Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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...INTERNACIONAL


CUBA - O presidente cubano, Fidel Castro, reapareceu recentemente em público, após várias semanas de ausência, pondo termo a rumores sobre a sua morte. Em tom irónico Fidel Castro disse que quem divulga tais mentiras "perde prestígio" pois, no dia em que, de facto, suceder a sua morte, ninguém via acreditar que é verdade.


IRLANDA DO NORTE - Vários dirigentes do Sinn Fein, ala política do IRA (Exército Republicano Irlandês, entre os quais Gerry Adams, o seu líder, encontram-se nos Estados Unidos para contactos políticos e para recolha de fundos.

Esta deslocação segue-se à autorização britânica para que o Sinn Fein participe nas negociações de paz sobre a Irlanda do Norte, na sequência do cessar-fogo decretado em 20 de Julho. As negociações devem recomeçar no próximo dia 15 de Setembro.


ISRAEL - Uma série de três atentados bombistas suicidas em pleno centro comercial de Jerusalém, provocando pelo menos seis mortos e cerca de 40 feridos, veio pôr em causa, mais uma vez, o processo de paz israelo-palestiniano.

Poucos dias depois, um grupo de comandos israelitas, em missão no sul do Líbano, foi dizimado numa emboscada preparada ao pormenor pelo Hezbollah, causando a morte de 11 soldados

Apesar de a Autoridade Palestiniana presidida por Arafat condenar os atentados, a verdade é que as relações entre as duas partes directamente envolvidas no complexo processo de pacificação da Terra Santa se encontram cada vez mais tensas, sendo previsível um agravamento do conflito.


COMORES - O governo das Comores, um arquipélago do Oceano Índico, ex-colónia francesa, lançou um ataque contra os separatistas que ocupavam a ilha de Anjouan, mas a sua tentativa de derrotar os separatistas saldou-se por um desastre total. Segundo informações colhidas localmente registaram-se entre 60 e 100 mortos entre os soldados governamentais.

A tentativa dos separatistas dura já há cerca de 6 meses, tendo a Ilha de Anjouan declarado cisão com a Federação Islâmica das Comores, podendo vir a optar pela independência total ou pelo regresso à administração francesa.


ANGOLA - Em declarações prestadas na passada sexta-feira, Jonas Savimbi, líder da UNITA, afirmou que o seu partido cumprirá as obrigações assumidas pelo Protocolo de Lusaka e acentuou que tal sucederá para que "possamos dar ao povo angolano a sensação de segurança de que, se depender de nós, não haverá regresso à guerra."

Savimbi acrescentou que a UNITA está aberta a negociações que permitam encontrar uma solução para a região diamantífera do nordeste angolano, salientando: "Não fizemos a guerra pelos diamantes".


ARGÉLIA - Um grupo armado entrou no interior da capital argelina, Argel, e massacrou 49 pessoas. O comando terrorista actuou sem problemas ciente da impunidade que tem existido em relação a situações destas que se multiplicaram de forma alarmante na Argélia, nos últimos anos.

Os terroristas invadiram o bairro de Sidi Youssef e atacaram com machados e todo o tipo de armas brancas os residentes.

Os massacres de civis têm-se sucedido em ritmo alucinante que nem o reforço do número dos militares utilizados na segurança tem conseguido estancar. Só no mês de Agosto a imprensa argelina referenciou 50 acções terroristas, verificando-se uma média de 40 mortes diárias causadas por esse tipo de violência.


EUA - O crescente número de divórcios nos Estados Unidos da América converteu a "casa da avó" num lugar de acolhimento para quatro milhões de crianças, das quais cerca de um terço nunca viveu com os progenitores. Daqueles quatro milhões, cerca de metade vive com a mãe em casa dos avós. Destas crianças, 51 por cento têm menos de seis anos.

Nos EUA, um país com 270 milhões de habitantes, assiste-se diariamente a 7.000 casamentos e 3.000 pedidos de divórcio.

Psicólogos americanos concluíram que "quantos mais divórcios vivem os filhos, mais possibilidades têm de serem protagonistas de um matrimónio fracassado quando forem adultos."
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PONTO DE VISTA

Bem-aventurança

Pequenina e frágil, Bill Clinton chamou-lhe «um dos gigantes da nossa época». Diante da sua estatura moral, do seu desprendimento, do amor aos pobres, da sua sensibilidade perante o sofrimento, do respeito imenso que tinha pela dignidade dos mais esquecidos e rejeitados da sociedade, da consciência sofrida do que vale a pessoa humana, da resistência ao cansaço e da dedicação de todo o seu tempo a cuidar dos agonizantes nas ruas de Calcutá, temos uma sensação de vazio, de superficialidade, de nada feito. É estranho, a pobreza é o saguão social de que todos fogem e a que ninguém liga. E, no entanto, ela dá uma grandeza inesquecível aos que a amam e se lhe entregam para a servir. Na emoção que abalou o mundo na morte da princesa Diana, o que mais contou não foi a beleza nem o encanto da sua presença por onde quer que passasse. Foi a atenção que deu a pessoas que sofriam, e o ter estreitado nas suas mãos as mãos de um leproso e também as de um jovem condenado pela sida, e o sentar no seu colo crianças a quem a guerra amputara as pernas, e o visitar os sem-abrigo das ruas de Londres. Esta foi a sua mais valia como princesa, quando fraternizou com os que sofrem. Aí, aproximou-se de Teresa de Calcutá e teve alguns dos seus gestos.

O adeus àquela a quem chamavam a «santa das sargetas» não terá a ressonância mediática do funeral da princesa. Até nisto o Oriente é pobre, não tem a força de comunicação social do Ocidente. Mas a imagem de uma mulher franzina que, ao voltar-se para os humildes, sacudiu o mundo, e levou a pobreza a ser homenageada por um Prémio Nobel, jamais se apagará. Porque há muito que os pobres a canonizaram.
Pacheco de Andrade
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