SEMANA A SEMANA
- O Canadá, a Noruega, a Suíça,
Cabo Verde e Moçambique decidiram co-patrocinar o projecto
de resolução sobre Timor-Leste apresentado em
nome da União Europeia na Comissão de Direitos Humanos,
que fala, nomeadamente, da libertação de presos
políticos timorenses, de um convite de Jacarta a um relator
temático da ONU para visitar Timor-Leste e da instalação
na capital indonésia de um escritório do Alto Comissariado
das Nações Unidas para os Direitos Humanos com livre
acesso ao território.
- Os colégios privados de Macau
passarão a ser gratuitos para os estudantes do ensino
secundário a partir do próximo ano lectivo.
A medida foi anunciada, na passada semana, pelo governador do
território, Rocha Vieira, que prevê um investimento
de seis milhões de contos.
- O ministro da Justiça, Vera Jardim,
revelou que após a revisão constitucional, a Assembleia
da República irá debater o anteprojecto do Código
de Processo Penal, que prevê a possibilidade de julgar
arguidos ausentes, como forma de ultrapassar a actual lentidão
dos Tribunais.
- O ministro da Educação,
Marçal Grilo, anunciou, na 2ª-feira, os princípios
globais da avaliação do ensino superior público
e privado que prevê a avaliação de ambos pelo
mesmo Orgão. Para tal, o ministro vai criar um Conselho
Nacional de Avaliação Superior que terá duas
directrizes: uma para a universidade e outra para o politécnico,
quer do sector público, quer do privado.
- O secretário de Estado dos Negócios
Estrangeiros e da Cooperação, José Lamego,
anunciou, há dias, que o Governo português está
empenhado em reforçar o papel dos municípios nas
tarefas de cooperação com os países lusófonos,
mas que não irá disponibilizar uma linha de crédito
específica para esse fim.
- O secretário de Estado da Administração
Interna afirmou, há pouco, que o investimento nas forças
e serviços de segurança cresceu 80 por cento
em relação ao ano passado e que, ao londo deste
ano, serão ainda dispensados cerca de 18 milhões
de contos na modernização de todo o dispositivo
policial. Estas declarações de Armando Vara foram
feitas no Governo Civil de Aveiro, onde presidiu à entrega
de três viaturas às forças policiais para
patrulhar as escolas do distrito, no âmbito do programa
"Escola Segura".
- O grupo parlamentar do PP anunciou,
há pouco, que vai apresentar na Assembleia da República,
uma iniciativa legislativa para fazer contar "o
tempo de trabalho nas antigas colónias para efeitos
de pensão por velhice ou invalidez". Esta proposta
surge na sequência da aprovação pela AR, na
passada semana, de uma lei que cria a "contagem especial
do tempo de prisão e de clandestinidade", para os
mesmos efeitos.
- A Associação de Telespectadores
elegeu, em Assembleia Geral, os seus novos corpos sociais. Rui
Teixeira Motta é agora o novo presidente da ATV. Como é
seu hábito, a ATV elegeu os melhores e piores programas
do mês nos canais nacionais. Horizontes de Memória,
Jô Soares, Onze e Meia e Jornal do Mundo são
os escohidos como melhores programas da RTP, SIC e TVI, enquanto
que a telenovela Vidas de Sal, na RTP, Confissões,
na SIC, e "o império dos enlatados" são
considerados os piores.
- Segundo dados do Instituto Nacional
de Estatística, o comércio extracomunitário
de Portugal começou pior este ano do que em 1996. Enquanto
as vendas subiram 3,4 por cento, as compras cresceram 19,5 por
cento. No que respeita às nossas trocas com a Indonésia,
embora as exportações aumentassem, a evolução
foi muito mais negativa para Portugal, visto que se comprou produtos
no valor de 646.087 contos e apenas se vendeu 20.935 contos.
- O Presidente da Câmara Municipal
do Porto, Fernando Gomes, anunciou, há dias, que no segundo
semestre deste ano, começarão as obras do túnel
urbano que legará o Jardim do Carregal à Praça
de D. Filipa de Lencastre. Os cerca de 600 metros que vai
ter este túnel, deverão custar cerca de um milhão
e 600 mil contos.
- A Direcção-Nacional do
Partido Popular anunciou, há dias, que não se opõe
a um acordo no distrito do Porto para as próximas autárquicas
entre "populares" e "sociais-democratas".
- O Banco Alimentar do Porto, que assiste
diariamente cerca de 20 mil pessoas, distribuiu nos primeiros
meses deste ano 317 toneladas de alimentos, segundo informou
aquela instituição de solidariedade. Neste momento,
o número de voluntários do Banco Alimentar ascende
a cerca de duas mil pessoas, sendo beneficiadas pela distribuição
de alimentos 150 instituições.
- A cidade do Porto candidatou-se a Cidade
Capital da Cultura Europeia do ano 2001. Este ante-projecto
apresentado por Manuel Maria Carrilho foi bem recebido. Lille
(França), Génova (Itália) e Basileia (Suíça)
e possívelmente Praga e Barcelona serão as cidades
com que o Porto irá disputar.
- O Tribunal de Gaia, condenou, na 6ª-feira,
um guarda da PSP a uma pena de 17 meses de prisão,
suspensa por dois anos por ter agredido um cidadão guineense,
em 1992, numa operação policial. A vítima
perdeu um olho na sequência da agressão e deverá
ser indemnizada em cerca de dois mil contos, pelo Estado e pela
polícia.
