| Liturgia: | |||
IX DOMINGO DO TEMPO COMUM
1 de Junho
Leitura do Livro do Deuteronómio
Deut 5, 12-15
Eis o que diz o Senhor: «Guarda o dia de sábado,
para o santificares, como te mandou o Senhor, teu Deus. Trabalharás
durante seis dias e neles farás todas as tuas obras. O
sétimo, porém, é o sábado do Senhor,
teu Deus. Não farás nele qualquer trabalho, nem
tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu escravo, nem a
tua escrava, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem nenhum dos
teus animais, nem o estrangeiro que mora contigo. Assim, o teu
escravo e a tua escrava poderão descansar como tu. Recorda-te
que foste escravo na terra do Egipto e que o Senhor, teu Deus,
te fez sair de lá com mão forte e braço estendido.
Por isso, o Senhor, teu Deus, te mandou guardar o dia de sábado».
Salmo Responsorial
Salmo 80
Exultai em Deus, que é o nosso auxílio.
Aclamai a Deus, nossa força, aplaudi ao Deus
de Jacob. Fazei ressoar a trombeta na tua nova e na lua cheia,
dia da nossa festa.
É uma obrigação para Israel,
é um preceito do Deus de Jacob, lei que Ele impôs
a José, quando saiu da terra do Egipto.
Ouço uma língua desconhecida; Aliviei
os teus ombros do fardo e soltei as tuas mãos dos cestos;
gritaste na angústia e Eu te libertei.
Não terás contigo um Deus alheio, nem
adorarás divindades estranhas. Eu, o Senhor, sou o teu
Deus, que te fiz sair da terra do Egipto.
Leitura da Segunda Epístola do apóstolo
São Paulo aos Coríntios:
2 Cor 4, 6-11
Irmãos: Deus, que disse: «Das trevas
brilhará a luz» fez brilhar a luz em nossos corações,
para que se conheça em todo o seu esplendor a glória
de Deus, que se reflecte no rosto de Cristo. Nós trazemos
em vasos de barro o tesouro do nosso ministério, para que
se reconheça que um poder tão sublime bem de Deus
e não de nós. Em tudo somos oprimidos, mas não
esmagados; andamos perplexos, mas mão desesperados; perseguidos,
mas não abandonados; abatidos, mas não aniquilados.
Levamos sempre e em toda a parte no nosso corpo os sofrimentos
da morte de Jesus, a fim de que se manifeste também no
nosso corpo a vida de Jesus. Porque, estando ainda vivos, somos
constantemente entregues à morte por causa de Jesus, para
que se manifeste também na nossa carne mortal a vida de
Jesus.
Aleluia. Aleluia.
A vossa palavra, Senhor, é a verdade;
santificai-nos na verdade.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo
segundo São Marcos
Mc 2, 23
Passava Jesus através das searas, num dia de sábado, e os discípulos, enquanto caminhavam, começaram a apanhar espigas. Disseram-Lhe então os fariseus: «Vê como eles fazem ao sábado o que não é permitido». Respondeu-lhes Jesus: «Nunca lestes o que fez David, quando teve necessidade e sentiu fome, ele e os seus companheiros? Ele entrou na casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu dos pães da proposição, que só os sacerdotes podiam comer, e os deu também aos companheiros». E acrescentou: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. Por isso, o Filho do Homem é também Senhor do sábado». Jesus entrou de novo na sinagoga, onde estava um homem com uma das mãos atrofiada. Os fariseus observavam Jesus para verem se Ele ia curá-lo ao sábado e poderem assim acusá-l'O. O Jesus disse ao homem que tinha a mão atrofiada: «Levanta-te e vem aqui para o meio». Depois perguntou-lhes: «Será permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?» Mas eles ficaram calados. Então, olhando-os com indignação e entristecido com a dureza dos seus corações, disse ao homem: «Estende a mão». Ele estendeu-a e a mão ficou curada. Os fariseus, porém, logo que saíram dali, reuniram-se com os herodianos para deliberarem como haviam de acabar com Ele.
| Início |
A Lei prescreve a observância do sábado desde os seus «códigos» mais antigos. Ambas as versões do «Decálogo» moisaico lhe dão importância (Ex 20, 8-11; Dt 5, 12-15; ver ainda Ex 23, 12; 34, 21). Enquanto que a redacção do Êxodo (tradição «sacerdotal») motiva o repouso sabático na imitação do repouso de Deus criador (Ex 20, 11; cf. Gn 2, 2-3), a versão deute ro- no mista deste preceito (leitura deste domingo) faz dele, sobretudo, um memorial do acontecimento central da História da Salvação que foi a libertação da escravidão do Egipto. Daí a importância do «recorda-te». Deste modo, sendo «santificado», isto é, claramente distinto dos demais dias pela sua «consagração» a Deus - daí a abstenção do trabalho -, o sábado é eminentemente um dia para o homem. O «repouso» sabático torna-se sinal de liberdade e de salvação.
