Liturgia:

A MESA DA PALAVRA

DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR

23 de Março


Leitura do Livro de IsaíasIs 50, 4-7

O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.


Salmo Responsorial Salmo 21

Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?

Todos os que me vêem escarnecem de mim,
estendem os lábios e meneiam a cabeça:
«Confiou no Senhor, Ele que o livre,
Ele que o salve, se é seu amigo».


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses Filip 2, 6-11

Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

Grandes e admiráveis são as vossas obras, Senhor

Cristo obedeceu até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo
segundo São Marcos
Mc 15, 1-39

Naquele tempo, os príncipes dos sacerdotes reuniram-se em conselho, logo de manhã, com os anciãos e os escribas, isto é, todo o Sinédrio. Depois de terem manietado Jesus, foram entregá-l'O a Pilatos. Pilatos perguntou-Lhe: «Tu és o Rei dos judeus?» Jesus respondeu: «É como dizes». E os príncipes dos sacerdotes faziam muitas acusações contra Ele. Pilatos enterrogou-O de novo: «Não respondes nada? Vê de quantas coisas Te acusam». Mas Jesus nada respondeu, de modo que Pilatos estava admirado. Pela festa da Páscoa, Pilatos costumava soltar-lhes um preso à sua escolha. Havia um, chamado Barrabás, preso com os insurrectos, que numa revolta tinham cometido um assassínio. A multidão, subindo, começou a pedir o que era costume conceder-lhes. Pilatos respondeu: «Quereis que vos solte o Rei dos judeus»? Ele sabia que os príncipes dos sacerdotes O tinham entregado por inveja. Entretanto, os príncipes dos sacerdotes incitaram a multidão a pedir que lhes soltasse antes Barrabás. Pilatos, tomando de novo a palavra, perguntou-lhes: «Então, que hei-de fazer d'Aquele que chamais o Rei dos judeus?» Eles gritaram de novo: «Crucifica-O!». Pilatos insistiu: «Que mal fez Ele?» Mas eles gritaram ainda mais: «Crucifica-o!». Então Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhes Barrabás e, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-O para ser crucificado. Os soldados levaram-n'O para dentro do palácio, que era o pretório, e convocaram toda a corte. Revestiram-n'O com um manto de púrpura e puseram-Lhe na cabeça uma coroa de espinhos que haviam tecido. Depois começaram a saudá-l'O: «Salvé, Rei dos judeus!» Batiam-Lhe na cabeça com uma cana,, cuspiam-Lhe e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante d'Ele. Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto de púrpura e vestiram-Lhe as suas roupas. Em seguida levaram-n'O dali para O crucificarem. Requisitaram, para Lhe levar a cruz, um homem que passava, vindo do campo, Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo. E levaram Jesus ao lugar do Gólgata, quer dizer, lugar do Calvário. Queriam dar-Lhe vinho misturado com mirra, mas Ele não o quis beber. Depois crucificaram-n'O. E repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, para verem o que levaria cada um. Eram nove horas da manhã quando O crucificaram. O letreiro que indicava a causa da condenação tinha escrito: «Rei dos Judeus». Crucificaram com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda. Os que passavam insultavam-n'O e abanavam a cabeça dizendo: «Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo e desce da cruz». Os príncipes dos sacerdotes e os escribas troçavam uns com os outros, dizendo: «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo! Esse Messias, o Rei de Israel, desça agora da cruz, para nós vermos e acreditarmos». Até os que estavam crucificados com Ele O injuriavam. Quando chegou o meio-dia, as trevas envolveram toda a terra até às três horas da tarde. E às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: «Eloí, lamá sabactháni?» que quer dizer: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?» Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram: «Está a chamar por Elias». Alguém correu a embeber uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta duma cana, deu-Lhe a beber e disse: «Deixa ver se Elias vem tirá-l'O dali». Então Jesus, soltando um grande brado, expirou. O véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo. O centurião que estava em frente de Jesus, ao vê-l'O expirar daquela maneira, exclamou: «Na verdade, este homem era Filho de Deus».

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Domingo de Ramos na Paixão do Senhor Ano B

23 de Março de 1997

Eis a obra do Senhor!

