| Liturgia: | |||
20 de Abril
Leitura dos Actos dos Apóstolos
Actos 4, 8-12
Naqueles dias, Pedro, cheio do Espírito Santo,
disse-lhes: «Chefes do povo e anciãos, já que
hoje somos interrogados sobre um benefício feito a um enfermo
e o modo como ele foi curado, ficai sabendo todos vós e
todo o povo de Israel: É em nome de Jesus Cristo, o Nazareno,
que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, é
por Ele que este homem se encontra perfeitamente curado na vossa
presença. Jesus é a pedra que vós, os construtores,
desprezastes e que veio a tornar-se pedra angular. E em nenhum
outro há salvação, pois não existe
debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos
ser salvos».
Salmo Responsorial Salmo
117
A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.
Dai graças ao Senhor, porque Ele é
bom,
porque é eterna a sua misericórdia.
Mais vale refugiar-se no Senhor,
do que fiar-se nos homens.
Mais vale refugiar-se no Senhor,
do que fiar-se nos poderosos.
Eu Vos darei graças porque me ouvistes
e fostes o meu Salvador.
A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.
Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.
Bendito o que vem em nome do Senhor,
da casa do Senhor nós vos bendizemos.
Vós sois o meu Deus: eu vos darei graças.
Vós sois o meu Deus: eu Vos exaltarei.
Dai graças ao Senhor, porque Ele é
bom,
porque é eterna a sua misericórdia.
Leitura da primeira Epístola de São
João 1 Jo 3,
1-2
Caríssimos: Vede que admirável amor
o Pai nos consagrou em nos chamarmos filhos de Deus. E somo-o
de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não
O conheceu a Ele. Caríssimos, agora somos filhos de Deus
e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos
que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus,
porque O veremos tal como Ele é.
Aleluia. Aleluia.
Eu sou o bom pastor, diz o Senhor:
conheço as minhas ovelhas
e as minhas ovelhas conhecem-Me.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo
segundo São João
Jo 10, 11-18
Naquele tempo, disse Jesus: «Eu sou o Bom Pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas. O mercenário, como não é pastor, nem são suas as ovelhas, logo que vê ir o lobo, deixa as ovelhas e foge, enquanto o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário não se preocupa com as ovelhas. Eu sou o Bom Pastor: conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me, do mesmo modo que o Pai Me conhece e Eu conheço o Pai; Eu dou a vida pelas minhas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil e preciso de as reunir; elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor. Por isso o Pai Me ama: porque dou a minha vida, para poder retomá-la. Ninguém Ma tira, sou Eu que a dou espontaneamente. Tenho o poder de a dar e de a retomar: foi este o mandamento que recebi de meu Pai».
| Início |
Ao longo dos Actos, os apóstolos enfrentaram muitas vezes a oposição e perseguição em virtude de testemunharem a ressurreição do crucificado. Este texto apresenta-nos a resposta de Pedro perante o Sinédrio, depois de ele e João terem sido presos, na sequência da cura dum entrevado (Act 3, 1-10).
Pedro cheio do Espírito Santo declara que o protagonista é Jesus ressuscitado. A cura acontece «em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, que vós crucificastes e que Deus ressuscitou dos mortos». O nome de Jesus situa-se, portanto, no centro do debate e refere a própria pessoa do Ressuscitado. O milagre operado revela a salvação realizada por Aquele que ressuscitou dos mortos.
Na verdade, a força e o poder de Cristo não se limita à cura física, mas diz respeito à salvação integral do homem: a primeira é aqui a imagem e o sinal da segunda. Assim se entende que a partir da alusão à cura concreta do paralítico, Pedro generalize e passe a falar não já de cura, mas de salvação.
Os vv. 11 e 12 afirmam Jesus Cristo como único Senhor e Mediador da salvação. A forma de o dizer é ilimitada e total: «em nenhum outro há salvação». Ele é o único que, pela sua Páscoa, traz a salvação divina ao seio da história humana. O contraste entre a «pedra desprezada» e a «pedra angular», retomado do salmo 117(118), serve para apresentar o contraste entre a crucifixão e a ressurreição Cristo aos membros do Sinédrio, conhecedores dos textos vetero-testamentários, e para alicerçar na sua Páscoa a edificação da nova comunidade messiânica, na qual são integrados os que participam da força libertadora da ressurreição.
