SEMANA A SEMANA
- O Primeiro Minsitro António Guterres
conseguiu há dias, junto do presidente da União
Europeia, a promessa de maior apoio na concessão de
fundos comunitários nos primeiros seis anos do novo
milénio. Gean-Claude Juncker, presidente em exercício,
salientou que a abertura a Leste não deverá prejudicar
os países que continuam a carecer do apoio do Fundo de
Coesão, como é o caso de Portugal. Salientou Guterres
que a adesão ao Euro nos obrigou a grandes sacrifícios
que merecem ser recompensados, para não se tornar uma medida
com efeitos negativos.
- As eleições autárquicas
foram marcadas para 14 de Dezembro, devendo a campanha
eleitoral realizar-se entre 2 e 12 desse mês. As candidaturas
devem entrar entre 25 de setembro e 20 de Outubro e as coligações
entre partidos ser feitas até 4 de Dezembro
- O Governo prevê que a inflação
seja no próximo ano de dois por cento, acreditando
que haverá um crescimento económico de 3,75 por
cento.
- Passaram há dias 700 anos do
Tratado de Alcanices, entre D. Dinis e Fernando IV de Castela,
que definiu a fronteira entre Portugal e Espanha, apenas com a
alteração de Olivença e de S. Félix
dos Galegos.
- Portugal apresentou mais um protesto
contra o acordo entre a Austrália e a Indonésia
sobre o petróleo do Mar de Timor. O primeiro protesto
de Portugal foi esquecido pelo Tribunal Internacional de Justiça
em 30 de Junho de 1995, dando liberdade de negociação
às autoridades australianas e indonésias.
- O novo ano judicial abriu há
dias com promessas de maior celeridade na aplicação
da Justiça. Vera Jardim, ministro da Justiça, salientou
na inauguração do Palácio da Justiça
de Vila Nova de Gaia que esse objectivo põe de acordo
magistrados, advogados e funcionários, sendo uma velha
aspiração de quantos desjam que se faça justiça.
- Duzentos anos de história da
Música estão a degradar-se, metidos em caixotes,
no arquivo musical do Teatro São Carlos, aguardando a transferência
para a Biblioteca Nacional
- Os três concelhos do Vale da
Vilariça, no distrito de Bragança, lançaram
um projecto integrado de desenvolvimento da agricultura, designado
por Centro Rural da Vilariça. Desta forma, Vila Flor, Moncorvo
e Alfândega da Fé dão origem a uma intervenção
que pode criar novas possibilidades de desenvolvimento ao que
é dos vales mais férteis do país mas que
tem conhecido o abandono das suas gentes.
- A Câmara de Caminha acaba de propor
cinco percursos turísticos a quem queira conhecer
«as maravilhas» daquele concelho alto-minhoto, desde
a paisagem, a flora e a fauna, até à cultura erudita
e popular.
- Um túnel no Campo da Vinha, em
Braga, vai dar maior celeridade ao tráfego da capital
do Minho que agora começa a conhecer mais ruas de sentido
único.
- Mais um centro comercial
abriu em Lisboa, ao que dizem, o maior da Península. O
Colombo, um empreendimento da Sonae, representou um investimento
de 70 milhões de contos e contém parque de diversões,
estacionamento, creche, estação dos Correios e até
uma capela.
- O general Mário Arnaldo Jesus
Silva, comandante operacional dos Açores, foi nomeado
chefe de Estado-Maior Conjunto de Planeamento Combinado da NATO,
sendo a primeira vez que isso acontece com um militar português.
Com 58 anos o general Jesus Silva foi director do Colégio
Militar e assessor de Cavaco Silva, quando era primeiro ministro
- Seis concelhos do distrito de Aveiro
(Castelo de Paiva, Arouca, Vale de Cambra, Oliveira de Azeméis,
S. João da Madeira e Santa Maria da Feira)manifestaram
que querem pertencer à região de Entre Douro
e Minho, de que o Porto será o centro, em vez de se
verem ligados à Beira Litoral, dominada por Coimbra. Este
desejo é seguido também por Resende e Cinfães
e Espinho propõe-se decidir por referendo.
- Alberto Jardim, vice-presidente do PSD,
salientou que, se a coligação PSD-PP resultar no
Porto, ficarão criadas condições para se
encontrar uma alternativa ao Governo socialista, nas próximas
eleições legislativas.
- Toneladas de cinzas resultantes de
lixos do Hospital de Santo António, Porto, ali acumuladas
desde 1996, poderão ir para a LIPOR, como os lixos domésticos,
dado que não são tóxicos.
- Desde 2ª a 6ª-feira decorre
o Raid Fluvial do Douro, num objectivo de promover o Vale
do Douro. Trata-se de dez barcos, vindos de oito países,
que, à vela ou com os remos, pretendem subir desde o porto
até Barca de Alva, vencendo um percurso de 203 quilómetros.
