Mundo:

NOTÍCIAS DA IGREJA


Papa pede diálogo ao embaixador indonésio

Recebendo na 2.ª feira da semana junto da Semana passada, em audiência, no Vaticano, o novo Embaixador da Indonésia junto da Santa Sé, Irawan Abidin, para a apresentação das respectivas cartas credenciais, João Paulo II referiu-se expressamente a Timor-Leste, fazendo votos de que se empreenda «um diálogo mais frutuoso a todos os níveis», para que se chegue sem tardar a «uma solução justa e pacífica», correspondendo assim ao que «tem sido, desde há muito a ardente aspiração da população local».

Referindo-se à necessidade (evocada pelo Embaixador indonésio) de uma estreita «colaboração a favor das causas da paz, da justiça social, do respeito mútuo e de uma generosa cooperação entre os povos», João Paulo sublinhou «muito há ainda a fazer, em muitas partes do mundo, para construir a paz sobre bases sólidas», «através de negociações que possam resolver tensões e consolidar as formas já existentes de entendimento e cooperação», resolvendo pacificamente «situações de conflito e de tensão».

Evocando os progressos de que justamente se orgulha a Indonésia, o Santo Padre observou que «se vai tornando cada vez mais claro que o crescimento de uma nação não pode ser entendido apenas como mero progresso material». O verdadeiro progresso «há-de contribuir para o bem e para o crescimento das pessoas e dos povos», o que «envolve necessariamente uma visão moral e ética dos direitos e deveres em relação à sociedade» e «exige que todos beneficiem do desenvolvimento e que nenhum grupo seja marginalizado pela sociedade em razão do interesse privado de outros grupos».

No caso concreto da Indonésia - prosseguiu João Paulo II, aludindo ao discurso do novo Embaixador - o país «faz face à tarefa nunca acabada de promover harmonia e estabilidade entre os muitos diferentes grupos étnicos e culturais existentes, através de um sistema de estruturas legais e políticas profundamente imbuído de respeito pelas melhores tradições dos povos». O Papa fez votos de que «os problemas que inevitavelmente acompanham tais esforços sejam resolvidos através de um diálogo visando uma clara compreensão do bem comum, reconheça a presença de legítimas diversidades, respeite os direitos humanos e políticos de todos os cidadãos e promova a determinação em construir uma nação baseada na justiça para todos e na solidariedade para com todos os que vivem em situação de necessidade».

«Graças à pancasila - prosseguiu o Papa - na Indonésia vivem lado a lado em harmonia muitas tradições religiosas, e todos os cidadãos têm os mesmos direitos e deveres, independentemente das origens étnicas ou das práticas culturais ou religiosas». Há que continuar a proclamar estes princípios. É vital para a nação não esquecer nem desvirtuar esta orientação. «É necessário vigilância para garantir que todos os cidadãos assegurem a liberdade religiosa e a coexistência entre todos os crentes e respeitem efectivamente a igual dignidade de todos os cidadãos».

Foi neste contexto que João Paulo II se referiu expressamente a Timor-Leste, afirmando textualmente:

«Reflectindo sobre recentes acontecimentos relativos a Timor Oriental, tenho a esperança de que se venha a concretizar, a todos os níveis, um diálogo mais frutuoso. Todos os que, de qualquer modo, são responsáveis pelo futuro de Timor-Leste devem estar convencidos da necessidade de chegar o mais rapidamente possível a uma solução justa e pacífica. Tem sido esta, desde há muito, ali, a ardente aspiração do povo».

A concluir as palavras dirigidas ao novo Embaixador da Indonésia junto da Santa Sé, o Papa sublinhou ainda a contribuição que os cidadãos católicos asseguram à vida da sociedade: «Seguindo os ensinamentos do seu fundador, Jesus Cristo a Igreja cumpre também a importante tarefa de iluminar e formar as consciências dos cidadãos relativamente aos seus direitos e deveres como parte da comunidade nacional», cuidando que «nada se faça contra a dignidade humana, mas que todos sejam tratados com o respeito devido a criaturas amadas por Deus»
Pacheco Gonçalves
Início


... E DAS NAÇÕES


NAÇÕES UNIDAS - O novo secretário-geral das Nações Unidas, o ganês Kofi Annam, após a sua nomeação para o cargo, pediu aos 185 Estados-membros para não deixarem «enfraquecer, estiolar ou extinguir-se» aquela organização que deve, doravante, pôr-se ao serviço dos «excluidos da mundialização».