A partir do Exílio, o sábado transformou-se num verdadeiro distintivo do judaísmo. Isso levou a um legalismo escrupuloso que acabou por transformar a observância do sábado num peso. Como veremos no Evangelho deste Domingo, Cristo restituiu ao Sábado o sentido que ele já claramente tinha na redacção do deuteronómio: o Sábado é para o homem!
2. «Manifesta-se no nosso corpo a vida de Jesus»
(2.ª Leitura)
Nos próximos domingos serão lidos excertos da 2ª carta de S. Paulo aos Coríntios. O critério da selecção destas passagens não teve em conta a harmoni zação temática com as demais leituras. Por isso, na interpretação, não é legítimo forçar qualquer concordismo. Infelizmente, neste ano não foi possível ler o princípio da epístola (Domingos 7º e 8º).
Após enaltecer a dignidade do ministério apostólico, Paulo sublinha hoje o contraste flagrante entre a sublimidade da missão e a fragilidade dos instrumentos que Deus escolheu para a levarem a efeito. E o motivo deste contraste é muito claro: «para que se reconheça que um poder tão sublime vem de Deus e não de nós».
Na debilidade, na tribulação, na perseguição,
no próprio martírio, o cristão anuncia no
seu
ser con-sofredor com Cristo que o poder de Deus e
a vida de Cristo operam nele.
3. «O sábado é para o homem»
(Evangelho)
O contraste de Jesus com as classes dirigentes do seu povo tem agora um episódio fulcral sobre uma matéria particularmente sensível: a própria Lei do Sábado. A forma longa do Evan- gelho permite perceber a gravidade deste choque ao referir, no último período, que dele resulta uma primeira «coligação» dos adversários de Jesus com o fim «de acabar com Ele» (3, 6).
Segundo Dt 23, 26, apanhar espigas não era proibido. Nunca, porém, em dia de sábado, porque «ceifar» (?) era um trabalho inadmissível nesse dia... Jesus argumenta com o caso de David que também teria «ultrapassado» uma lei (embora não a do sábado), com a cumplicidade do sacerdote Aquimelec (e não Abiatar, como se lê em S. Marcos: cf. 1 Sam 21, 2-7). Com este exemplo Jesus ensina que em caso de necessidade urgente em que o próprio homem esteja em causa, se pode passar por cima da letra da Lei. Na verdade, todas as Leis (e o Sábado também) têm como objectivo o bem da pessoa humana.
Na perspectiva de Marcos o realce deverá ser posto na reivindicação de «autoridade» por parte de Jesus. E autoridade em matéria de «Lei divina»! Jesus não se limita a declarar os motivos do preceito, situando-se na linha da 1.ª leitura: «O Sábado foi feito para o homem». Vai mais longe afirmando o seu próprio poder sobre a própria Lei: «O Filho do homem é também Senhor do Sábado». O episódio da cura na Sinagoga (próprio da forma longa) ilustra a mesma mensagem. O Sábado é um dia «para fazer bem». Sendo sinal de salvação, é dia feliz para o Filho do homem (e para os seus discípulos) realizarem gestos de salvação.
| Início |
[...] Deus santificou o sétimo dia quando criou todas as suas obras, como lemos escrito no Génesis: Deus descansou de todas as suas obras. Não é que Deus estivesse cansado, de modo a dizer-se que descansou das suas obras. Mas nesta palavra prometeu-te o repouso, a ti que te fatigas. Para que, tal como, depois de ter feito tudo muito bem, se disse que Deus descansou, assim também tu entendas que, depois das boas obras, hás-de repousar e repousar sem fim. Com efeito, ... todos os dias anteriores têm a sua tarde. Mas este sétimo dia em que Deus santificou o repouso não tem tarde. Nele se disse: «fez-se manhã», ao começar o dia; mas não se disse: «fez-se tarde» para o acabar. Contudo foi escrito: «fez-se manhã» para que começasse um dia sem ocaso. Assim começa, com efeito, o nosso repouso: como uma manhã! Mas não acabará, porque viveremos eternamente. Tudo aquilo que fizermos se o fizermos com esta esperança, observamos o sábado.
