Sociedade:

SEMANA A SEMANA


Início

...INTERNACIONAL


ARGÉLIA - As eleições gerais realizadas na passada quinta-feira, dia 5 de Junho, na Argélia deram a vitória ao partido do presidente Zeroual, a União Nacional Democrática´tica (RND), sendo os segundo partido mais votado o Movimento para uma Sociedade pacífica (partido islâmico moderado). O partido do presidente recolheu 33,7 por cento dos votos, enquanto o outro se ficou pelos 14,8 por cento

Apesar deste resultados, que parecem solidificar a presença de Zeroual à frente dos destinos do país, os extremistas islâmicos, responsáveis por cerca de 65 mil mortos nos últimos anos, vieram dizer que nada mudou no país. Um dos partidos islâmicos (RCD - União para a Cultura e Democracia) concorrentes a estas eleições veio mesmo declarar que os resultados eleitorais são "uma fraude em grande escala".


FRANÇA - O novo governo francês, saído das recentes eleições, e presido pelo socialista Lionel Jospin, foi bem acolhido em França. Trata-se de um executivo com menor número de ministros, apenas 16, e de secretários de Estado, são apenas 10, englobando sete mulheres. Os nomes mais sonantes são os de Martine Aubry, com a pasta do Emprego e da Solidariedade, e Elizabeth Guigou, ministra da Justiça. Não se confirmou a muito falada presença de Jacques Delors, ex-presidenet da Comisssão Europeia na pasta dos Negócios Estrangeiros.

Reflectindo os resultados eleitorais, o novo governo tem três membros comunistas (ministro dos Transportes e Equipamento, ministro e secretário da Juventude e Desporto).

Três ministros foram recrutados entre os socialistas radicais, um entre os "Verdes" e outro no Movimento dos Cidadãos.


ISRAEL - O novo líder do Partido Trabalhista de Israel, Ehud Barak, declarou que vai iniciar um programa político cujo objectivo é derrubar o governo chefiado por Benjamin Netanyahu antes das eleições gerais que só deverão ocorrer no ano 2000. Barak, conhecido por ser menos brando (apelidam-no de "falcão") do que Shimon Peres (a quem sucede) e os observadores não se mostram convencidos com a sua nova linguagem de moderação, se bem que o novo chefe dos trabalhistas tenha declarado sentir-se "altamente empenhado na luta pela paz" pela qual Yitzhak Rabin pagou com a própria vida.


COREIA DO NORTE - A crise alimentar na Coreia do Norte tem-se agravado prevendo-se que as reservas alimentares controladas pelo governo estarão esgotadas dentro de duas semanas, sendo previsível uma catástrofe alimentar, segundo informações veiculadas pela FAO e pela PAM, agências da ONU para os problemas da fome e da alimentação.


CONGO - O exército congolês (Brazaville) atacou a residência do antigo presidente, Denis Sassou Nguesso, sete semanas antes das eleições em que este declarou que tenciona desalojar do poder o político que o venceu em 1992 , Pascal Liouba, um amigo do ex-presidente do Zaire, Mobutu Sese Seko.

Após alguns dias de combates, as duas facções anunciaram um cessar-fogo no passado domingo, ignorando-se se a tranquilidade se manterá, dada a instabilidade política no país.


GUINÉ-BISSAU - O presidente guineense, João Bernardo Vieira, renovou o mandato do primeiro-ministro Carlos Correia e efectuou uma renovação do elenco governativo. A nova equipa é mais reduzida do que a anterior, surgindo um novo ministro da Economia, Iussufo Sanhá,, formado no Brasil, que é tido como uma das pessoas que se opôs à entrada "precipitada" da Guiné-Bissau na União Monetária da África Ocidental (UEMOA) e que tem bons contactos no Banco Mundial.


ANGOLA - O Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, recomendou ao Conselho de Segurança que no dia 1 de Julho entre em vigor a nova missão da ONU para Angola em substituição da UNAVEM III. Trata-se da MONUA (Missão de Observação das Nações Unidas em Angola), embora se mantenham no país dois batalhões de infantaria, dadas as tensões que ali ainda se vivem. A MONUA terá funções essencialmente de observação e deve ser constituída por 86 observadores militares, 345 polícias, 50 especialistas em direitos humanos e algum outro pessoal civil.
Início


PONTO DE VISTA

Valor não perdido

Como quem se despede de lugares queridos onde viveu grande parte da vida, João Paulo II foi, mais uma vez, de visita ao seu país. Esteve em várias cidades e discursou perante os chefes de Estado da Polónia, da Alemanha, Rapública Chaca, Eslováquia, Hungria, Lituânia e Ucrânia. Não se tartou, por isso, do simples regresso sentimental de alguém que as ocupações do cargo desviam necessariamente do berço geográfico. Mais que uma romagem de saudade foi, sobretudo, um recolocar das preocupações que ele sente, ao ver uma sociedade sem fronteiras que, dia após dia, se despe dos valores que lhe deram consistência. Valores que foram atropelados por um economicismo liberal que desconhece a inegociável riqueza do ser humano, e há muito que não lhe admite qualquer transcendência. Nestes últimos quilómetros da maratona que tem sido o seu pontificado, João Paulo II dá-nos a sensação de querer aproveitar sofregamente o tempo que lhe resta, para afirmar o valor da vida e defender, em toda a latitude, a nossa dimensão como pessoas e filhos de Deus. Asssim, diante daqueles chefes de Estado, falando, ao mesmo tempo, para todo o Ocidente industrial, o Papa denunciou, mais uma vez, as perversidades de um capitalismo selvagem - "a parede de um egoismo económico e político" - que gera o desemprego e cria zonas de pobreza que uma política desumana torna irrecuparáveis. O ostracismo de uma Europa pobre feito por uma Europa rica leva João Paulo II a prevenir que "nenhum país, nem mesmo o mais pobre, pode ser deixado de fora das comunidades que estão agora a ser criadas". Palavras de um homem ingénuo que afronta economias poderosas? Não. Apenas a voz de quem não perdeu consciência do que ainda vale cada um de nós.
Pacheco de Andrade
Início

Primeira Página Página Seguinte