SEMANA A SEMANA
- Jorge Sampaio em visita ao Brasil afirmou
que defende que os cidadãos brasileiros tenham em Portugal
os mesmos direitos que os portugueses, como acontece com
os portugueses no Brasil.
- O Parque Biológico de V. N.
de Gaia, criado em 1985, vai reabrir aumentado de doze para
35 hectares e com estruturas de acolhimento, pousada e auditório.
Com uma média diária de duzentos vistantes, o Parque
transformou-se num importante centro de educação
ambiental.
- O Castelo de Santa Maria da Feira
animou-se no sábado e Domingo com costumes medievais, por
iniciativa do Núcleo Viagem Medieval, o que ali acontece
pela segunda vez. Reis, fidalgos e gente do povo proporcionaram
uma «visita» ao século XIV a quantos ali se deslocaram.
- Em Vilar de Perdizes, Montalegre, realizou-se
mais um Congresso de Medicina Popular que congregou especialistas
em plantas medicinais mais do que os habituais charlatães.
O orgasnizador João Sanches acrescentou que nos últimos
dez anos foram publicados mais de 130 trabalhos aparecidos na
sequência dos referidos congressos.
- Mário Soares defendeu que Portugal
não estará culpado na questão do ouro
nazi, tendo acrescentado que o nosso país salvou milhares
de pessoas perseguidas pelos nazis e que não se aproveitara
do seu dinheiro.
- Álvaro Cunhal manifestou na Festa
do Avante que o facto de não falar mas aplaudir Carvalhas,
que o substituiu há cinco anos como secretário geral
do PCP, «é um sinal de renovação do
Partido».
- Muita gente protestou em Guimarães
contra a hipótese de instalar câmaras de vídeo
para vigiar o centro histórico, prevenindo contra o
vandalismo, alegando que é um atentado à vida
privada.
- Os pilotos e a Administração
da TAP parece que chegaram a um acordo até ao fim
do ano, ultrapassando um conflito que caíu mal na opinião
pública pelos prejuízos que causou em época
alta de turismo.
- Vinte empresas portuguesas participaram
na missão empresarial da Associação Industrial
Portuense ao Brasil, num objectivo de aumentar o comércio
entre os dois países irmãos.
- Grandes mudanças vão chegar
à marginal do Douro, desde a Ribeira até á
Foz, preparando a Cimeira Ibero-Americana que se realizará
na velha Alfândega no próximo ano. Fala-se num viaduto
sobre o rio, num circuito para peões e para o eléctrico,
numa marina e na adaptação do edifício onde
se encontra o Museu de Transportes.
- Marçal Grilo, ministro da Educação,
disse há dias que é urgente melhorar a Educação
de Adultos, sobretudo nas regiões com mais dificuldades
de acesso. Serão precisas escolas, professores e o apoio
de toda a sociedade. Em Portugal mais de 70% das pessoas têm
menos de seis anos de escolaridade e apenas cinco por cento tem
um curso superior.
...INTERNACIONAL
CUBA - O presidente cubano,
Fidel Castro, reapareceu recentemente em público, após
várias semanas de ausência, pondo termo a rumores
sobre a sua morte. Em tom irónico Fidel Castro disse que
quem divulga tais mentiras "perde prestígio"
pois, no dia em que, de facto, suceder a sua morte, ninguém
via acreditar que é verdade.
IRLANDA DO NORTE - Vários
dirigentes do Sinn Fein, ala política do IRA (Exército
Republicano Irlandês, entre os quais Gerry Adams, o seu
líder, encontram-se nos Estados Unidos para contactos políticos
e para recolha de fundos.
Esta deslocação segue-se à autorização
britânica para que o Sinn Fein participe nas negociações
de paz sobre a Irlanda do Norte, na sequência do cessar-fogo
decretado em 20 de Julho. As negociações devem recomeçar
no próximo dia 15 de Setembro.
ISRAEL - Uma série
de três atentados bombistas suicidas em pleno centro comercial
de Jerusalém, provocando pelo menos seis mortos e cerca
de 40 feridos, veio pôr em causa, mais uma vez, o processo
de paz israelo-palestiniano.
Poucos dias depois, um grupo de comandos israelitas,
em missão no sul do Líbano, foi dizimado numa emboscada
preparada ao pormenor pelo Hezbollah, causando a morte de 11 soldados
Apesar de a Autoridade Palestiniana presidida por
Arafat condenar os atentados, a verdade é que as relações
entre as duas partes directamente envolvidas no complexo processo
de pacificação da Terra Santa se encontram cada
vez mais tensas, sendo previsível um agravamento do conflito.
