| Liturgia: | |||
25º DOMINGO DO TEMPO COMUM
21 de Setembro
Leitura do Livro da Sabedoria
Sab 2, 12. 17-20
Disseram os ímpios: «Armemos ciladas
ao justo, porque nos incomoda e se opõe às nossas
obras; censura-nos as transgressões à lei e repreende-nos
as faltas de educação. Vejamos se as suas palavras
são verdadeiras, observemos como é a sua morte.
Porque, se o justo é filho de Deus, Deus o protegerá
e o livrará das mãos dos seus adversários.
Provemo-lo com ultrajes e torturas para conhecermos a sua mansidão
e apreciarmos a sua paciência. Condenemo-lo à morte
infame, porque, segundo diz, Alguém virá socorrê-lo.
Salmo ResponsorialSalmo 53
O Senhor sustenta a minha vida
Senhor, salvai-me pelo vosso nome,
pelo vosso poder fazei-me justiça.
Senhor, ouvi a minha oração,
atendei às palavras da minha boca.
Levantaram-se contra mim os arrogantes
e os violentos atentaram contra a minha vida.
Não têm a Deus na sua presença.
Deus vem em meu auxílio,
o Senhor sustenta a minha vida.
De bom grado oferecerei sacrifícios,
cantarei a glória do vosso nome, Senhor.
Leitura da Epístola de São Tiago
Tg 3, 16-4,3
Caríssimos: Onde há inveja e rivalidade,
também há desordem e toda a espécie de más
acções. Mas a sabedoria que vem do alto é
pura, pacífica, compreensiva e generosa, cheia de misericórdia
e de boas obras, imparcial e sem hipocrisia. 0 fruto da justiça
semeia-se na paz para aqueles que praticam a paz. De onde vêm
as guerras? De onde procedem os conflitos entre vós? Não
é precisamente das paixões que lutam nos vossos
membros? Cobiçais e nada conseguis: então assassinais.
Sois invejosos e não podeis obter nada: então entrais
em conflitos e guerras. Nada tendes, porque nada pedis. Pedis
e não recebeis, porque pedis mal, pois o que pedis é
para satisfazer as vossas paixões.
Aleluia! Aleluia!
Deus chamou-nos por meio do Evangelho, para alcançarmos
a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo
segundo São MarcosMc 9, 30-37
Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos caminhavam através da Galileia, mas Ele não queria que ninguém o soubesse; porque ensinava os discípulos, dizendo-lhes: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens e eles vão matá-lO; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará». Os discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de 0 interrogar. Quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «Que discutíeis no caminho?» Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Aquele que Me enviou».
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O contexto geral do livro da Sabedoria é o de uma forte crítica aos israelitas que, renegando a sua formação religiosa, tinham adoptado a cultura helenística.
Os capítulos 1-5 contrapõem o «sábio» (ou «justo) ao «insensato» (ou «ímpio»). O «justo» (ou «sábio») é aquele que sabe referir tudo a Deus e é capaz de ler a história, os acontecimentos e a própria vida de cada dia à luz da dimensão religiosa, acolhendo tudo como dom do seu Senhor. Pelo contrário, o «ímpio» ou «insensato» é aquele que vive para si mesmo ou para as coisas, ou para o sucesso, ficando assim incapaz de descobrir a presença de Deus no mundo e na vida.
Na leitura deste domingo o contraste desemboca na insídia e perseguição do «justo» pelos ímpios. Este texto foi aplicado à Paixão de Jesus, condenado a morte infamante e aparentemente abandonado por Deus na sua Cruz. São Mateus coloca na boca dos que assistem à crucifixão este escárnio: «Confiou em Deus, Ele que o livre agora, se é que lhe quer bem...» (cf. Mt 27, 43).
Segunda Leitura
A Epístola de São Tiago consta de uma série de exortações, algo desligadas, mas entroncando todas no ideal duma existência cristã a viver na fidelidade ao Evangelho, na caridade e na solidariedade. Uma vida assim exprime também a riqueza interior da pessoa que, opondo-se aos vícios, às más inclinações e às sugestões do poder e do dinheiro, manifesta domínio de si e fidelidade ao projecto de Deus em relação à humanidade e à criação.
A passagem de hoje abarca dois temas: a) a qualidade da verdadeira sabedoria, que leva a viver de acordo com o projecto de Deus (Tg 3, 16-18); b) a reflexão sobre as causas das hostilidades no coração do homem e no mundo, e os seus remédios (4, 1ss).
O versículo 17 (2.ª frase da leitura) faz uma descrição da verdadeira sabedoria inspirando-se na concepção que dela têm os Sinópticos e Paulo (cf. Gál. 5, 22s). Sublinhe-se a afinidade com o conjunto do Sermão da Montanha, o programa de vida do cristão segundo São Mateus. Também para Tiago viver segundo esse programa é um sinal da genuína sabedoria cristã.
Evangelho
Neste ano a ocorrência da festa da Santa Cruz fez passar à frente o texto fulcral da confissão de fé de Pedro em Cesareia de Filipe (Mc 8, 27-35), ponto de chegada de toda a 1ª parte do Evangelho que tinha como objectivo orientar os leitores na compreensão da identidade de Jesus, «Cristo» (Messias) e «Filho de Deus». Começa de seguida a 2ª parte (capítulos 9-16) em que São Marcos apresenta as exigências radicais que Jesus coloca aos discípulos (e cristãos de todos os tempos) que o querem seguir.
