Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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...INTERNACIONAL


ZAIRE - O chileno Roberto Garreton, relator especial sobre os direitos humanos no Zaire, afirmou que «é certo» que os rebeldes que se opõem a Mobutu cometeram massacres no leste do país, mas considerou inverosímil o número de meio milhão de mortos que havia sido avançado. A verdade «é que houve bombardeamentos e massacres a tiro ou com armas brancas.»

Entretanto, Mobutu nomeou um novo primeiro-ministro, Etienne Tshisekedi, um «opositor» histórico do presidente zairense, enquanto os rebeldes de Kabila continuam a avançar no sul do país, próximo da fronteira da Zâmbia, aguardando-se para breve a tomada da cidade de Lubumbashi.


UNIÂO - A Rússia e a Bielorússia, através dos respectivos presidentes, Boris Yeltsin e Alexandre Lukachenko, assinaram um acordo de União entre os dois países e o seu futuro estatuto. Esta União não cria um Estado único, uma vez que ambos os países preservam a sua soberania, mas é desejado um aumento da cooperação económica, política e militar entre as duas repúblicas.


ALBÂNIA - O primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, declarou que o seu homólogo albanês, Bashkin Fino, reiterou a vontade albanesa de ver uma força multinacional iniciar, o mais rapidamente possível, as operações de paz na Albânia.

Os países da OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa) estão convictos de que é necessário organizar nos próximos 10 a 14 dias essa força, evitando alguns erros cometidos na ex-Jugoslávia.


BRASIL - O presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, manifestou a sua profunda indignação pelos actos de violência contra civis perpetrados pela Polícia Militar de S. Paulo e divulgados pelaTelevisão que recorreu às imagens gravadas por um vídeo-amador. Tais imagens, de extrema violência e assassínio, foram gravadas nos dias 3, 5 e 7 de Março à entrada de uma favela paulista, vendo-se soldados da Polícia a agredirem e a torturarem várias pessoas que detiveram, como se se tratasse de uma operação de repressão de ladrões de veículos.


PALESTINA - Os dois palestinianos que morreram na passada semana na explosão de bombas que transportavam e se destinavam a ataques contra colonos israelitas na Faixa de Gaza, eram activistas da Jihad Islâmica. Este atentado veio fazer crescer ainda mais a tensão entre os palestinianos que vivem nos territórios confiados à Alta Autoridade, presidida por Yasser Arafat, tensão essa elevada pela decisão israelita de construir mais um colonato na zona árabe de Jerusalém. Apesar dos esforços internacionais e do apelo do primeiro-ministro de Israel a uma nova Cimeira com Arafat, em território dos EUA, a verdade é que não se vislumbra para breve nova acalmia nas relações entre os dois povos.


ANGOLA - Está marcada para o próximo dia 11 a tomada de posse do Governo de Unidade e Reconstrução Nacional (GURN), embora haja ainda algumas arestas a limar. Depois de todos os deputados da UNITA terem chegado a Luanda e tomado posse dos seus cargos, no início desta semana estava ainda por definir, nos termos de uma lei da Assembleia Nacional angolana, o estatuto ofocial de Jonas Savimbi. Os membros da UNITA fazem depender desta aprovação a sua integração no GURN, o que pode determinar que a cerimónia de tomada de posse do novo executivo seja de novo adiada.


ARGÉLIA - A violência voltou de novo à Argélia: pelo menos 84 civis foram assassinados, a maioria por enforcamento, em várias aldeias, por grupos armados, ocorrendo o maior massacre a cerca de 80 quilómetros de Argel, a capital. No lugar de Tahlit, 52 pessoas foram enforcadas por um grupo de cerca de 40 homens armados. Mais uma vez os civis foram vítimas de um conflito que se eterniza e que opõe os grupos islamitas radicais ao regime militar argelino.

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PONTO DE VISTA

Só agora?!..

A morte recente de uma mulher no Bairro de Aldoar, no Porto, por se ter sujeitado a um aborto clandestino, suscitou um comentário do padre Lino Maia, que preside ali à comunidade paroquial. Ao entrevistar, há dias, D. José Policarpo, futuro patriarca de Lisboa, um jornalista do «Público» não conseguiu ser exacto quando interpretou as palavras daquele sacerdote. Na verdade, o padre Lino Maia não se pronunciou a favor do aborto. Mas teve palavras de uma enorme compreensão e sensibilidade, o que só o honra como ministro da Igreja, porque mostrou que ninguém pode apedrejar ninguém, e que a pobreza, quando desce aos patamares mais baixos, tem direito a que todos a compreendam e lhe valham, cada um na medida que lhe for possível.

É saudável para a Igreja que atitudes destas descubram o seu verdadeiro rosto e a resgatem de gestos de intolerância que mancharam algumas horas do seu passado.

A questão do aborto continuará a levantar polémica, sempre que algum drama, como o de Aldoar, ocupe os noticiários da comunicação social. Não deixa, no entanto, de impressionar a ligeireza com que, em alguns sectores da sociedade, é secundarizado o drama e se lhe prefere o oportunismo político.

Na verdade, é lamentável que, também aqui, as coisas se passem em termos de esquerda e direita, e que o voto de consciência se olhe como altamente suspeito. Assim, o grupo parlamentar dos sociais-democratas apresentou agora um projecto de lei de bases da família e outro de apoio à maternidade. Como disse um deputado, «é muito mais importante criarmos políticas de fermento da natalidade do que andarmos a debater a liberalização do aborto». Naturalmente que tudo está certo. Mas apetece dizer: então, só agora é que deram por isso?
Pacheco de Andrade
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