A iniciativa é subsidiada por fundos europeus e prepara
idênticas realizações nos próximos
anos.
- José de Sousa tornou-se vice-campeão
europeu de canoagem, em Pavia, Itália, ao completar
40 quilómetros com apenas minuto e meio mais do que o húngaro
Petervali Pal.
- Elisa ferreira, ministra do Ambiente,
anunciou há dias um investimento de vinte milhões
de contos na construção de praias fluviais ao
longo do próximo ano. A construção de três
estações de tratamento de águas residuais,
em Castelo Branco, Idanha-a-Nova e Vila Velha do Ródão,
levará 800 mil contos.
Responsabilidade Social das Empresas
A XV Semana Nacional de Pastoral Social, realizada
em Fátima de 1 a 5, tratou o tema «Emprego e Responsabilidade
Social das Empresas» e os cerca de 300 participantes concluíram
que a economia mundial, devido mormente ao fenómeno da
globalização e ao forte incremento da competitividade,
«está a passar por transformações profundas,
com graves consequências para o bem-estar geral, para as
desigualdades sociais e para a protecção social».
E assim, o cenário, ai nível do emprego,
é pouco animador: «mil milhões de seres humanos
não têm trabalho»; a precaridade do trabalho
é hoje regra geral; quem perde o seu posto de trabalho
depois dos 40 anos, dificilmente consegue regressar ao mercado
de trabalho. A desumanização do trabalho traduz-se
particularmente no desemprego e sub-desemprego e no trabalho precário
ao lado do poder crescente das multinacionais e do crescimento
do capital financeiro.
Perante esta situação, os participantes
acrescentaram que o «pior inimigo do capitalismo é
o excesso do mesmo capitalismo» e que os excessos do capitalismo
«serão a sua morte se não forem corrigidos».
Para evitar a morte, o capitalismo terá que
adquirir «uma face humana». Lembraram ainda que a existência
de paraísos fiscais, na Europa e no mundo «traz graves
prejuízos para a equidade económica e social e para
o próprio investimento produtivo».
Em relação às reformas mais
urgentes em Portugal, os participantes apontaram as reformas fiscal,
judicial e educativa. Sobre a reforma educativa , os intervenientes
afirmaram que se deve «adaptar a escola às exigências
do mundo actual» e que numa reforma educativa a empreender
devem ser consideradas áreas básicas «a língua
portuguesa, a matemática, o inglês, a informática,
a história, a geografia e a formação ética».
Perante estes dados «é urgente a criação
de fortes correntes de opinião pública acerca da
situação económica e social no país,
na União Europeia e no mundo, identificando as respectivas
causas e vias de solução». E é indispensável
que as dioceses e instituições representadas na
Semana, bem como toda a Igreja, que «aprofundem estas questões
e contribuam para as correntes de opinião». Ao Estado
impõe-se «que remova os obstáculos que dificultam
a actividade económica»
PONTO DE VISTA
Ofensa
O funeral de Estado com que o Governo de Nova
Deli quis homenagear a memória de Madre Teresa de Calcutá
teve a acompanhá-lo algumas altas figuras da roda internacional.
A algumas delas não terá sido alheio o facto de
terem comparecido em Londres quando das exéquias pela princesa
Diana. E as televisões do Ocidente estiveram presentes
não só por causa da grandeza ímpar de quem
se deu totalmente aos pobres como pelo escândalo que seria
se o desaparecimento de Madre Teresa fosse apenas um «fait-divers»
com alguma projecção nos noticiários. Mesmo
assim, quase todos os jornais portugueses a afastaram da sua primeira
página, no dia do funeral!...
Mais impressionante do que a solenidade das cerimónias
fúnebres de Calcutá foi o documentário que
a TV nos deu sobre o trabalho de Madre Teresa e das irmãs
e de alguns voluntários, no tratamento dos doentes e agonizantes
recolhidos das ruas. Por isso, a notícia divulgada pela
comunicação social de que dezenas de leprosos e
mendigos acompanhariam a «mãe dos pobres» na
sua última passagem pelas ruas da cidade não foi
acolhida como exposição mediática à
voracidade mórbida de milhões de expectadores. Apenas
como a homenagem sentida daqueles a quem ela amou. Mas esses não
estiveram no cortejo fúnebre, a esses não foi dado
lugar, foram excluídos. «A Mãe pertence a toda
a gente, e não só aos VIP. Todos viemos de muito
longe para a ver», disse um dos impedidos de a seguirem no
cortejo. Assim, no solene render de homenagens à «santa
das sargetas», houve, também, um momento para ofender.
A ela e aos pobres. Quando não foi permitido que a acompanhassem
pelas ruas aqueles que ela lá foi buscar.