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No sábado, de manhã, com a presença do deputado da Assembleia da República, Dr. Pedro Baptista, dos vereadores municipais Orlando Gaspar e Armando Pimentel, dos elementos do executivo da Junta e de Dirigentes Associativos da Freguesia, ciceroneados por Júlio Couto, o autor da "Monografia de Massarelos", foi percorrida grande parte da freguesia, tendo sido apontados os locais de maior interesse turístico mas também "as chagas" a que urge pôr têrmo. Falou-se da necessidade de honrar o sábio Padre Himalaia, por exemplo dando o seu nome ao Beco de S. Macário. E também chamando "Praia dos Insurrectos" ao cais da Cábrea, já que este epíteto é motivo de muito orgulho para as gentes de Massarelos. O almoço que se seguiu redundou em franca camaradagem. À tarde e no Parque da Cidade, houve animado convívio desportivo inter-associativo e à noite, no parque de estacionamento do Campo Alegre, um arraial com o conjunto musical "Núcleo", de Sendim - Miranda do Douro.
Ao fim da manhã do dia 22, domingo, e na Igreja do Corpo Santo, houve Missa solene em honra de Nossa Senhora da Boa Viagem, a padroeira da freguesia.cantada em gregoriano por um grupo ligado à Igreja da Lapa e formado por antigos alunos do Seminário de Vilar. A designação de "Boa Viagem" foi apontada como herança de um passado mas também como apelativa a novo fervor em tempos de tanta mobilidade e perigos: os caminhos das viagens e última para outras paragens.
Toda esta actividade se concluiu, à tarde, com um festival de folclore em que participaram o Grupo dos Pauliteiros da Câmara Municipal de Miranda do Douro, o Rancho Folclórico do Porto, o Rancho de Santa Eufémia de Pé de Moura, Gondomar, e o Grupo Folclórico de Lordelo do Ouro, Porto.
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Certamente que é discutível se a história da França remonta a Clóvis ou, cinco séculos mais tarde, a Vercingetoix, quando este reuniu, sob o seu comando, a quase totalidade dos chefes gauleses. Mas a discussão não moveria paixões, se não tivesse como condimentos a religião e a política; se não tivesse na sua génese um baptismo que ligou uma nação à história da Igreja.
Naturalmente que é hoje contestável o princípio do baptismo massivo de um povo na sequência do baptismo do seu rei. Como é seguro que uma tal conversão não se traduziu numa súbita transformação dos seus hábitos e costumes morais. Mas não foi isso que fez agitar as consciências francesas bem pensantes. O que verdadeiramente as preocupou foi a simples hipótese de uma tal documentação poder justificar o título de «filha primogénita da Igreja» que Roma gostava de usar, quando se referia à França. Aparentemente, há muitos franceses que não só dispensam mas rejeitam uma tal distinção, por verem nela caminho aberto para a ingerência papal na vida do país e dos seus cidadãos. E de nada valeram os esclarecimentos e as explicações da hierarquia da Igreja: comemorar o baptismo de Clóvis era para alguns ameaçar com o regresso do nacional catolicismo; era ameaçar a laicidade dos franceses e, pelos vistos, a sua própria liberdade!
É verdade que alguns grupos católicos mais ou menos fundamentalistas quiseram tirar dividendos da visita papal. O mesmo pretenderam fazer certos movimentos políticos da extrema direita. Só que, antes e durante a presença em França, João Paulo II não deixou dúvidas a respeito do objectivo e do sentido da sua deslocação: celebrar com os católicos franceses uma data marcante da história do seu país e da própria Igreja.
Que haja franceses sem qualquer ligação à Igreja e mesmo à Religião é perfeitamente admissível como opção individual e livre. Que muitos não gostem do magistério do Papa também não está em causa como direito pessoal. Que ponham em questão a sua própria memória colectiva já é mais difícil de entender. Que tenham vergonha das suas raízes cristãs, isso faz doer profundamente.
| António José da Silva |
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Já lá vão vários anos. O Z. e a esposa foram vítimas de um gravíssimo acidente de viação, causado por terceiro. Ela faleceu logo, ele passou longas semanas no hospital, de onde saiu paralisado das pernas devido a grave lesão na coluna.
Do hospital foi mandado para Alcoitão e percorreu o longo calvário da adaptação a uma vida nova e cheia de dificuldades. Dois filhos menores, em tempo de crescimento, eram a sua preocupação.
A cadeira de rodas passou a ser o seu "habitat". Mas nem isso fez esmorecer a sua vontade de viver. Um dia, num Porto-Benfica, dei com ele nas Antas, à beira do relvado, entusiasmado com os golos do Fernando Gomes. Os mais de cinquenta quilómetros de estrada não foram obstáculo.
O tempo e as chagas fizeram-no abandonar a profissão recurso aprendida logo depois da passagem por Alcoitão.
O hospital do concelho foi, então, a sua residência durante longos, longos meses.
Mas nada disto foi suficiente para abalar o sorriso permanente que lhe ilumina o rosto. Um homem não vale só pelas pernas; por isso, o Z. concorreu às eleições autárquicas locais e ei-lo eleito secretário da Assembleia de Freguesia. O clube de futebol local, dedicado à formação dos jovens, precisava de um dirigente e o Z. não se fez rogado. Agora já está neste serviço acompanhado pelos filhos.
Em nova eleição autárquica, pedem-lhe que aproveite a sua experiência e que aceite a candidatura à presidência da Assembleia de Freguesia. Avança e vence as eleições.
De tudo isto e da vontade de ser útil aos outros, de vencer a inércia da cadeira de rodas me falou longamente o amigo Z. naquela tarde de Verão, á sombra de uma frondosa tangerineira, enquanto apreciava a pintura dos muros do pequeno quintal, em vésperas do casamento do filho mais velho.
Há muito que não conversava com o Z. Saí de ao pé dele com a alma cheia de fé na vida, aliviado das pequenas canseiras do dia-a-dia, ciente da pequenez de quem de uma dor de dentes faz, às vezes, uma tragédia.
O Z. mostrou-me como é possível, mesmo paraplégico, mesmo na cadeira de rodas, ter fortaleza de alma para ser alavanca de um mundo melhor.
| Bernardino Chamusca |
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