Liturgia:

A MESA DA PALAVRA

XV DOMINGO DO TEMPO COMUM
13 de Julho


Leitura da Profecia de Amós Amós, 7, 12-15

Naqueles dias, Amasias, sacerdote de Betel, disse a Amós: «Vai-te daqui, vidente. Foge para a terra de Judá. Aí ganharás o pão com as tuas profecias. Mas não continues a profetizar aqui em betel, que é o santuário real, o templo do reino». Amós respondeu a Amasias: «Eu não era profeta, nem filho de profeta. Era pastor de gado e cultivava sicómoros. Foi o Senhor que me tirou da guarda do rebanho e me disse: 'Vai profetizar ao meu povo de Israel'».


Salmo Responsorial Salmo 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)

Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor
e dai-nos a vossa salvação.

Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis
e a quantos de coração a Ele se convertem.
A sua salvação está perto dos que O temem
e a sua glória habitará na nossa terra.

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,
abraçaram-se a paz e a justiça.
A fidelidade vai germinar da terra
e a justiça descerá do Céu.

O Senhor dará ainda o que é bom,
e a nossa terra produzirá os seus frutos.
A justiça caminhará à sua frente
e a paz seguirá os seus passos.


Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios Ef 1, 3-14

Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. N'Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença. Ele nos predestinou, de sua livre vontade, para sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, para que fosse enaltecida a glória da sua graça, com a qual nos favoreceu em seu amado Filho. N'Ele, pelo seu sangue, temos a redenção, a remissão dos pecados. Segundo a riqueza da sua graça, que Ele nos concedeu em abundância, com plena sabedoria e inteligência, deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade: segundo o beneplácito que n'Ele de antemão estabelecera, para se realizar na plenitude dos tempos: instaurar todas as coisas em Cristo, tudo o que há nos Céus e na terra. Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d'Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, para servir à celebração da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo. Foi n'Ele que vós também, depois de ouvirdes a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, abraçastes a fé e fostes mercados pelo Espírito Santo prometido, que é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo que Deus adquiriu para louvor da sua glória.


Aleluia. Aleluia.

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus cristo,
ilumine os olhos do nosso coração,
para sabermos a que esperança fomos chamados.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo
segundo São Marcos
Mc 6, 7-13

Naquele tempo, Jesus chamou os doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois. Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro; que fossem calçados com sandálias, e não levassem duas túnicas. Disse-lhes também: «Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. E se não fordes recebidos em alguma localidade, se os habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pós como testemunho contra eles». Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos.

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UMA LEITURA DOS TEXTOS BÍBLICOS

Chamados para ser enviados

«Como membros de Cristo vivo e a Ele incorporados e configurados não só pelo Baptismo mas também pela Confirmação e Eucaristia, todos os fiéis estão obrigados, por dever, a colaborar no crescimento e na expansão do Seu Corpo para o levar a atingir, quanto antes, a sua plenitude»
(Conc. Vat. II, Decr. Ad Gentes, 36).


1ª Leitura - Amós 7, 12-15: «Vai profetizar ao meu povo»

Amós, originário do Reino do Sul, realiza a sua missão profética no Reino do Norte (em 760 a.C., no tempo de Jeroboão II). Israel vive um momento de esplendor político e económico. Contudo vai-se alargando, no seu interior, uma crescente injustiça social a que o profeta não é insensível.

Para além de ser estrangeiro, não era profeta da corte (que naquele tempo abundavam pelas cortes de Judá, Israel, Edom, Mari...) nem pertencia a nenhuma família, casta ou congregação de profetas. A sua voz em Betel, santuário nacional, era incómoda («inoportuno», na opinião do sacerdote de Betel).

Amós afirma com firmeza a autenticidade da sua missão profética que nasce da experiência de Deus e enche toda a sua consciência. «O Senhor me tirou da guarda do rebanho», como a David (cf. 2 Sam 7, 8): o profeta recebe uma missão que o refere ao povo e o torna exclusivamente instrumento da salvação de Deus.


2ª Leitura - Ef 1, 3-14: «Ele nos escolheu, em Cristo, antes da criação do mundo»

Começamos a leitura da carta aos Efésios que se fará durante 7 domingos. Assemelha-se mais a um tratado que a uma carta. Abre com este hino introdutório.

Na primeira estrofe (v. 3-4), bendiz a Deus pela criação-eleição. Na segunda (v. 5-6) concentra-se na predestinação (a Igreja é a comunidade que recebeu a adopção filial). Na terceira (v. 7-9a), a Igreja recebeu a redenção (no AT era um privilégio de Israel) e este é o mistério da vontade divina: a universalidade da salvação. Na quarta (v. 9b-10b), Cristo é a Cabeça de todo o universo. Na quinta (v. 11-12), refere a herança dos patriarcas (para Israel é a terra), em sentido escatológico. Na sexta (v. 13-14), centra tudo no anúncio e acolhimento do Evangelho.

Eis o mistério do plano de Deus que se realiza em Cristo e abarca todo o universo. Este novo povo que é a Igreja, tem a marca indelével da pertença ao Seu Deus: o Espírito Santo.


