A comunidade a que desde 1979 preside o P. Joaquim Costa Almeida Paiva quis adaptar a sua igreja às novas necessidades litúrgicas e pastorais. Construída em 1866, ela entrou em obras de ampliação em maio de 1992, seguindo a orientação do arq. Carlos Alves. E assim, depois de gastos perto de cem mil contos em grande parte vindos das ofertas do povo, ela tem lugares sentados para cerca de 400 pessoas e boas condições para a participação na Liturgia. A paróquia terá seis mil pessoas e os praticantes são perto de 40 por cento.
O povo e o Pároco mostravam-se felizes pois, como disse D. Manuel, «a igreja matriz é, habitualmente, o cartaz de apresentação de uma comunidade paroquial», pois é um edifíco em que se reflectem os principais acontecimentos da vida das pessoas e das famílias. A esse propósito salientou com apreço o facto de terem respeitado vestígios do passado, o alicerce da identidade do povo, mas também a capacidade de terem criado condições para que hoje um adequado lugar de encontro da comunidade que ali «reforça os vínculos da comunhão eclesial». E acrescentou que a igreja deve ser «um sinal visível da Fé» para além de ser «um elemento significativo do patyrimónio cultural de uma pocvoação». E que, pelo seu estado de conservação, pode medir-se, quase sempre, «o nível de participação e de vitalidade cristã de uma comunidade».
Referiu depois o facto de se verificar nos últimos tempos «uma onda de restauros e arranjos dos edifícios religiosos das comunidades cristãs», sendo raros os que não se encontram limpos, pintados, renovados (já o mesmo não poderá dizer-se dos que foram tirados à Igreja após o golpe de 1834). Tal situação é sinal de estima pela Património e de apreço pelos valores espirituais e morais. Como lembrou D. Manuel, os monumentos são «imagens que veiculam uma mensagem de transcendência e de fraternidade» e orientam as pessoas «para o Mistério de Deus e da vida humana transformada pela Fé». O templo «anuncia o mistério da Igreja santificada pelo sangue de Cristo» e é sinal da verdadeira Igreja ou seja da assembleia de fiéis congregada pela Palavra de Deus», «o templo de Deus edificado de pedras vivas». E ao edifício onde se reúnem os fiéis em assembleia com justeza se chama «igreja».
D. Manuel concluiu que a renovação do edifício, proporcionando melhor escuta da Palavra de Deus e melhores celebrações dos mistérios da Fé cristã, deverá conduzir «à renovação da Igreja de pedras vivas». E deve ser tida por todos como «a casa comum» onde todos têm um lugar insubstituível, onde o Senhor Ressuscitado marca encontro com todos os fiéis para celebrar com eles a vida nova da ressurreição no dia que Ele fez para nós - o Domingo».
Os ritos da água, do óleo, da luz e do incenso, e a ladainha de todos os santos exprimiram bem o que é a Dedicação. E «a parábola» deste restauro foi apontada como convite «à construção da Igreja espiritual de pedras vivas», desde o alicerce da catequese, oração e sacramentos, até ao testemunho da caridade fraterna e do apostolado.
A presença de Alfredo Henriques, presidente da Câmara Municipal, bem como de representações do Governo Civil, PSP, Junta de Freguesia e Banda de Música, para além de mais de uma dezena de padres e representantes de associações locais, tanto na Eucaristia como no almoço que se seguiu, alargou o significado da obra desta terra que nesse dia celebrava a festa do Padroeiro S. Miguel.
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