tem aqui, à vista algumas peças referentes à memória de Mafalda em Arouca e visitando esta exposição poderá, devagar aperceber-se desse tesouro de arte e história que há mais de um século tem encontrado hipóteses, pessoas e meios de se renovar.

Visite Arouca, porque vale a pena. E saiba que após um protocolo entre a Real Irmandade da Rainha Santa Isabel e o IPPAR se trabalha no sentido de alargar o espaço museológico e talvez... quem sabe, voltar a trazer para Arouca os monges de Cister... O Museu está aberto todos os dias, excepto segunda-feira, até ao mês de Outubro.

A gravura da primeira página apresenta Santa Mafalda a apagar o fogo que deflagrou no convento. É um dos quadros da exposição. (Foto de "O Comércio do Porto").


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