Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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...INTERNACIONAL


GRÃ-BRETANHA - O Governo de Tony Blair, recentemente empossado, confirmou a introdução do salário mínimo no Reino Unido e o lançameno de um programa de «ataque» ao desemprego de longa duração e dos jovens, duas medidas que constituirão pontos marcantes da nova política económica.

Numa outra vertente,a da educação, o novo Governo trabalhista proibiu o uso de máquinas de calcular nas escolas, fazendo retomar o velho hábito da tabuada.


ISRAEL - O antigo primeiro-ministro israelita, Shimon Peres, de 73 anos, perdeu a liderança do seu partido, o Trabalhista. No Congresso dos trabalhistas, que são oposição em Israel, os seus camaradas não aceitaram elegê-lo para o cargo de presidente do Partido, cargo esse cuja criação foi adida para Setembro.

Como sucessor de Peres, um dos incansáveis construtores dos acordos de Israel com a OLP de Arafat, a par com Yitzahk Rabin (que foi assassinado), perfila-se Ehud Barak, um político de 54 anos, que fica com o caminho livre para as eleições partidárias a realizar em 3 de Junho.


BRASIL - O jornal «Folha de S. Paulo» revelou que o deputado brasileiro Jair Bolsonaro, do Partido Progressista Brasileiro, tem conhecimento de que o voto de um parlamentar chegou a valer 300 mil dólares no processo de aprovação da emenda constitucional que permitirá a reeleição para cargos públicos. O jornal havia revelado que cinco deputados decidiram votar a favor da reeleição contra o pagamento de 200 mil dólares; Bolsonaro veio revelar que o «preço» de alguns votos andou entre os 50 mil e 300 mil dólares.

Um dos ministros brasileiros, Sérgio Mota, foi apontado como implicado no caso de compra de votos, o que levou o presidente Fernando Henrique Cardoso a admitir demiti-lo se a acusação se revelar verdadeira, embora acusasse o jornal paulista de «irresponsável».


FRANÇA - O presidente francês, Jacques Chirac, deslocou-se à China em visita oficial, com o propósito declarado de contribuir para que «o mundo multipolar que nasce seja harmonioso». Mas, à visita não é alheia a vontade de procurar desenvolver as relações comerciais franco-chinesas, e, por isso, Chirac foi alvo de duras críticas dos socialistas que não lhe perdoam esquecer, nesta viagem, a luta dos que se batem pela defesa dos Direitos do Homem na China.


COREIA DO NORTE - Os militares da Coreia do Norte assumiram o controlo das unidades colectivas de produção agrícola, na tentativa de melhorar a dramática situação alimentar no país. Tal medida envolve 1,1 milhões de soldados e oficiais numa luta (quase perdida) pelo aumento da produção agrícola, já que, segundo fontes diplomáticas junto da ONU, «as estruturas básicas foram destruidas por cheias e, por isso, as colheitas deste ano irão ser muito más.»


ZAIRE/CONGO - Tal como havia prometido, o líder das forças da autodenominada «Aliança Democrática», Laurent Kabila, tomou a capital do Zaire na passada sexta-feira, praticamente sem luta, uma vez que as tropas fiéis a Mobutu ou se renderam ou não ofereceram resistência consistente.

Embora tenha havido alguns ajustes de contas entre os militares de Kabila e os da guarda presidencial de Mobutu, fala-se de apenas 200 mortos, o que significa que o temido «banho de sangue», felizmente, não aconteceu.

Todavia, a capital do Zaie, agora designado Congo, por vontade de Kabila, foi sujeita a saques e actos de pilhagens, enquanto o poder da tropa conquistadora não se fez sentir na cidade.

Mobutu saiu do país e procura refúgio político, falando-se da sua presença em Marrocos e do seu desejo de ser acolhido pela França.

Laurent Kabila, por sua vez, autoproclamou-se presidente do Congo e viu o seu poder ser oficialmente reconhecido pela África do Sul, cujo presidente, Nelson Mandela, desempenhou um papel muito activo nos momentos que antecederam a chegada da Aliança Democrática a Kinsahasa.

O novo presidente do (novo) Congo anunciou que a Constituição foi suspensa, devendo o seu governo tomar posse esta semana, sendo, em breve, formada uma Assembelia Constituinte que dotará o país de um novo texto fundamental

Entretanto, o futuro do Congo, sob direcção de Kabila, é, para já, uma grande incógnita.
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PONTO DE VISTA

Eufemismo

Quanto mais alto é o lugar, maior é a responsabilidade de quem o ocupa. Por isso, os políticos, mais designadamente os governantes, têm de ter como padrão ético a sua consciência e conduzir-se por ela. Sobre isto, o padre António Vieira fez algumas considerações, apontando o poder como um serviço e comprovando isto com o significado etimológico da palavra «ministro». Ser ministro, como ser administrador, é estar ao serviço de, a saber, da comunidade e, como esta não é um termo abstracto, estar ao serviço das pessoas.

Assim parecem entendê-lo, em época de eleições, os candidatos ao poder, quando prometem este mundo e o outro àqueles que, em data determinada, irão escolher quem os há-de governar. Vem isto a propósito de um artigo da semana passada, de Miguel Sousa Tavares, no «Público», em que este falava de um próximo aumento de impostos, o que, a verificar-se, estará em contradição com o que foi prometido pelo primeiro ministro durante a campanha eleitoral. O gabinete do ministro das Finanças veio, de imediato, repetir que o Governo não alterará as taxas de impostos, ficando no ar a possibilidade de haver uma redução de abatimentos ou benefícios fiscais. Digamos que, da parte do Ministério das Finanças, se trata de uma versão eufemística do que foi dito por aquele jornalista.

Reconhece-se a inevitabilidade dos impostos. Sem eles, ou sem outras fontes de rendimento que os substitua, o país ficaria parado. Mas, em causa, continua uma classe média que o anterior governo flagelou, e que o actual procura cativar com um jogo de palavras. Só que estas, sem conteúdo visível, deixam tudo na mesma. Se é que não agravam a realidade.
Pacheco de Andrade
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