No contexto do desassombro e do entusiasmo evangelizador da teologia dos Actos, esta resposta de Pedro manifesta que a perseguição e a oposição ao anúncio do Ressuscitado não gera medo, acanhamento ou retrocesso. Antes torna mais vigoroso e audaz o testemunho da única salvação que provém do único Senhor Jesus Cristo.
2. «Veremos a Deus tal como Ele é»
Este inciso da 1ª Carta de São João fala-nos da vocação dos filhos de Deus. Os cristãos são chamados a viver como filhos, à maneira do Filho de Deus. Eis algumas características desta filiação divina:
É um dom de Deus. Resulta do admirável amor do Pai por nós em Jesus Cristo: «Deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1, 12). Ser filho de Deus é pura graça, implica uma capacidade e um dom que vem do próprio Deus, é consequência de ter «nascido d'Ele» (1Jo 2, 29). Foi o próprio Deus, que quis que fossemos chamados seus filhos, libertando-nos, no Filho, da morte que nos escraviza.
A condição de filhos de Deus implica um conhecimento profundo do próprio Deus. A oposição do mundo à comunidade resulta exactamente da carência de relação a Deus. Por mundo entende-se a humanidade que se organiza em torno da rejeição de Deus (cf. Jo 1, 10) na hostilidade à comunidade dos seus filhos. A recusa aos filhos é realização eclesial da hostilidade e do afrontamento ao Filho de Deus. À comunidade dos filhos exige-se um conhecimento de Deus análogo ao do Filho.
A condição dos filhos de Deus é fiel à dinâmica escatológica. Esta realidade ainda não é uma posse total e definitiva. Espera a plenitude. Assim a identidade actual dos filhos de Deus não se abandona à letargia da acomodação, nem suprime o dever do agir crente rumo ao conhecimento e à visão definitiva de Deus. Trata-se duma contemplação que exige uma acção. Os filhos de Deus vivem da certeza do «somo-lo de facto» e da esperança operante da manifestação definitiva do que «havemos de ser».
3. «O Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas»
No evangelho Jesus apresenta-se como o «Bom Pastor», mas o sentido dessa expressão não diz a mansidão, afabilidade e a ternura do pastor, mas antes a sua fidelidade à sua missão: Jesus é o Bom Pastor, porque fiel à sua missão de conduzir as ovelhas. Neste sentido se entende a contraposição entre o pastor e o mercenário: o bom pastor dispõe a sua vida ao perigo para manter a das ovelhas; o mercenário não enfrenta o perigo porque o centro da sua vida não é a vida das ovelhas, mas o dinheiro que lhe advém da sua missão de pastor-mercenário.
A segunda afirmação da identidade de Jesus «Eu sou o Bom Pastor» abre um segundo inciso temático: a unidade do rebanho, resultante do conhecimento recíproco entre o pastor e as ovelhas, a unidade que resulta do amor. A medida desta relação pessoal entre o Pastor e as ovelhas acaba por ser o conhecimento recíproco entre o Pai e o Filho. A relação entre o pastor e o rebanho alarga-se também às ovelhas «que não são deste redil», indicando o fruto universal da morte de Jesus: a reunião de todos na unidade. Na verdade, Jesus Cristo supera os limites da eleição judaica. O Cristo Pastor ganha um alcance universal.
Para terminar, o texto desenvolve a temática inicial: o horizonte imediato da morte de Jesus, agora sobre o signo da liberdade. A hora de Jesus não é determinada pelos intentos de agressão dos homens, mas resulta de vontade de Jesus comandada unicamente pelo seu amor às ovelhas, e pela desvelação plena do poder de vida que Jesus possui em si mesmo. A morte é em função da vida como revela o binómio dar/retomar a vida.
A dádiva da vida pelas ovelhas e o conhecimento mútuo entre o pastor e as ovelhas não são elementos justapostos, mas intimamente unidos: o conhecimento entre o Pai e o Filho resulta na entrega recíproca; o conhecimento entre Jesus e os seus resulta também na dádiva da vida de Cristo pela seu rebanho e certamente também na entrega do cristão ao seu Senhor, ainda que o texto não a explicite.