A passagem deste domingo dá início à apresentação dessas exigências. Propõe a missão de Jesus à luz do desígnio salvífico de Deus (que passa pela Cruz e pela morte) e convida os discípulos a integrarem-se nesse projecto com a mesma atitude de entrega e obediência do Mestre.
Nesta linha se insere o solene e profundo ensinamento (note-se a referência ao verbo «sentarse», alusivo à actividade dos rabinos) de Jesus: «Quem quiser ser o primeiro...». «Crianças» e «pequenos» no Evangelho, para além do seu significado literal, designam os membros mais débeis da comunidade cristã, as pessoas mais esquecidas e a quem ninguém presta atenção. O discípulo de Jesus deverá tomá-las a seu cargo, tal como Jesus tomou a seu cargo a humanidade débil e pecadora.
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De facto, um dia em que os seus discípulos discutiam, como diz o evangelista, para estabelecer quem, entre eles, seria o maior no reino dos céus, "Ele chamou uma criança e, pondo-o no meio deles, disse: em verdade, em verdade vos digo, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no reino dos céus. Quem, portanto, se fizer pequeno como este menino, será o maior no reino dos céus" (Mt 18, 1-4).
Cristo ama a infância, que começou por assumir com a alma e com o corpo. Cristo ama a infância, mestra da humildade, regra da inocência, modelo de doçura. Cristo ama a infância: para ela orienta o modo de agir dos adultos, para ela reconduz os velhos e para ela inclina, como para um modelo, aqueles que eleva ao reino eterno.
E para que não sejamos incapazes de compreender como possa alcançar-se tão admirável alteração e com que espécie de mudança devamos voltar à condição de crianças, venha São Paulo e no-lo ensine: "Não sejais crianças no juízo, mas sim na malícia" (cf. 1 Cor 14, 20). Não devemos, pois, regressar aos jogos infantis, nem às imperfeições da nossa meninice, mas devemos retirar dela algo que convém à idade avançada: que as agitações se aquietem prontamente e logo regresse a paz; que não haja ressentimentos pela ofensa nem qualquer prurido de reputação; que haja amor pela comum fraternidade e pela natural igualdade.
| (S. Leão Magno, Sermão37, 3: CCL 138, 201s.) |
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1. Na dinâmica do leccionário do
Tempo Comum no Ano B, após a revelação decisiva
do Evangelho do Domingo 24º, segue-se uma série de
domingos centrados no significado e nas exigências do ser
discípulo. Nada mais oportuno para o relançamento
do ano pastoral que cada vez mais se antecipa para o mês
de Setembro, por força das mudanças introduzidas
no calendário escolar.
2. Este Domingo é assinalado pela entrada
solene de D. Armindo Lopes Coelho, novo Bispo de Porto, na sua
igreja catedral. Em todas as Eucaristias celebradas na Diocese
deve estar presente esta intenção, ao menos na Oração
dos fiéis.
3. A insistência de Jesus no primado do
serviço pode ajudar também as equipas litúrgicas
a renovar o seu compromisso neste recomeço do ano pastoral,
rectificando, onde for o caso, motivações menos
autênticas. Não se trata de ocupar os lugares da
frente e de dar nas vistas, mas de efectivamente servir a assembleia
na celebração do mistério pascal, este mistério
de abatimento e glorificação que o Evangelho nos
vai apresentando.
4. Leitores: 1ª Leitura:
sem dificuldades particulares; tenha-se em conta que, após
a introdução em tom narrativo («Disseram
os ímpios» atenção ao acento
esdrúxulo), segue-se um discurso directo em que o leitor
dá voz à fala cínica dos ímpios. Leia
devagar e emita todos os sons das palavras, apoiando-se sempre
nas consoantes.
2ª leitura: A leitura tem um divisão natural: em "para aqueles que praticam a paz". Uma pausa neste ponto é obrigatória. Atenção à enumeração após "a sabedoria que vem do alto": faça breves cesuras, seguindo, neste caso, a pontuação escrita. A segunda parte começa com interrogações (não se esqueça que a interrogação está no princípio e não no fim da frase): note que duas interrogações são perguntas e a terceira é resposta (o tom muda e entre a segunda e a terceira convém uma breve pausa). A estrutura seguinte das frases é ternária - binária: o respeito do ritmo imposto tornará o texto mais claro.
5. Sugestão de cânticos: Entrada:
A salvação dos justos, F. Santos,
BML 52, 13; Vós sois o meu Deus, F. Santos, BML
66/67, 88 ou NCT 230; Como é admirável, F.
Santos, B.M.L. 77, 93; Servi o Senhor com alegria, Borges
de Sousa, N.C.T. 228; O Senhor é minha luz e salvação,
F. Santos, NCT 224; Da paz dos nossos lares, D. Julien,
NCT 215; Salmo Resp.: O Senhor receberá, M.
Luís, S.R.(B), 128; Aclam. ao Ev.: Deus chamou-nos,
adapt. de NCT 239; Comunhão: O Filho
de Homem, F. Santos, BML 45, 16; O Senhor é meu
pastor, F. Santos, BML 52, 12 ou NCT 268.
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