- Carlos Lopes, candidato à presidência
da Câmara Municipal de Barcelos pelo Partido Popular, anunciou,
há dias que, caso saia vitorioso, pretende expulsar
os toxicodependentes de droga das vias públicas daquele
concelho, dando-lhes o prazo de 30 dias para que possam optar
pelo tratamento, no quadro de um projecto de assistência
municipal que se estenderá também aos seus familiares.
Pena de morte em Portugal?
A Comissão Nacional Justiça
e Paz (CNJP) protestou, há pouco, contra a extradição
por crimes puníveis com a pena de morte, que poderá
ser possível com uma projectada alteração
constitucional, o que sugnificaria «um retrocesso de cem
anos no campo dos princípios», apesar dos autores
da alteração defenderem que a extradição
só seria concedida após a garantia, dada pelo Estado
que a pretende, de que não aplicaria a pena de morte ao
extraditado. A CNJP responde afirmando que «nada mais falível,
nada mais precário, nada mais susceptível de não
ser cumprido facilmente, com a alegação de novas
agravantes, de novos crimes».
Nada justifica que um dos percussores
da abolição de pena de morte se decida agora a regredir
mais de cem anos no campo dos princípios, o que só
pode resultar «de uma sujeição, de um rebaixamento
e de uma perca de dignidade».
Restauro de Arte Sacra
A Santa Casa da Misericórdia
do Vimeiro, Alcobaça, com o apoio do Estado Português
e do Fundo Social Europeu, especializou cerca de 20 jovens na
Arte de Trabalhar madeira e em Pintura Dourada. A ideia de lançar
estes cursos partiu «da necessidade de dotar, quer a Igreja,
quer a sociedade, de jovens com capacidade de recuperar património
sacro». E, assim, ao longo de vários meses, rapazes
e raparigas receberam formação
para poderem restaurar o património
artístico.
Como explicou o P. Inácio Belo,
provedor da Misericórdia, era intolerável estar
dependente do Instituto Português do Património Arqueológico
e Arquitectónico ou das oficinas de Lisboa e Braga, para
conservar o património que se encontra espalhado um pouco
por cada paróquia. Só na região, foram inventariadas
«cerca de 3000 peças de Arte Sacra a precisar de restauro»,
o que significa emprego praticamente garantido para aqueles que
agora receberam o diploma de formação profissional.
Em defesa do consumidor
Existem no País dez milhões
de consumidores, estranhamente, são, economicamente falando,
o grupo mais numeroso e, ao mesmo tempo, mais fraco e vulnerável,
carecendo de medidas de protecção contra frequentes
e, por vezes, graves abusos de alguns produtores e fornecedores
de bens e de serviços.
A Comissão Nacional Justiça
e Paz (CNJP) escreveu uma nota em que afirma «que a defesa
dos direitos e deveres do consumidor é algo em construção
inacabada, não tanto por falta de legislação
adequada mas por défice de consciencialização
e de exercitação daqueles direitos». E faz
apelo ao desenvolvimento desse esforço «de alto sentido
ético e social, que releva para a construção
da justiça e da paz e, como tal, a todos diz respeito».
De facto, até à Revolução
Industrial no século passado, as relações
de consumo operavam-se num espaço limitado, sendo muito
diminuto o distanciamento físico e social entre fornecedores
e consumidores. Hoje não é assim, «saltámos
sucessivamente para os supermercados e para as grandes superfícies,
onde nos esperam milhares de artigos diferentes». E, não
satisfeitos com o incremento das vendas através destes
gigantes do consumismo, «os produtores e fornecedores descobriram
novas e engenhosas formas de atrair para o consumo, através
das vendas ao domicílio, das vendas por correspondência
e das televendas». A CNJP alerta os consumidores para os
seus direitos e deveres não se deixando iludir por propagandas
e protestando quando o produto não corresponde ao que havia
sido prometido.
PONTO DE VISTA
Finalmente
Finalmente, em Angola, a paz. Assim, com letra
minúscula, por enquanto... É que foram tantas as
oportunidades perdidas, foram tantos os momentos em que os angolanos
tiveram a esperança de não sentirem mais o cheiro
da pólvora, e de estarem seguros das suas vidas e de não
respirarem mais a incerteza do hoje e do amanhã, que esta
hora solene em que foi empossado o Governo de Unidade e Reconciliação
de Angola parece fora do tempo. Fora do tempo das cidades arrasadas
por bombardeamentos fratricidas, das minas deflagrando debaixo
dos pés, da fome e da miséria alastrando por todo
o lado e levando com elas o desespero e o crime, dos altos comandos
celebrando com champanhe tréguas momentâneas que
a ambição do poder logo quebrava, de um povo sofredor
e suplicante, que só queria o termo de uma guerra que não
era a sua.
Veio a paz sem tiros, e houve tempo e lugar para
que os dois adversários, cansados já de matar e
de ver morrer, calassem as armas e estendessem as mãos
num aceno de concórdia. Decidiram, assim, os dois maiores
partidos governar juntos, dividir o poder. Porque, sem este nas
mãos, nenhum deles se designaria e nenhuma trégua
seria contínua. Será por ter havido esta partilha
que, hoje, o anúncio de paz tem mais credibilidade. Pensando
bem, o povo, o bem-estar do povo, o desenvolvimento do seu nível
de vida dependem de uma ferocidade encoberta: o ter ou não
ter o Poder que se ambiciona. A história de Angola, depois
da sua independência, foi isto. Uma luta pelo poder. Com
o actual entendimento, que tem o selo da democracia, mas que,
mesmo assim, parece frágil, a palavra «paz» acaba
de ser escrita com todas as letras. Falta, apenas, que elas se
tornem maiúsculas.