Uma Leitura Dos Textos Bíblicos

Baptizado com o Espírito Santo no Jordão, confirmado com o Espírito Santo no Tabor, Jesus realizou a sua missão filial baptismal anunciando o Evangelho do Reino de Deus e fazendo as suas «obras». A sua «viagem» chega agora ao fim, em Jerusalém, onde o seu Baptismo deve ser consumado (ainda Lc 12, 49-50) na sua Morte Gloriosa: única Fonte do Espírito para nós (sempre Act 2, 32-33; Jo l9, 30.34; 7, 38-39). Fomos, de facto, baptizados na sua Morte (Rm 6,3), e, com Ele, fomos «con-sepultados», «con-ressuscitados», «con-vivificados» e «con-sentados» na Glória! (Ef 2, 5-6, Cl 2, 12-13: tudo verbos cunhados por Paulo e postos em aoristo histórico!). Formamos, por isso, «a Igreja que Ele amou» (Ef 2, 25). A este amor de Cristo pela Igreja chama Paulo «o mistério grande» (Ef 5, 32). Nós, a Igreja do amor de Cristo, somos, portanto, a esposa bela, a nova Jerusalém (Ap 19, 7-9; 21, 2.9s) que, juntamente com o Espírito, diz ao Senhor Jesus: Vem! (Ap 22, 17).


Evangelho antes da Procissão: Marcos 11, 1-10.

O Rei messiânico toma posse da sua Cidade, a «Cidade do Grande Rei» (Sl 45, 5; 47, 2-3; Tb 13, 11; Mt 5, 35), a Esposa bela que nascerá do seu Sangue: Esposa cúmplice da Morte do Esposo, e beneficiária da Morte do Esposo.

O Rei messiânico toma posse da sua Cidade, a Filha de Sião, a Esposa; vem montado sobre o jumento da paz, e não sobre cavalos de guerra, cumprindo Zc 9, 9. Estendem-se as capas no caminho: assim se procedia quando o rei subia ao trono (2Rs 9, 13). A multidão canta «Hossana» (= salva, por favor!) (Sl 117, 25), saudando o Rei-que-vem, «Aquele-que-vem» (título divino) (Sl 117, 26), com o Reino de David, o novo David.


Evangelho da Missa: Marcos 14,1-15,47.

O imenso e impressionante texto da Paixão, mediante a qual o Rei dócil e obediente purifica, santifica e apresenta a si mesmo a sua Igreja, tornando-a santa e irrepreensível, sem mancha nem ruga, a Esposa bela (Ef 5,26-27). Nestes momentos decisivos, a Esposa fiel deve seguir o Esposo passo a passo: a unção para a sepultura em Betânia, a Ceia Primeira (e não última!), o abismo do Getsémani, a prisão (todos o abandonam (Mc 14, 50); Jesus fica sozinho: verdadeiro «Resto de Israel»), os processos e a condenação (Jesus afirma-se como «o Bendito», «o Filho de Deus», «o Messias», «o Rei»), a entrega à morte de cruz por Pilatos (Mc 15,15), mas, na verdade, por Deus (1Cor 11, 23: paredídeto: passivo divino!), a coroa de espinhos, a Cruz santa e gloriosa, as três tentações por parte dos que passavam, dos sacerdotes, dos demais crucificados: «salva-te a ti mesmo», «desce da cruz» (Mc 15,29-32), a oração do Sl 21 (todo): começa «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?», e termina «esta é a obra do Senhor»!, a agonia e a Morte precedida do grande grito (Mc 15, 33.37), que indica a Vitória de Deus, a sepultura... Proclamação da máxima Obra de Deus no mundo, a indizível Economia divina na vida terrena do Filho de Deus! A proclamação deve seguir-se com a conversão do coração, e, sobretudo, com o louvor no coração.


Antigo Testamento: Isaías 50,4-7.

O terceiro «canto do Servo de Jahvé». Gerado na dor de Israel como verdadeiro filho do milagre (Is 49,21), ergue-se uma singular figura de «servo» (ebed), totalmente nas mãos de Deus - desde a sua predestinação desde o seio materno (Is 49, 1.5), passando pela sua entrega à morte (Is 53, 12), até à sua exaltação e glorificação (Is 52, 13) -, de tal modo que Deus o pode chamar «meu servo» (abdî). O Novo Testamento passa por aqui!


Apóstolo: Filipenses 2,6-11.

Em claro paralelismo com o «Servo de Jahvé», de Isaías. Mas aqui tem um Rosto e um Nome: Jesus recebeu, na sua Humanidade, o Nome divino (ver também Hb 1, 1-4), Nome incomparável (Fl 2, 9). Por isso, agora, todos os seres criados adoram o Nome-Jesus (Fl 2,10), e «toda a língua», isto é, todo o homem racional, professa: «Senhor é Jesus Cristo»! Notar a ordem dos três termos, errada nas versões modernas: Senhor, isto é, Deus Eterno, é o Homem-Jesus Cristo. O acento cai, pois, sobre Senhor. O fim em vista: a Glória do Pai com o Espírito (Fl 2,1 I). É quanto Deus operou na Cruz.