O conhecimento recíproco entre o Pastor e o rebanho move a entrega do Filho de Deus que na Páscoa nos amou e nos gerou para a filiação e para a vida divina; e resulta nos crentes em testemunho audaz desta vida dada e recebida, exemplarmente expresso por Pedro perante a hostilidade do Sinédrio.
| Início |
Em cada domingo de Páscoa, no início da Missa, a aspersão com a água benta poderá ser uma recordação do Baptismo, fundamento da existência cristã (cf. TMA 41), e a invocação a Deus para que guarde os baptizados sempre fiéis ao Espírito que receberam (cf. a monição introdutória ao rito). Seria desejável que, pelo menos nestes domingos, a profissão de fé do Credo fosse cantada por toda a assembleia.
| (Comité Central para o Grande Jubileu, Encontrar Jesus Cristo na Liturgia, n. 25) |
Cristo manifesta-Se como «pastor». O centro desta imagem é o dom da vida. Ele é o «Bom Pastor» que «dá a vida pelas suas ovelhas» (Jo 10, 11), não é um «mercenário». Dando-Se, Cristo oferece às suas ovelhas a vida/salvação: «em nenhum outro há salvação» (Act 4, 12); e oferece a filiação divina: «agora sois filhos de Deus» (1Jo 3, 2). Todos os homens são chamados a fazer parte rebanho de Cristo (cf. Jo 10, 16) e a usufruir dos seus dons salvíficos. Ao longo deste ano é importante, do ponto de vista ecuménico, que todos «olhemos juntos para Cristo, único Senhor» (TMA, n. 41).
| ID., A caminho , p. 22 |
| Início |
1. O símbolo dominante da Liturgia deste Domingo - o Pastor - pode levar-nos a abordar o tema das «vocações» a partir da perspectiva do chamado «ministério pastoral» (vocação ao sacerdócio ministerial). Convém porém recordar que os textos da Liturgia do dia reservam a Cristo (e ao Pai, na Oração de Depois da Comunhão) o título de «Bom Pastor»: Ele é o único a fazer jus ao nome. Não se esqueça, também, que a missão pastoral de Cristo atinge toda a Igreja, incluindo os leigos. Uma forma excelente de «pregar» este tema é o de promover celebrações que sejam uma verdadeira epifania da Igreja em que se respeitem e promovam os diferentes ministérios, ofícios e funções.
2. A 2ª leitura recorda-nos a base em que assenta toda e qualquer «vocação de especial consagração»: chamamo-nos e somos filhos de Deus em virtude de uma comum, universal e indelével «consagração» Baptismal-crismal. Através de novos e sucessivos chamamentos (ou vocações), a nossa condição filial deve tornar-se cada vez mais consciente e expandir-se até à plenitude final que está reservada para o Dia da manifestação do nosso grande Deus e Senhor Jesus Cristo.
3. O «Bom Pastor» está na origem de toda a «vocação»: é Ele que conhece e chama. É também o modelo de todos os «vocacionados» na generosidade com que abraçou a Missão recebida do Pai: até ao dom supremo e plenamente livre da própria vida. Finalmente, é importante que todas as vocações eclesiais se associem à solicitude «missionária» do Bom Pastor: para que haja um só rebanho e um só Pastor.
4. Leitores: A 1ª leitura requer uma voz vigorosa. Faça-se entender a ligação «chefes do povo e anciãos ficai sabendo » e, ainda, «É em nome de Jesus Cristo, o Nazareno é por Ele ». Note-se que a pontuação escrita nem sempre coincide com a pontuação oral. A 2ª leitura: respeite-se a divisão imposta pela palavra «Caríssimos».
5. Sugestão de cânticos: durante o tempo pascal pode repetir-se o repertório de cânticos apontado para os outros domingos. Onde for possível poder-se-á cantar também o Credo (cf. NCT 296). Entrada: A terra está cheia, F. Lapa, BML 71, 69; Povo eleito, Igreja santa, M. Faria, NCT 177; O Senhor ressuscitou, M. Luís, NCT 176; Salmo Resp.: A pedra que rejeitaram, F. Santos, BML 46, 11; Aclam. ao Ev.: Eu sou o Bom Pastor, F. Santos, BML 36, 15; Ofertório: A Vós, Senhor, pertence a honra, M. Luís, NCT 190; Comunhão: Ressuscitou o Bom Pastor, F. Lapa, BML 106, ;Deus é bom Pastor, M. Luís, NCT 194; Ressuscitou o Bom Pastor, F. Santos, NCT 199 [sobretudo para missas com crianças]; Fim: Aleluia! Louvor a Vós, ó Cristo, M. Luís, NCT 168. Vésperas II: F. Santos, BML 90, 61-65.
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