Sociedade:

SEMANA A SEMANA


Início

...INTERNACIONAL


ZAIRE/CONGO - O presidente sul-africano, Nelson Mandela, um dos mais activos interlocutores do novo homem forte do Zaire (ou Congo como foi rebaptizado), criticou o Ocidente por pretender "dar lições" de democracia ao novo líder zairense, Laurent Kabila.

Este, por sua vez, nomeou o seu governo, que não integra um primeiro-ministro, funções que, alegadamente, deverão ser desempenhadas pelo próprio Kabila, governo que não tem qualquer representante da oposição.

Entretanto, algumas medidas do novo e auto-proclamado presidente, parecem demonstrar que a mudança no Zaire terá sido aparente. As almejadas eleições, ao estilo ocidental, continuam sem data marcada e as mulheres da capital foram proibidas de andar de calças e mini-saia, nas ruas.

Todavia, Nelson Mandela, apelidou Kabila de "uma figura notável e empenhado na paz."


INDONÉSIA - Em tempo de campanha eleitoral na Indonésia, há quem tema que as autoridades endureçam as suas acções contra os apoiantes da Oposição. Fontes diplomáticas em Jakarta afiançam que os líderes militares e políticos afectos ao presidente Suharto têm adoptado uma linha de crescente dureza contra a onda de violência que acompanhou a campanha eleitoral na capital.

Por sua vez, a líder carismática da Oposição, Megawati Soekarnoputri, herdeira da linha política do antigo presidente Sukarno (derrubado por Suharto), anunciou que não votará nas próximas eleições, afirmação esta que soa a um convite à abstenção dos eleitores.


RÚSSIA - O presidente russo, Boris Yeltsin, demitiu (por "incompetência") o ministro da Defesa e o chefe do Estado-Maior general da Rússia, anunciando que ele próprio concentraria o poder de decisão militar.

Esta decisão de Yeltsin faz parte de um claro afrontamento entre o presidente e os militares, ciosos do seu poder e dos seus privilégios, num país onde se verificam graves carências para a maioria da população.

Dando um mote ao seu gesto político, Yelstin declarou: "Os generais edificaram palacetes por toda a Rússia. Que nova moda é essa?".


SUÍÇA - O Governo suíço recusou admitir que os seus negócios com as autoridades nazis (agora em evidência quando se discute o destino dado ao ouro que os nazis pilharam aos judeus) fizeram prolongar a II Guerra Mundial. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Suíça referiu, no entanto, que "os lamentáveis erros" cometidos pela Suíça foram resultado do "delicado equilíbrio entre a necessidade de manter a neutralidade e a de resistir".

Entretanto, a Suíça repetiu estar disposta a renegociar os "Acordos de Washington", de 1946, nos quais ficou decidida a quantia das indemnizações que os Aliados lhe exigiram depois da guerra.


UNIÃO EUROPEIA - Os chefes de Governo dos quinze Estados-membros da UE reuniram-se, no passado fim de semana, numa pequena cidade holandesa, a fim de prepararem e discutirem as questões mais difíceis da revisão do Tratado de Maastricht. Esta revisão será objecto de decisão na Cimeira de Amesterdão a realizar nos dias 16 e 17 de Junho, a qual terá como novidade a presença do novo primeiro-ministro britânico Tony Blair, cujas posições mais europeístas do que as do seu antecessor, John Major, auguram um mais fácil relacionamento entre a Grã-Bretanha e a União Europeia.
Início


PONTO DE VISTA

A dignidade não tem cor

O apoio ao governador civil de Braga, por motivo da polémica sobre o acampamento dos ciganos de Cabanelas, constituiu, no essencial, uma defesa de princípios que nunca devem pôr-se em causa, porque se trata de preservar a dignidade e os direitos do ser humano. E esta, tanto faz que ele seja preto, branco ou amarelo. É intocável. "De qué color es la piel de Diós?", interrogava uma conhecida canção dos anos 60.

A manifestação ao governador civil teve, no entanto, uma componente híbrida. Isto é, sendo justa, porque consolidava uma postura eticamente certa, subentendeu a população daquela terra como merecedora de figurar na galeria intolerável dos racismos assumidos. E isto também não é justo nem condiz com a verdade do que sentem os habitantes de Cabanelas. Alguns deles protestaram contra o vilipêndio com que pretendem etiquetá-los, alegando que, até há pouco, houvera um convívio pacífico com a comunidade cigana, e que foi a droga que estabeleceu o actual muro de separação.

Há razão num lado e noutro. Não a há naqueles que vêem os ciganos como uma presença indesejável, só pelo facto de serem ciganos. E foi isso que o governador quis significar às pessoas, revoltadas por sentirem os seus filhos ameaçados pela droga, ali tão próxima. Subjacentes a tudo existem preconceitos históricos que foram transmitidos de geração em geração, e que explodem quando surgem casos como o de Cabanelas. O erro está aqui, e não se pode esperar que seja o tempo a eliminá-lo.
Pacheco de Andrade
Início


Primeira Página Página Seguinte