Evangelho - Mc 6, 7-13: «Começou a enviá-los»

Apesar da recusa havida em Nazaré, Jesus não reduz a sua actividade, antes associa os seus discípulos. A missão encomendada aos Doze é uma proclamação solene que requer duas testemunhas (uso judaico praticado também por João Baptista - cf. Lc 7, 18; Jo 1, 37 - e pela Igreja primitiva (Act 13, 2.4; 15, 39).

O Evangelista preocupa-se mais com a forma (equipamento mínimo: bastão e calçado). A acção dos enviados baseia-se na força da Palavra. É ela que marca a vida do apóstolo.

A referência à casa como lugar de acolhimento dos mensageiros traduz a experiência da 1ª comunidade: a casa como ponto de partida da missão e grupo fundacional e aglutinador de uma comunidade.

A recusa do mensageiro e da mensagem são inseparáveis. A hospitalidade deve ser aceite com gratidão.

A actividade dos discípulos é um reflexo da de Jesus: anúncio do Reino com o convite à conversão e as acções de libertação e cura (note-se a única referência evangélica à prática da «unção dos enfermos»).

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HOMILÁRIO PATRÍSTICO

Basta-te a divina pobreza

«"Ordenou-lhes que não levassem nada para a viagem a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro na bolsa" (Mc 6, 8). [...] Se Deus convida um homem a trabalhar para Ele, e este caminha carregado com alforge, pão e dinheiro, e vai ansioso, será que pensa que Deus é desumano? É um operário com pouca fé e, assim, chega ao trabalho ou cansado ou atrazado, ou nem sequer consegue chegar!

Deus promete dons em abundância - tantas vezes o deixou escrito -, garante a recompensa com tantas testemunhas e tu ainda pensas que não te dará nem pão nem roupa? Mas que espírito é o teu? Quando não eras quem és, fez-te existir. E aquilo que tens, ó homem, foi Ele Quem to deu. Enquanto viveste para ti e para os teus prazeres fez com que não te faltasse o necessário; não te parece que dará pão e roupa a quem se esforça por cumprir a sua missão? [...]

Deixa estar, ó homem, as tuas riquezas; basta-te a divina pobreza. Põe de lado os pesos das tuas riquezas. Contenta-te com viver a mesma dureza da divina humanidade. Quem anda carregado não pode chegar ao trabalho na messe do Senhor por um caminho estreito e apertado».

(S. Pedro Crisólogo, Serm 170, 8)

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SUGESTÕES LITÚRGICAS


1. Contexto:

Começa neste domingo e prolongar-se-á até ao fim de Agosto a leitura de passagens selectas da Epístola de S. Paulo aos Efésios. É um texto paulino de grande riqueza cuja leitura integral recomendamos aos grupos litúrgicos e sugerimos aos cristãos em geral como texto de estudo e oração para o tempo de férias.

Na Diocese do Porto, este Domingo é dia de ordenações. Bom será que as diversas assembleias litúrgicas sintonizem com a assembleia que se reune na Catedral, por motivo de um acontecimento tão importante para o presente e futuro da missão da Igreja. Tanto a primeira leitura - a vocação e missão de Amós - como o Evangelho - a missão dos «Doze» - favorecem esta ligação da Palavra à vida.

O final do Evangelho deste Domingo, juntamente com a Tiag 5, 14 s, é uma das principal passagens do NT invocadas pela teologia do Sacramento da Unção dos Enfermos. Eis um Sacramento que o Concílio desejou renovar, quer na doutrina, quer na pastoral, sem que se tenha conseguido ainda a necessária transformação das mentalidades. Sugerimos também que os cristãos enriqueçam a sua vivência do tempo livre com uma atenção redobrada aos doentes a quem devem o anúncio e o testemunho da salvação.


2. Leitores:

1ª Leitura - É um breve diálogo. Deve reconhecer-se a voz do narrador, de Amasias e de Amós. Ao tom vigoroso de Amasias (trata-se de uma interdição), responde o tom firme mas humilde de Amós. Não começar a leitura antes de toda a assembleia estar acomodada e em silêncio.

2ª Leitura - Texto difícil pelos conceitos, frases longas e algumas palavras. Exige-se uma boa compreensão do texto e uma técnica respiratória razoável. Trata-se de um poema e não de uma exposição didáctica (importa encontrar o tom justo).


3. Sugestão de cânticos:

Entrada: Eu venho, Senhor, F. Santos, BML 66/67, 91; Senhor, à sombra das vossas asas, F. Santos, BML 47, 7; Salmo Resp.: Mostrai-nos o Vosso amor, M. Luís, SR(B) 117; Aclam. ao Ev.: O Pai de Nosso Senhor, M. Luís, NCT 240; Comunhão: Quem come a minha carne, C. Silva, NCT 422; Eu sou o pão da vida, B. de Sousa, NCT 262; Ide por todo o mundo, M. Luís, NCT 355.
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