COMORES - O governo das
Comores, um arquipélago do Oceano Índico, ex-colónia
francesa, lançou um ataque contra os separatistas que ocupavam
a ilha de Anjouan, mas a sua tentativa de derrotar os separatistas
saldou-se por um desastre total. Segundo informações
colhidas localmente registaram-se entre 60 e 100 mortos entre
os soldados governamentais.
A tentativa dos separatistas dura já há
cerca de 6 meses, tendo a Ilha de Anjouan declarado cisão
com a Federação Islâmica das Comores, podendo
vir a optar pela independência total ou pelo regresso à administração
francesa.
ANGOLA - Em declarações
prestadas na passada sexta-feira, Jonas Savimbi, líder
da UNITA, afirmou que o seu partido cumprirá as obrigações
assumidas pelo Protocolo de Lusaka e acentuou que tal sucederá
para que "possamos dar ao povo angolano a sensação
de segurança de que, se depender de nós, não
haverá regresso à guerra."
Savimbi acrescentou que a UNITA está aberta
a negociações que permitam encontrar uma solução
para a região diamantífera do nordeste angolano,
salientando: "Não fizemos a guerra pelos diamantes".
ARGÉLIA - Um grupo
armado entrou no interior da capital argelina, Argel, e massacrou
49 pessoas. O comando terrorista actuou sem problemas ciente da
impunidade que tem existido em relação a situações
destas que se multiplicaram de forma alarmante na Argélia,
nos últimos anos.
Os terroristas invadiram o bairro de Sidi Youssef
e atacaram com machados e todo o tipo de armas brancas os residentes.
Os massacres de civis têm-se sucedido em ritmo
alucinante que nem o reforço do número dos militares
utilizados na segurança tem conseguido estancar. Só
no mês de Agosto a imprensa argelina referenciou 50 acções
terroristas, verificando-se uma média de 40 mortes diárias
causadas por esse tipo de violência.
EUA - O crescente número
de divórcios nos Estados Unidos da América converteu
a "casa da avó" num lugar de acolhimento para
quatro milhões de crianças, das quais cerca de um
terço nunca viveu com os progenitores. Daqueles quatro
milhões, cerca de metade vive com a mãe em casa
dos avós. Destas crianças, 51 por cento têm
menos de seis anos.
Nos EUA, um país com 270 milhões de
habitantes, assiste-se diariamente a 7.000 casamentos e 3.000
pedidos de divórcio.
Psicólogos americanos concluíram que
"quantos mais divórcios vivem os filhos, mais possibilidades
têm de serem protagonistas de um matrimónio fracassado
quando forem adultos."
PONTO DE VISTA
Bem-aventurança
Pequenina e frágil, Bill Clinton chamou-lhe
«um dos gigantes da nossa época». Diante da sua
estatura moral, do seu desprendimento, do amor aos pobres, da
sua sensibilidade perante o sofrimento, do respeito imenso que
tinha pela dignidade dos mais esquecidos e rejeitados da sociedade,
da consciência sofrida do que vale a pessoa humana, da resistência
ao cansaço e da dedicação de todo o seu tempo
a cuidar dos agonizantes nas ruas de Calcutá, temos uma
sensação de vazio, de superficialidade, de nada
feito. É estranho, a pobreza é o saguão social
de que todos fogem e a que ninguém liga. E, no entanto,
ela dá uma grandeza inesquecível aos que a amam
e se lhe entregam para a servir. Na emoção que abalou
o mundo na morte da princesa Diana, o que mais contou não
foi a beleza nem o encanto da sua presença por onde quer
que passasse. Foi a atenção que deu a pessoas que
sofriam, e o ter estreitado nas suas mãos as mãos
de um leproso e também as de um jovem condenado pela sida,
e o sentar no seu colo crianças a quem a guerra amputara
as pernas, e o visitar os sem-abrigo das ruas de Londres. Esta
foi a sua mais valia como princesa, quando fraternizou com os
que sofrem. Aí, aproximou-se de Teresa de Calcutá
e teve alguns dos seus gestos.
O adeus àquela a quem chamavam a «santa
das sargetas» não terá a ressonância
mediática do funeral da princesa. Até nisto o Oriente
é pobre, não tem a força de comunicação
social do Ocidente. Mas a imagem de uma mulher franzina que, ao
voltar-se para os humildes, sacudiu o mundo, e levou a pobreza
a ser homenageada por um Prémio Nobel, jamais se apagará.
Porque há muito que os pobres a canonizaram.