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SEMANA A SEMANA


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...INTERNACIONAL


HONG KONG - Consumou-se na noite de 30 de Junho para 1 de Julho a entrega da cidade de Hong Kong, colónia britânica desde há 156 anos, à tutela da China. Hong Kong, território onde hoje floresce uma das economias mais fortes do mundo, foi conquistado aos chineses pela Grã-Bretanha durante a "guerra do ópio" e regressa à soberania chinesa por força de um acordo celebrado pela ex-primeira-ministra Margaret Tatcher com o poder político de Pequim.

À meia-noite local foi arreada a bandeira britânica e substituída pela chinesa, verificando-se nos primeiros minutos do dia 1 de Julho a entrada de forças militares chinesas que passarão a controlar o território.

Apesar da promessa de Pequim em manter Hong Kong sob um estatuto especial, dotado de grande autonomia, dentro do regime chinês (pois a força da economia do território é um factor muito importante para a China), o Mundo aguarda com certa ansiedade o comportamento das autoridades chinesas em matérias sensíveis, como é o caso do respeito dos direitos humanos.


LÍBIA - A Amnistia Internacional (AI) denunciou as "violações flagrantes" dos direitos humanos perpetradas "impunemente" na Líbia, com a agravante de serem "aprovadas ao mais alto nível do Estado". A AI refere esta situação como "trágica" e aponta como exemplo de tais violações os discursos do presidente líbio, Mouammar Kadhafi, em que este reclama publicamente "a eliminação dos dissidentes políticos e jura punir as famílias e as tribos que não denunciem os seus membros". Segundo a AI, Kadhafi não tem pejo em declarar que "todo aquele que diga 'não' (à sua politica) é considerado colaborador do inimigo".


REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA - Mais de 100 pessoas foram mortas durante combates que opuseram soldados rebeldes centro-africanos e as forças da missão de paz que operam na capital, Bangui.

Fontes da Cruz Vermelha referem que o número de mortos pode atingir os 250, em resultado de combates que fizeram sair em fuga para fora de Bangui milhares de pessoas que se dirigem para o sul do país, sob controlo das forças da missão de paz internacional. A França, que tem 1.500 sodados estacionados nesta sua antiga colónia, reforçou o patrulhamento das ruas com tanques e helicópteros.


ESTADOS UNIDOS - O Supremo Tribunal norte-americano recusou uma petição para autorizar o suicídio clinicamente assistido dos doentes em fase terminal, argumentando que "ninguém está autorizado a ajudar um suicídio". Os nove magistrados consideraram que "a distinção entre deixar um doente morrer e fazer morrer esse paciente é importante".

Numa outra decisão, o mesmo Tribunal anulou uma lei que interdita a indecência e a pornografia na Internet, por considerar que a mesma atenta contra a liberdade de expressão e que os seus termos são vagos."


ALBÂNIA - Decorreram sem incidentes as eleições gerais realizadas no passado domingo, na Albânia, sob tutela da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa), em que, ao mesmo tempo, era referendado o regresso do país ao regime monárquico.

Os 2,4 milhões de eleitores albaneses elegeram 115 deputados, havendo, segundo notícias recebidas no dia imediato, a perspectiva de uma vitória da oposição ao regime corporizado pelo presidente Sali Berisha.


REPÚBLICA DO CONGO - Os combates entre as forças leais ao presidente congolês, Pascal Lissouba, e as que apoiam o ex-presidente Sassou Neguesso, reacenderam-se na capital, Brazaville, depois de algumas esperanças de cessar-fogo. As duas partes, que se confrontam desde o passado dia 5 de Junho, reclamam o controlo do aeroporto internacional da capital que, segundo fontes diplomáticas, está incontrolável.
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PONTO DE VISTA

Hong Kong

Uma Nova Iorque mais pequena, em todo o caso com seis milhões de habitantes. Um dos maiores centros financeiros do mundo. Uma floresta de arranha-céus, emblema de cimento das grandes metrópoles. Uma fúria indisfarçada pelo êxito nos negócios e pela aquisição de riqueza. E um dos contrastes mais gritantes entre o luxo asiático e a miséria degradante que envergonha não só aqueles que a sofrem como todo o ser humano que não perdeu a noção da sua dignidade e da dignidade do seu semelhante. Ao mesmo tempo, um espaço humano onde o Ocidente implantou a democracia, e onde os cidadãos não conheceram a ditadura. Tudo isto é Hong Kong, que no primeiro dia deste mês passou a ser da China, no regresso de uma daquelas situações de que reza a História, e em que, há muitos anos, o poder dos mais fortes ditou a humilhação dos mais fracos.

Neste momento, Pequim rejubila porque recuperou um território que os ingleses lhe devolvem, com capital e juros formidáveis. Mas há um drama: os residentes da ex-colónia britânica receiam perder a liberdade ocidental em que sempre viveram. Ter opinião, votar, poder escolher entre as várias opções que uma democracia faculta, ter liberdade religiosa, saber que o Estado não interfere no espaço das Igrejas, dispor de livre expressão nos jornais e em toda a comunicação social, sem que o Governo «domestique» os que dissentem dele, tudo isto está em causa. A prática dos governantes chineses não credibiliza o cumprimento desanuviado de «um país, dois sistemas», relativo ao futuro de Hong Kong. Há contradições em confronto. E não parece que os senhores de Pequim se contradigam, e consintam, hoje, o que rejeitaram, ontem. Por exemplo, em Tianamnen.
Pacheco de Andrade
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