| (S. Agostinho, Sermão 9, 6) |
| Início |
1. Concluída no Pentecostes a celebração anual da Páscoa, passadas as solenidades do Senhor que abrem esta segunda série de semanas do tempo comum (SS. Trindade e Corpo e Sangue de Cristo), só agora, é que se retoma a «ritmo do quotidiano» na celebração do Domingo, a festa primordial dos cristãos, a Páscoa da semana. Por coincidência, a 1ª leitura e o Evangelho deste dia apresenta-nos o tema do sábado, proporcionando assim - tanto pelo paralelismo como pelo confronto - uma boa oportunidade para uma catequese do Domingo.
2. Este é o 1º Domingo de Junho, mês consagrado pela devoção ao Sagrado Coração de Jesus, cuja solenidade ocorrerá na próxima sexta-feira, dia 6. Eis um dos marcos da piedade popular a sugerir oportunas iniciativas que enriqueçam com modalidades diversificadas e comple mentares a vida de culto do Povo de Deus. Para a renovação dos exercícios de piedade releiam-se e apliquem-se a este caso os critérios oportunamente enunciados por Paulo VI na Marialis Cultus: bíblico, litúrgico, ecuménico e antropológico (nn. 29 e ss.).
3. Leitores: as leituras deste domingo, dado o seu ritmo e variedade, prestam-se a boas prestações. Assim haja bons leitores! A 1ª leitura pede um tom de proclamação solene. Atenção a pronunciar todas as sílabas (e a respeitar o acento tónico) do título: Deuteronómio! A enumeração («nem tu, nem o teu antes do primeiro membro e deve ser lida, na medida do possível, sem respirações ou pausas intermédias. A 2º leitura desenvolve uma magnífica gradação construída com uma série de adversativas («... mas...; ... mas...») que tende para um clímax («a fim de que a vida de Jesus»). A última frase serve de recapitulação. O bom leitor porá em evidência o dinamismo do texto, com alguma ênfase, mas sem exageros teatrais.
4. Sugestão de cânticos: Entrada: Chegue até Vós, Senhor, F. Santos, BML 52; Eu venho, Senhor, F. Santos, NCT 218; BML 66/67; Salmo Resp.: Exultai em Deus, M. Luís, SR(B) 110; Aclam. ao Ev.: A vossa Palavra, NCT 239; Comunhão: Como é admirável, F. Santos, NCT 257; Senhor, Tu és a luz, Az. Oliveira, NCT 273; Cânticos do Ordinário da Missa: Senhor, tende piedade, F. Santos, NCT 293 ou 294; Glória, F. Santos, NCT 295; Credo, F. Santos, NCT 296; Santo, M. Luís, NCT 297 e 299; F. Silva, NCT 298; Cordeiro de Deus, M. Luís, NCT 300; F. Silva, NCT 301; F. Santos, NCT 302.
Sagrado Coração de Jesus: Entrada: Com os braços na Cruz, F. Santos, N.C.T. 600; Jesus nossa Redenção, M. Luís, N.C.T. 567; Salmo Resp: Aclamai o Senhor, M. Luís, SR(A) 148; Aclam. Ev.: Tomai o meu jugo, adapt. N.C.T. 240; Comunhão: Porque Ele está connosco, F. Santos, BML 75/76, 58 = N.C.T. 571; Deus é amor, M. Luís, N.C.T. 380; Saboreai e vede, M. Luís, N.C.T. 335; Vésperas: F. Santos, B.M.L. 92, 92 ss.
Missas com Crianças no Tempo Comum: Entrada: bendito o que vem, M. Luís, NCT 208; Eu venho, Senhor, F. Santos, BML 66, 91; NCT 218; Cantai ao Senhor, F. Santos, BML 75, 62; NCT 210; Salmo Resp: Aclamai o Senhor, F. Santos, BML 58, 19; NCT 237; Ó minha alma louva, F. Santos, 52, 10; Senhor, Vós tendes palavras, F. Santos, BML 58, 18; Comunhão: Eu sou o pão da vida, F. Santos, BML 58, 39; NCT 277; O Senhor deu-lhes o pão do céu, F. Santos, BML 58, 38; NCT 278; A semente é a palavra de Deus, C. Silva, NCT 256; Nós somos as pedras vivas, F. Santos, BML 42, 9; NCT 346.
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