Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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Responsabilidade Social das Empresas

A XV Semana Nacional de Pastoral Social, realizada em Fátima de 1 a 5, tratou o tema «Emprego e Responsabilidade Social das Empresas» e os cerca de 300 participantes concluíram que a economia mundial, devido mormente ao fenómeno da globalização e ao forte incremento da competitividade, «está a passar por transformações profundas, com graves consequências para o bem-estar geral, para as desigualdades sociais e para a protecção social».

E assim, o cenário, ai nível do emprego, é pouco animador: «mil milhões de seres humanos não têm trabalho»; a precaridade do trabalho é hoje regra geral; quem perde o seu posto de trabalho depois dos 40 anos, dificilmente consegue regressar ao mercado de trabalho. A desumanização do trabalho traduz-se particularmente no desemprego e sub-desemprego e no trabalho precário ao lado do poder crescente das multinacionais e do crescimento do capital financeiro.

Perante esta situação, os participantes acrescentaram que o «pior inimigo do capitalismo é o excesso do mesmo capitalismo» e que os excessos do capitalismo «serão a sua morte se não forem corrigidos».

Para evitar a morte, o capitalismo terá que adquirir «uma face humana». Lembraram ainda que a existência de paraísos fiscais, na Europa e no mundo «traz graves prejuízos para a equidade económica e social e para o próprio investimento produtivo».

Em relação às reformas mais urgentes em Portugal, os participantes apontaram as reformas fiscal, judicial e educativa. Sobre a reforma educativa , os intervenientes afirmaram que se deve «adaptar a escola às exigências do mundo actual» e que numa reforma educativa a empreender devem ser consideradas áreas básicas «a língua portuguesa, a matemática, o inglês, a informática, a história, a geografia e a formação ética».

Perante estes dados «é urgente a criação de fortes correntes de opinião pública acerca da situação económica e social no país, na União Europeia e no mundo, identificando as respectivas causas e vias de solução». E é indispensável que as dioceses e instituições representadas na Semana, bem como toda a Igreja, que «aprofundem estas questões e contribuam para as correntes de opinião». Ao Estado impõe-se «que remova os obstáculos que dificultam a actividade económica»
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PONTO DE VISTA

Ofensa

O funeral de Estado com que o Governo de Nova Deli quis homenagear a memória de Madre Teresa de Calcutá teve a acompanhá-lo algumas altas figuras da roda internacional. A algumas delas não terá sido alheio o facto de terem comparecido em Londres quando das exéquias pela princesa Diana. E as televisões do Ocidente estiveram presentes não só por causa da grandeza ímpar de quem se deu totalmente aos pobres como pelo escândalo que seria se o desaparecimento de Madre Teresa fosse apenas um «fait-divers» com alguma projecção nos noticiários. Mesmo assim, quase todos os jornais portugueses a afastaram da sua primeira página, no dia do funeral!...

Mais impressionante do que a solenidade das cerimónias fúnebres de Calcutá foi o documentário que a TV nos deu sobre o trabalho de Madre Teresa e das irmãs e de alguns voluntários, no tratamento dos doentes e agonizantes recolhidos das ruas. Por isso, a notícia divulgada pela comunicação social de que dezenas de leprosos e mendigos acompanhariam a «mãe dos pobres» na sua última passagem pelas ruas da cidade não foi acolhida como exposição mediática à voracidade mórbida de milhões de expectadores. Apenas como a homenagem sentida daqueles a quem ela amou. Mas esses não estiveram no cortejo fúnebre, a esses não foi dado lugar, foram excluídos. «A Mãe pertence a toda a gente, e não só aos VIP. Todos viemos de muito longe para a ver», disse um dos impedidos de a seguirem no cortejo. Assim, no solene render de homenagens à «santa das sargetas», houve, também, um momento para ofender. A ela e aos pobres. Quando não foi permitido que a acompanhassem pelas ruas aqueles que ela lá foi buscar.
Pacheco de Andrade
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