| Liturgia: | |||
12º. DOMINGO DO TEMPO COMUM
22 de Junho
Leitura do Livro de Job Job 38, 1.8-11
O Senhor respondeu a Job do meio da tempestade, dizendo:
«Quem encerrou o mar entre dois batentes, quando ele irrompeu
do seio do abismo, quando Eu o revesti de neblina e o envolvi
com uma nuvem sombria, quando lhe fixei limites e lhe tranquei
portas e ferrolhos? E disse-lhe: 'Chegarás até aqui
e não irás mais além, aqui se quebrará
a altivez das tuas vagas».
Salmo Responsorial Salmo 106
Dai graças ao Senhor,
porque é eterna a sua misericórdia
Os que se fizeram ao mar em seus navios,
a fim de labutar na imensidão das águas,
esses viram os prodígios do Senhor
e as suas maravilhas no alto mar.
À sua palavra, soprou um vento de tempestade,
que fez encapelar as ondas:
subiam até aos céus, desciam até
ao abismo,
lutavam entre a vida e a morte.
Na sua angústia invocaram o Senhor
e Ele salvou-os da aflição.
Transformou o temporal em brisa suave
e as ondas do mar amainaram.
Alegraram-se ao vê-las acalmadas,
e Ele conduziu-os ao porto desejado.
Graças ao Senhor pela sua misericórdia,
pelos seus prodígios em favor dos homens.
Leitura da Segunda Epístola do apóstolo
São Paulo aos Coríntios 2 Cor 5, 14-17
Irmãos: O amor de Cristo nos impele, ao pensarmos
que um só morreu por todos e que todos, portanto, morreram.
Cristo morreu por todos, para que os vivos deixem de viver para
si próprios,, mas vivam para Aquele que morreu e ressuscitou
por eles. Assim, daqui em diante, já não ao conhecemos
ninguém segundo a carne. Ainda que tenhamos conhecido a
Cristo segundo a carne, agora já não O conhecemos
assim. Se alguém está em Cristo, é uma nova
criatura. As coisas antigas passaram: tudo foi renovado.
Aleluia. Aleluia.
Apareceu entre nós um grande profeta:
Deus visitou o seu povo.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo
São Marcos Mc. 4, 35-41
Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse aos seus discípulos: «Passemos à outra margem do lago». Eles deixaram a multidão e levaram Jesus consigo na barca em que estava sentado. Iam com Ele outras embarcações. Levantou-se então uma grande tormenta e as ondas eram tão altas que enchiam a barca de água. Jesus à popa, dormia com a cabeça numa almofada. Eles acordaram-n'O e disseram: «Mestre, não Te importas que pereçamos?» Jesus levantou-Se, falou ao vento imperiosamente e disse ao mar: «Cala-te e está quieto». O vento cessou e fez-se grande bonança. Depois disse aos discípulos: «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?» Eles ficaram cheios de temor e diziam uns para os outros: «Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?»
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1ª Leitura Job 38, 1.8-11: «Aqui
se quebrantará a altivez das tuas vagas»
No livro de Job entra em crise a tradicional tese da retribuição que estabelece uma estreita relação entre pecado e sofrimento e vê este como castigo. Partindo da dor causada pela situação de sofrimento e de morte, Job acusa Deus de ser a causa do mal no mundo. Ao contrário, os seus amigos acusam-no, procurando, assim, ilibar Deus. Finalmente Deus responde (38-41).
Deus não fala no mesmo plano do homem e, por isso, a Sua
resposta ultrapassa os esquemas humanos. Não responde directamente
às interpelações de Job. Mas, frente a uma
imagem da realidade humana centrada em si mesma e que desemboca
na angústia de uma dor e de um vazio sem fronteiras, Deus
contrapõe a imagem cósmica: a ordem, a gratuidade,
a providência de Deus
Também a realidade humana
está enquadrada numa perspectiva mais ampla: a dor e o
mal não são a última palavra
Aliás,
esta contemplação da acção poderosa
de Deus na criação é um convite à
esperança: Deus submeterá ao seu domínio
as forças caóticas do mal e do sofrimento que se
abatem sobre o homem.
2ª Leitura 2 Cor 5, 14-17: «Tudo foi renovado»
O amor de Cristo é o centro do impulso pastoral e missionário dos cristãos. Amor de Cristo, isto é, de Cristo para connosco e de nós para com Cristo. Amor que se acolhe e, num mesmo movimento, se transmite. Este amor tem a sua expressão máxima na morte e ressurreição de Jesus.