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A caminho do grande Jubileu

«Como vai Jerusalém acolher o seu Messias? Embora tenha sempre evitado as tentativas populares de O fazerem rei (cf. Jo 6, 15), Jesus escolheu o momento e preparou os pormenores da sua entrada messiânica na cidade de David, seu pai (Lc 1, 32; cf. Mt 21, 1-11). E é aclamado como filho de David e como aquele que traz a salvação (Hossana quer dizer então salva!, dá a salvação). Ora, o rei da glória (Sl 23, 7-10) entra na sua cidade, montado num jumento (Za 9, 9). Não conquista a filha de Sião, figura da sua Igreja, nem pela astúcia nem pela violência, mas pela humildade que dá testemunho da verdade (cf. Jo 18, 37). Por isso é que os súbditos do seu Reino, naquele dia, são as crianças (cf. Mt 21, 15-16; Sl 8, 3) e os pobres de Deus, que O aclamam, tal como os Anjos O tinham anunciado aos pastores (cf. Lc 19, 38; 2, 14). A aclamação deles: Bendito o que vem em nome do Senhor (Sl 117, 26) é retomada pela Igreja no Sanctus da Liturgia Eucarística, a abrir o memorial da Páscoa do Senhor.

A entrada de Jesus em Jerusalém manifesta a vinda do Reino que o Rei-Messias vai realizar pela Páscoa da sua Morte e Ressurreição. É pela sua celebração, no Domingo de Ramos, que a Liturgia da Igreja começa a Semana Santa».

(Catecismo da Igreja Católica, nn. 559s)

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SUGESTÕES LITÚRGICAS

1. O rito de entrada de todas as Missas deste Domingo comemora a entrada de Jesus em Jerusalém para tomar posse da sua realeza: na Missa principal da comunidade esta comemoração toma a forma expressiva da procissão de ramos ou, ao menos, da entrada solene, precedidas da bênção de ramos e da proclamação do Evangelho da entrada do Senhor na cidade santa; nas outras Missas pode optar-se entre a entrada solene e a entrada simples. No último caso valorize-se, pelo menos, o canto de entrada. Sigam-se as indicações que o Missal fornece para as diferentes situações. A rica monição do Missal para o início da celebração na forma mais solene, pode adaptar-se como monição inicial em qualquer das hipóteses.

2. Ponto alto da liturgia deste Domingo da Paixão é a proclamação do relato evangélico da Paixão, segundo S. Marcos. Tratando-se do mais breve dos Evangelhos, pensamos que não se deveria perder a oportunidade da sua leitura integral. Segundo a tradição a Paixão é proclamada por vários leitores, habitualmente três: à falta de diáconos ou presbíteros, este ofício pode ser confiado a leitores leigos, reservando-se ao sacerdote celebrante a parte de Jesus.

3. Neste Domingo ocorre o «Dia mundial da Juventude» subordinado ao tema: «Mestre, onde moras? Vinde e vereis» (Jo 1, 38-39). É uma jornada a celebrar-se a nível local, apontando já para o grande encontro com o Papa que terá lugar em Paris, em Agosto. Dê-se o mais amplo espaço à participação juvenil não só nas celebrações deste Domingo, mas também nas das próximas festas pascais. Não haja receio de convidar os jovens para a celebração do Sacramento da Penitência nestes dias.

4. É importante anunciar à comunidade neste Domingo o programa integral das festas pascais. Motive-se particularmente, a participação dos fiéis nas principais celebrações do Tríduo: Missa vespertina da Ceia do Senhor em Quinta-Feira Santa; Celebração da Paixão em Sexta-Feira Santa; Vigília Pascal. Todas estas celebrações justificam uma preparação especialmente cuidada por parte de todos os que nelas devem desempenhar algum ministério litúrgico: presbíteros, diáconos, acólitos, leitores, cantores...

5. Leitores: 1ª Leitura - O leitor deverá, quanto possível, observar os pontos finais e os pontos e vírgulas; aí fará as pausas. Atenção à articulação (sobretudo as consoantes).

2ª Leitura - O texto, fácil em si, torna-se difícil pelo seu estilo. Este poema requer recursos oratórios expressivos. Observe-se um crescendo na última frase.

6. Sugestão de cânticos: A/ Bênção e Procissão de Ramos: Reunião: Jerusalém em festa, F. Santos, BML 45, 10; Hossana ao filho de David, F. Santos, BML 10, 9; M. Luís, NCT 95; Procissão: As crianças hebreias, F. Santos, NCT 96; BML 65, 57; Glória, honra e louvor, F. Santos, NCT 97; BML 10, 10; B/ Missa: Entrada: À entrada do Senhor, F. Santos, BML 50, 18. Salmo Resp.: Meu Deus, porque me abandonaste?, F. Santos, NCT 101; BML 25, 19; M. Luís, SR(B), 57; Aclam. ao Ev.: Cristo obedeceu até à morte, F. Santos, NCT 136; BML 5, 12; Comunhão: Pai, se este cálice, F. Santos, NCT 114; BML 20, 11; Fim: Salve, ó Cruz, M. Faria, NCT 117.
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