Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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PONTO DE VISTA

Os equívocos

A votação sobre a liberalização do aborto, na Assembleia da República, resultou num quase empate. Da controvérsia que agitou o parlamento restam sequelas que marcam uma fronteira política que, neste caso, não devia existir existe.

Mais uma vez, os principais partidos tomaram posições de confronto político. De novo, as bandeiras de direita e esquerda foram hasteadas, como se se travasse um prélio de que teriam de resultar vencedores e vencidos. Lamentável e desacreditante, para quem está de fora e contempla o corrupio das estratégias nos bastidores parlamentares. Assim, foi possível vermos cenários em que a intolerância esteve presente através de uma linguagem radical que não admitiu que as pessoas divergissem.

Alguns dos nossos bispos pronunciaram-se, defendendo a vida como valor indeclinável, mas não iludindo os problemas e encarando-os com um olhar compadecido e humano. Como no Evangelho, em que Jesus condenava os erros e não as pessoas. Foi o caso do cardeal patriarca, D. António Ribeiro, do arcebispo de Braga, do bispo de Setúbal e de D. Januário, bispo auxiliar de Lisboa. Porque a frieza e a rigidez do anátema não convencem ninguém, quando muito atemorizam e, o que é pior, afastam.

O líder da Juventude Socialista já declarou que o debate não terminou, e o PCP promete reacendê-lo. Isto é, os problemas de fundo continuarão substituídos pela controvérsia política, o que é deplorável. O tema do aborto manter-se-á, não se sabe até quando, pingue-ponge de dialéctica parlamentar. Parece que a política não entende que a consciência não se rege por votos. E que é um juiz que não de demite.
Pacheco de Andrade
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Liberalização do aborto chumbada

O projecto de lei que introduz alterações à lei do aborto do deputado socialista Strecht Monteiro foi aprovado pela Assembleia da República, na passada semana, com 155 votos a favor, 47 contra e 24 abstenções, contra os projectos de lei do PCP, com 99 votos a favor, 115 contra e 12 abstenções, e da JS, com 112 votos contra, 111 a favor e três abstenções. Com a nova legislação, os prazos para o aborto ético, nos casos de má formação do feto, serão alargados, de 12 para 24 semanas, e será constituída uma comissão técnica que visa a criação da consulta de planeamento familiar.


Mesquita de Lisboa

Na Mesquita de Lisboa, foi inaugurada há pouco a 3ª Feira do Livro Islâmico, onde estarão disponíveis mais de 100 títulos de temática muçulmana. O evento, que em edições anteriores registou uma afluência significativa, destina-se a muçulmanos ou não. Os livros são de história, doutrina e diálogo com outras religiões, podendo encontrar-se ainda várias edições do "Corão", o livro sagrado da religião islâmica.

A Feira do Livro Islâmico foi inaugurada na 26ª noite do Ramadão pois foi nessa noite que o Corão foi revelado a Maomé, havendo nele um versículo dedicado à leitura.


Educação Moral

Nas escolas do 1º Ciclo, 85,6% dos alunos matriculam-se na aula de Educação Moral e Religiosa Católica, mas, destes, apenas 60% beneficiam dessa aula; os restantes 40% não a têm por falta de professor disponível. Além disso, dos 48% de professores que declaram dar a aula, 15% são agentes pastorais, mandatados pelo Pároco e que vão às escolas, gratuitamente. De facto, os professores não dão a aula por incapacidade ou por comodismo?


Médicos Católicos

Em Nova Iorque, Estados Unidos, decorre de 10 a 14 de Setembro, o XIX Congresso Internacional de Médicos Católicos, sendo o programa aprovado, em Roma, no dia 15, na reunião do Comité Executivo. Ele contemplará as exigências do Evangelho da Vida e a resposta que a Medicina prática tem para dar num mundo caracterizado pelo avanço biotecnológico, e por uma necessidade gritante de humanização dos cuidados de medicina.

Pretendem os promotores que sejam estudados os problemas sem fugir os mais agudos e sérios, apresentando depois propostas dos médicos católicos, não como membros de uma religião separada do mundo, mas como comunidade activa e responsável, que tem alternativas sérias para propor à comunidade médica em geral. Elas respeitam a dignidade da pessoa humana expressa no Evangelho de Cristo e que deve aparecer também na Doutrina da Igreja.


União Europeia vai proteger menores

A Confederação das Associações de Família reuniu-se, em Lisboa, para recolher sugestões para a elaboração do "Livro Verde sobre a protecção dos menores e da dignidade humana, nos novos serviços de audiovisuais e de informação".

Novos problemas se levantam à sociedade no campo da protecção dos menores e da dignidade humana pelos novos serviços audiovisuais e de informação, como a Internet.

O "Livro Verde", da responsabilidade do Comité Económico e Social da União Europeia, identificará conteúdos relevantes dos novos serviços de audiovisuais e de informação em relação à protecção de menores e à dignidade humana. Apontará depois as medidas jurídicas e constitucionais que possibilitam uma actuação sobre os conteúdos prejudiciais, mesmo os não ilícitos, como a pornografia adulta. E apresentará as possibilidades de cooperação nos domínios da justiça e da liberdade de prestação de serviços.
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