«Cristo morreu por todos» é outra expressão
(propositadamente!) ambígua: morreu em vez de nós
e a favor de nós. A dinâmica oblativa da morte
de Cristo repercute-se em nós. Deixar de viver para si
próprio
não conhecer ninguém segundo
a carne. Somos nova criatura, as coisas antigas passaram.
Evangelho Mc 4, 25-40: «Quem é este
homem, que até o vento e o mar lhe obedecem?»
O trecho do Evangelho de hoje está decalcado na narração do livro de Jonas: vento impetuoso, as ondas, a barca a ponto de soçobrar, o protagonista dormindo profundamente e o medo dos marinheiros (cf. Jon 1, 4-6). Noutras passagens do evangelho há novos pontos de contacto entre Jonas e Jesus (cf. Mc 8, 12 e par.). Há, contudo, uma diferença essencial: Jesus, com a autoridade da sua palavra serena o ímpeto ameaçador das águas. O que, no AT, era prerrogativa de Deus («e as águas não ultrapassavam o seu mandamento»: Prov 8, 29; cf. Job 38, 11), realiza-o agora Cristo com a sua autoridade! O acontecimento é, pois, uma revelação do mistério de Cristo.
Cristo é o vencedor do mal, o salvador da comunidade em perigo. A incredulidade começa quando o discípulo não está disposto a seguir Jesus na escuridão e tormenta da cruz. A censura de Jesus é válida não só para aquele momento, mas também hoje para a comunidade que lê o Evangelho.
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Levam Jesus consigo na barca. É um mérito da fé acolher Cristo, tal como Ele é e se encontra na barca, isto é, na Igreja, onde nasceu, cresceu, padeceu, foi crucificado, foi sepultado, subiu ao céu, tomou lugar à direita do Pai; professar que daí virá como Juiz dos vivos e dos mortos, é fonte de singular salvação. Aquele que desse modo, com a sua profissão de fé, acolher Cristo sobre a nossa barca, ainda que seja atingido pelos escândalos das vagas, todavia não será submergido e afogado pelos perigos das ondas.
| (S. Pedro Crisólogo, Serm. 21, 2) |
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1. Quem é que não conhece o mar das calmarias e das tempestades? Neste Domingo de Verão muitos cristãos poderão, contemplando o espectáculo do Oceano, repassar no seu coração o Evangelho ouvido na Assembleia dominical. Oxalá que, fazendo férias, reencontrando a força e a alegria de viver no contacto com a natureza e no recreio do convívio familiar e amigo, não voltem as costas ao Criador da Natureza e Senhor da Vida esquecendo o encontro para o qual Ele convoca em cada oito dias a Assembleia dos seus fiéis.
2. Leitores: 1ª Leitura: Tão simples a leitura (?!) que se torna difícil. Após a narrativa, uma só frase interrogativa. Atenção: a interrogação está em «Quem encerrou o mar entre dois batentes». A enumeração das circunstâncias assinaladas por quando ou e marcarão o ritmo da frase. A voz apenas baixará em dizendo e em vagas. 2ª Leitura: Cremos que o texto não oferece dificuldade de maior a uma leitura correcta.
3. Sugestão de cânticos: Entrada: O Senhor é a força do seu povo, F. Santos, BML 101, 97; Deus vive na Sua morada santa, F. Santos, NCT 217; Irmãos adoremos, M. Faria, NCT 220; Salmo Resp.: Cantai ao Senhor, M. Luís, SR(B), 114; A. Oliveira, SR(B), 129; Aclam. ao Ev.: Apareceu entre nós, NCT 239; Comunhão: Apareceu entre nós, F. Santos, BML 29, 15; O Senhor é meu Pastor, F. Santos, NCT 268; BML 52, 12.
Solenidade de S. João Baptista (24 de Junho): Entrada: Apareceu entre nós, F. Santos, BML 29, 15; A salvação dos justos, F. Santos, BML 52, 13; Bendito o que vem, M. Luís, NCT 208; Ide ao encontro do Senhor, M. Simões, NCT 219; Salmo Resp.: Eu vos dou graças, F. Santos, BML 72, 95; Aclam. ao Ev.: As vossas palavras, M. Faria, NCT 239; Eu sou a luz do mundo, C. Silva, NCT 338; Comunhão: Bendito seja o Senhor, M. Luís, NCT 604; A minha alma louva o Senhor, F. Santos, NCT 254; Se participardes, F. Santos, NCT 353; Grandes e admiráveis, F. Santos, NCT 611; Dai graças ao Senhor, F. Santos, NCT 610.
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