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INTERNACIONAL


MOÇAMBIQUE - Foi divulgada em Maputo a última versão da nova «lei de terras» de Moçambique a qual prevê «direitos adquiridos por ocupação, habitação própria e exploração familiar exercida por nacionais.»

Segundo a Constituição moçambicana, a terra é propriedade do Estado e «não pode ser vendida ou por qualquer outra forma alienada, nem hipotecada ou penhorada», situação que o novo projecto de lei mantém.

A nova lei deve ser apreciada pelo governo ainda no decurso deste mês e apresentada à Assembleia da República em Outubro.


PALESTINA - O presidente da Autoridade Palestiniana, Yasser Arafat, afirmou que a criação de um estado palestiniano independente tendo Jerusalém como capital é «inevitável». «Tarde ou cedo, acabaremos por estabelecer o nosso Estado independente com Jerusalém como capital, queiram ou não os israelitas», declarou Arafat, respondendo, desse modo, a afirmações do primeiro-ministro eleito de Israel, Benjamin Netanyahu, segundo o qual a parte leste de Jerusalém, conquistada à Jordânia em 1967, permanecerá unida, juntamente com o lado ocidental, como capital de Israel.


CHINA - A China está pronta a aceitar uma interdição, durante dez anos, das explosões nucleares «pacíficas», declarou o embaixador chinês na Conferência sobre Desarmamento, em Genebra.

A China era, até agora, a única das cinco potências nucleares declaradas (juntamente com os EUA, Rússia, Grã-Bretanha e França) a pretender continuar com as experiências nucleares. A posição agora tomada pela China permite obter o consenso quanto ao tratado de interdição de ensaios nucleares que deve conduzir à chamada «opção zero» sobre testes com este tipo de armas.


FRANÇA - A polícia francesa entregou à justiça espanhola seis indivíduos alegadamente membros da ETA, três dos quais com processos judiciais pendentes em Espanha, que tinham chegado ilegalmente a França provenientes da Venezuela, Cabo Verde e Argélia.

A decisão da polícia francesa provocou uma manifestação hostil de cerca de 400 pessoas, em Baiona, as quais tentaram impedir a entrega dos seis indivíduos.


BIRMÂNIA - O governo birmanês advertiu que a sua moderação em relação às actividades da líder oposicionista Aung San Suu Kyi e às reuniões públicas promovidas pelos seus adeptos não deve ser tida como um sinal de indulgência.

As ditas reuniões tornaram-se «ilegais» à luz de uma recente lei votada na passada semana que prevê para os infractores penas de cinco a 20 anos de prisão, confiscação dos seus bens e multas. A votação desta lei não parece ter impressionado os opositores do regime birmanês, verificando-se concentrações de milhares de pessoas durante o passado fim de semana (cerca de 10 mil no domingo) junto à residência de Suu Kyi.


HABITAT II - O Papa João Paulo II, referindo-se à Conferência Habitat II que decorre em Istambul, Turquia, até amanhã, pediu à sociedade que não aceite o espectáculo das periferias degradadas das grandes cidades, onde «bandos de pobres» lutam por «migalhas da sociedade de consumo».

Falando durante o «Angelus» no passado domingo, o Papa afirmou: «Não nos devemos resignar ao espectáculo das grandes periferias urbanas, onde se agrupam bandos de pobres em busca de abrigos improvisados e do mínimo indispensável entre as migalhas de uma sociedade de consumo frequentemente desperdiçadora e indiferente.»

«O direito à habitação» - continuou João Paulo II - «e ao trabalho honesto deve ser para todos, sem discriminação, e cada cidade deve empenhar-se em transformar-se numa cidade para todos».


TRABALHO INFANTIL - Mais de 73 milhões de crianças de todo o mundo, entre os 10 e os 14 anos, trabalham, apesar das normas internacionais indicarem os 15 anos como mínimo, segundo afirma a OIT (Oganização Internacional do Trabalho) num documento que apresentou esta semana, em Genebra, numa reunião ministerial em que participaram mais de 100 ministros do Trabalho, entre os quais a portuguesa Maria João Rodrigues.

O continente com maior número de trabalhadores infantis naquela faixa etária é a Ásia, com 44,6 milhões, seguindo-se a África, com 23,6 milhões, e a América Latina, com 5,1 milhões.

Na Europa, Portugal ocupa o primeiro lugar com uma percentagem de 1,76 por cento da população entre os 10 e os 14 anos a trabalhar (comparativamente, na Roménia a percentagem é de 0,17 por cento.)
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