Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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PONTO DE VISTA

Uma certa perplexidade

... E termina o ano com algumas coisas estranhas. A prisão de um polícia, por ter morto, segundo noticiou a comunicação sibila, um jovem que, com alguns companheiros, teria acabado de assaltar um estabelecimento comercial em Évora, levantou, em apoio àquele agente da PSP, uma onda de solidariedade e protestos.

A decisão da juíza, ao mandar o guarda Severino para a cadeia, terá provocado surpresa não só por ordenar o encarceramento daquele agente da autoridade como por ter mandado pôr em liberdade os - e é um conceituado diário que o diz, - «presumíveis cúmplices do presumível ladrão». Ao dar-se uma notícia destas, e porque tudo parece incerto e vago, há a sensação de que se caminha num chão cheio de vidros, pois os assaltantes ainda não se sabe bem se o são, pelo menos aqueles que nós, por enquanto, não sabemos quem são. Presume-se que o sejam, posto que, perante a opinião pública, ainda não sejam, por não estarem identificados, o que os pode levar a porem um processo a quem precipitadamente os identifique como tendo sido. Um pouco nebuloso... Enquanto isto, o guarda detido era espancado por presos da cela onde o meteram. Colocado perante o facto, o senhor ministro da Justiça apreciou suavemente a agressão. Apetece dizer que os deuses andam loucos.

Só mais uma palavra: disparar a três metros de distância, contra uma pessoa não é apenas grave. É gravíssimo. Um tiro assim, nas costas de quem foge, não se considera em legítima defesa. Entre nós, a pena de morte há muito que foi banida. E, salvo em caso extremo, ela não pode ressuscitar nas mãos de um polícia.
Pacheco de Andrade
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D. Xiemens Belo, Nobel da Paz
em Santo António dos Portugueses

Cerca de 30 padres participaram na 5ª-feira, dia 19 de Dezembro, na Eucaristia a que D. Carlos Ximenes Belo, Administrador Apostólico de Dili, Timor-Leste, presidiu, pelas 18 horas, na igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma. Presentes ainda os embaixadores de Portugal e do Brasil junto do governo italiano e outros representantes diplomáticos junto da Santa Sé, bem como um numeroso grupo de fiéis que acorreram ao convite do Reitor, P. Agostibnho Borges, que, desde Julho, é adido eclesiástico da Embaixada portuguesa junto da Santa Sé.

D. Ximenes lembrou como é forte entre os timorenses a devoção a Santo António, a quem pedem protecção na guerra e todos os favores nas mais variadas ocasiões. A Eucaristia foi solenizada pela «Capela Musical» dessa igreja, um coro e orquestra que tem dado concertos de Natal em diversos lugares de Roma e que recebeu do Nobel da Paz uma bênção e palavras de grande estímulo.

No fim da Eucaristia, o Reitor ofereceu ao Bispo de Dili e familiares um jantar íntimo, em atitude de gratidão a este Bispo e de profundo respeito pela delicada condição de vida em que dá o seu testemunho de fidelidade ao Evangelho.

Curiosamente, foi de Santo António dos Portugueses, que partiram para Timor, em Julho do ano passado, as relíquias do Santo protector. E, como dizem os seus devotos, também em Timor, e depressa, ele operou maravilhas!

Este tempo de Natal tem sido oportunidade ainda para que o grupo «Lusarmonia», constituído por estudantes e trabalhadores do Instituto de Santo António dos Portugueses, se apresentasse num concerto de Natal que decorreu na referida igreja no dia 15, domingo, pelas 18,30 horas. Além de apresentação do agrupamento, este concerto quis assinalar o re-início dos cursos de Português no referido Instituto.


Violência na televisão
vai ser regulamentada

O Governo está a estudar regras a impor às televisões públicas e privadas para a emissão de programas ou filmes de violência e de sexo não recomendáveis a menores, segundo revelou o secretário de Estado Arons de Carvalho.

Até há pouco, esses filmes de sexo e violência apresentavam uma "bolinha" num dos cantos do ecrã, mas agora apenas a TVI costuma assinalar com um "A" os filmes considerados para adultos. Arons de Carvalho salientou que a questão da violência na televisão está a ser discutida por toda a Europa, falando-se no controlo da visualização de emissões violentas através de um dispositivo instalado nos aparelhos para bloquear a recepção de programas ou filmes inadequados.

O secretário de Estado manifestou que Portugal, como a generalidade dos governos da União Europeia, entende que tal dispositivo, além de difícil aplicação, "pode conduzir a uma progressiva desresponsabilização dos operadores de televisão, relativamente aos critérios a seguir na transmissão deste género de programas ou filmes", uma vez que parece legitimar a transmissão do que queiram com o argumento de que os pais podem programar a recepção dos programas como entenderem.

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