Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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... INTERNACIONAL


BÓSNIA - Sete partidos da oposição formaram em Sarajevo um "governo alternativo" para marcar o seu descontentamento com o funcionamento do actual governo central.

Trata-se de formações políticas sem grande relevância no panorama político da Bósnia, sendo o seu "conselho de ministros" composto por responsáveis dos referidos partidos e por cidadãos pertencentes a diversas associações representantes de duas entidades previstas nos acordos de Dayton: a Federação Croata-Muçulmana e a República Srpska (RS, entidade sérvia).


SÉRVIA - A oposição sérvia deu um prazo de dez dias ao presidente Slobodan Milosevic para reiniciar o diálogo sobre a democratização do país. Se o presidente não ceder, a oposição vai retomar as manifestçaões diárias na rua.

Os opositores ao regime exigem uma tomada de posição presidencial sobre a liberdade de expressão e a elaboração de um regime de financiamento aos partidos políticos, bem como uma nova lei eleitoral.

Recorde-se que, após semanas a fio de manifestações de rua, a oposição conseguiu que o regime de Milosevic reconhecesse a vitória eleitoral, nas autárquicas de Novembro, dos partidos que combatem o governo.


ARGÉLIA - A presidência da República argelina marcou para 5 de Junho a realização de eleições legislativas. A data foi escolhida por acordo entre a presidência e os nove partidos políticos convidados pelo presidente Liamine Zeroual para debater a preparação das eleições, nomeadamente a criação da comissão eleitoral independente que fiscalizará o escrutínio.


PALESTINA - O presidente egípcio, Hosni Mubarak, recomendou aos israelitas e palestinianos que "baixem o tom" da sua disputa sobre a questão de Jerusalém, após a decisão judaica de construir um novo colonato na parte árabe da cidade.

Por sua vez, Yasser Arafat convocou uma "jornada nacional de protesto em defesa de Jerusalém" e contra a construção do colonato em Har Homa.

O Conselho de Segurança da ONU não conseguiu um voto de condenação da política israelita, proposto por países europeus, devido ao veto dos Estados Unidos.

Entretanto, o Papa João Paulo II referiu-se em tom crítico às "graves decisões sobre Jerusalém" tomadas pelo governo de Telavive, referindo que elas "poderão afectar seriamente o processo de paz e o espírito de confiança tão necessário para a sua continuação".


ALBÂNIA - O presidente da Albânia, Sali Berisha, a braços com uma rebelião de civis que tomaram o controlo de várias cidades no sul do país, propôs a formação de um governo de unidade nacional, a realização de eleições gerais no prazo de 60 dias e uma amnistia para os revoltosos em troca da entrega por estes de todas as armas que possuem.

Na cidade de Saranda, uma base naval próximo da fronteira com a Grécia, o líder rebelde local, Xhevat Koçiu, declarou que a proposta de Berisha é apenas "meio passo" para a pacificação do país, o que significa que a crise ainda se vai prolongar.


RÚSSIA - O presidente russo, Boris Yeltsin, dirigiu um discurso ao Parlamento reflectindo sobre o estado da nação, no qual procurou demonstrar que detém o total controlo da governação do país. Yeltsin aparentava um bom estado físico, anunciou mudança de estruturas e de pessoas no governo, sublinhando que "é tempo de pôr em ordem os órgãos da governação". Segundo Yeltsin, "gente enérgica vai entrar no (seu) gabinete", pois a "Rússia tem necessidade de um novo fôlego, porque a paciência das pessoas chegou ao fim."


ANGOLA - O representante adjunto da UNITA em Portugal, Carlos Morgado, declarou que o Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN) deve ser uma realidade em Angola entre os dias 20 e 30 deste mês. Entretanto, Carlos Morgado revelou que a lista definitiva dos 70 deputados da UNITA não está ainda constituída, só se conhecendo todos os seus nomes após a reunião que esta semana decorreu no Bailundo, sob presidência de Jonas Savimbi.

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PONTO DE VISTA

... de 2.ª classe

Quando terminou a Guerra do Golfo, os órgãos de Informação deram notícia do estatuto de inferioridade social a que estão sujeitas as mulheres árabes. Já se sabia, mas nem por isso o Ocidente ficou menos chocado, até porque, mais uma vez, se tinha falado de direitos humanos que o Iraque não respeitava.

Nada disto impede, porém, que aqui, bem longe da barbárie e distantes desses países além Mediterrâneo, reservemos, todos os anos, um dia - e mais uma vez ele ocorreu - para um pouco de reflexão sobre a dignidade da mulher. No que se lhe refere, as nossas leis não são discriminatórias como as do Médio Oriente, e não a remetem a cidadã de segunda. Mas, em contrapartida, há, na prática, uma filosofia de casta, que não a despromove porque, regra geral, nunca chega a promovê-la. Com excepção de algum estrelato, as mulheres são ultrapassadas pelo homem, mesmo que concorram a seu lado em igualdade de mérito.

Forçadas a trabalhar fora de casa por inexistência de salário familiar, auferem um vencimento desigual, e são quase sempre preteridas quando alguém, do sexo oposto, disputa o mesmo lugar.

As nossas estatísticas vão mais longe e revelam números obscenos. Assim, segundo um estudo do Centro de estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa, e conforme revela o «Público», ficamos a saber que, no mundo das mulheres portuguesas, mais de um milhão e duzentas mil foram agredidas psicologicamente (gritos, ameaças, humilhação, por palavras e comportamentos, depreciação do que fazem, etc...) e cerca de meio milhão foram alvo de agressão física, e «quase 900 mil suportaram actos conotáveis com a violência sexual». Comentários, para quê? Só uma pergunta: em que país estamos nós?!...
Pacheco de Andrade
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