Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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Minas matam inocentes

O Governo português ratificou, há pouco, a Convenção de Genebra sobre limitação de armas convencionais e subscreveu pouco depois o protocolo que proíbe o fabrico, comercialização e uso de minas terrestres, a arma que continua a matar mesmo quando as guerras acabam.

Desde 1976, que esse tipo de armas não se fabrica em Portugal, mas continua-se a comprá- las para se saber lidar com elas. A maior parte dos fabricantes ainda não desistiram de produzi-las, acreditando mesmo a Cruz Vermelha Internacional que as minas antipessoais continuarão a matar ainda no próximo século. E, o que é mais grave, é que, enquanto forem fabricadas e comercializadas, as minas serão utilizadas fora do controlo internacional.

Desde há algum tempo que a Igreja Católica decidiu encabeçar um movimento contra a utilização de minas, particularmente nos países mais afectados por esse drama. De facto, por cada cinco mil engenhos levantados ou destruídos morre um especialista em minas e armadilhas, o que faz com que, segundo as melhores previsões, a desminagem vá matar pelo menos 40 mil desses peritos.

As estatísticas dizem ainda que, todos os meses, as minas matam 800 pessoas e cerca de 500 ficam gravemente feridas, sabendo-se que as vítimas são normalmente civis inocentes, sobretudo crianças.

A desminagem é um trabalho difícil e perigoso, pois muitas não são descobertas pelos mais modernos detectores de metais. Por isso, destruir uma mina pode custar cerca de 170 contos enquanto fabricá-la custou 100 vezes menos. E, porque cada operador de desminagem não consegue vencer mais de 20 a 50 metros quadrados por dia, no actual ritmo, serão precisos quase mil anos para destruir os cerca de 200 milhões de minas que há no Camboja, Angola, Moçambique, Afeganistão, Salvador e Vietname.

A França, Espanha, Itália, Estados Unidos e Rússia têm tipos diferentes de minas, havendo de 200 a 300 modelos. Calcula-se que nas 100 unidades industriais existentes ainda se fabriquem anualmente de 15 a 50 milhões de minas.

Automóvel tem 100 anos

Foi apenas há cem anos que o primeiro automóvel chegou ao Porto. Segundo a tradição, erá sido um Panhard & Levassor, que pertenceu ao conde Jorge de Avilez e foi doado ao Automóvel Clube de Portugal com a condição de nunca sair da cidade. Contudo, em Maio de 1897, foi desalfandegado nesta cidade um automóvel destinado aos Andresen, um Decauville que já tinha pneus Dunlop, enquanto o Panhard & Levassor, era dotado apenas de rodas de ferro revestidas com aros de borracha maciça. Na década de 50, desenvolveu-se o entusiasmo pelos automóveis com a realização dos primeiros grandes prémios de Fórmula 1, no então circuito da Boavista.Daí para cá não parou de crescer o número de automóveis, a ponto de muitas ruas se terem tornado intransitáveis para as pessoas.
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PONTO DE VISTA

Os novos ricos

Se se disser que o ter muito dinheiro requer uma aprendizagem, há logo quem pense em corrupção. E, no entanto, com os jogos de sorteio - lotaria e totoloto, por exemplo - abriram-se novos horizontes a quem deseja ter fortuna. Todas as semanas se reedita, para milhares de pessoas, a esperança de uma riqueza súbita, sem ser à custa de esforço, como quem desperte de um sonho principesco, tornado realidade, em que chamejam pedras preciosas e taças de ouro.

Para quem teve prémio grande na lotaria ou no totoloto, foi, de algum modo, assim.

Entretanto, há fortunas repentinas que têm outras raízes. É o caso de Ronaldo, futebolista brasileiro do Barcelona, onde lhe pagam milhões, mas que, apesar disso, vai para Itália porque ali há um clube que lhe oferece quantia maior. No nosso meio, os números são mais modestos, mas ainda assim suficientes para fazerem milionários. Deixando o futebol e aterrando noutros espaços, vamos também encontrar um novo riquismo na televisão, que tem ajudado alguns a trocarem o seu modesto apartamento por uma vivenda com piscina e «court» de ténis. Há mal nisso? Certamente que não. Mas pode haver, quando pessoas responsáveis perdem a cabeça e oferecem vários milhões de contos por um jogador de futebol, como é o caso de Ronaldo. Curioso é que se conteste o salário escasso de um operário ou o vencimento de um administrador de empresa, e ninguém, entre dezenas de milhares de adeptos de um clube, questione a orgia de dólares de alguns desportistas. E, aqui, lembro-me dos professores, que os preparam para a vida. E recebem, por ano, dez ou vinte vezes menos do que o que eles ganham num mês!...
Pacheco de Andrade
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