Enquanto «filho de África» e «funcionário internacional uma vida inteira», Annam comprometeu-se a fazer todo o possível para «merecer a confiança» de todos os países membros da ONU.


ZAIRE - O presidente zairense, Mobutu Sese Seko, deve, «nos próximos meses encontrar uma forma de estabelecer no Zaire uma verdadeira democracia», segundo afirmou um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA. O mesmo alto funcionário norte-americano disse que «depois de cinco a seis anos de promessas, é preciso actuar no plano político» no Zaire, «um país muito importante para a África.» Na opinião do Departamento de Estado dos EUA «é muito importante para Mobutu encontrar uma forma de abrir o sistema político aos outros» e passar as rédeas do poder «à nova geração.»

Pouco depois, Mobutu encontrou-se com os líderes dos partidos políticos da oposição, com o objectivo de estabelecer um «governo de crise».

A tomada de posição americana surge num momento difícil para o Zaire devido não só aos graves problemas na fronteira com o Ruanda, como também à doença prolongada de Mobutu, que passou os últimos quatro meses no estrangeiro, em tratamentos médicos.


CHINA - O presidente chinês, Jiang Zemin, propôs para 1997 a intensificação da campanha contra crimes de delito comum, campanha essa que, só na segunda semana de Dezembro, levou à execução de mais de 130 presumíveis delinquentes. A campanha, denominada «pegar duro», começou em Abril e no seu decurso foram já fuziladas cerca de três mil pessoas e presas dezenas de milhar, devido a crimes ligados ao jogo, à droga, à superstição e à prostituição, situações essas que, segundo a propaganda oficial recente, haviam sido erradicadas há 20 anos.


FRANÇA - O Partido Comunista Francês (PCF), no seu 29º Congresso, realizado em Nanterre, encetou, pela mão do seu secretário-geral, Rober Hue, uma política de reformas, manifestada exteriormente na abolição de velhos símbolos partidários. De facto, o PCF abandonou a foice e o martelo e há quem preconize que o vermelho deixe de ser a cor das suas bandeiras. Estes sinais são parte da tentativa do PCF para introduzir um discurso político inovador capaz de capitalizar a sua força eleitoral (cerca de 10 por cento do eleitorado) e a simpatia de que goza na opinião pública: cerca de 32 por cento dos franceses, em resposta a uma sondagem, disseram simpatizar com a acção política dos comunistas.


BÓSNIA - A Força de Estabilização da NATO (Sfor, na terminologia inglesa), o novo contingente multinacional da Aliança Atlântica na Bósnia-Herzegovina, foi formalmente investida no passado dia 20 de Dezembro, durante uma cerimónia que decorreu no quartel-general da NATO, nos arredores de Sarajevo.

A Sfor substitui a Ifor que se manteve na Bósnia durante um ano, na sequência da assinatura dos acordos de Dayton que vieram pôr termo a cerca de três anos e meio de guerra entre sérvios, croatas e muçulmanos bósnios.

A Sfor integra um contingente português e terá cerca de 35 mil homens, o que significa uma redução de cerca de 20 mil militares naquela região, devendo a sua missão prolongar-se até Junho de 1998. A grande novidade desta força multinacional é a integração de um contingente das forças armadas da Alemanha, o que sucede pela primeira vez, fora de território alemão, depois da II Guerra Mundial.
Início


Arcebispo contra o Pai Natal

O Arcebispo de S. José da Costa Rica, Ramón Arrieta, referiu-se há pouco à figura do Pai Natal dizendo que é uma vergonha que um país católico "aceite padrões culturais e pagãos, importados, como o do barrigudo Pai Natal!". Acrescentou o Arcebispo que esse personagem de vestes vermelhas e sacola de prendas nada tem a ver com a festa religiosa do Natal. E Ramón Arrieta concluiu que a aceitação dessa figura e a perda das tradições do presépio e das dramatizações da viagem e do nascimento de Jesus em Belém é um claro sinal de "subdesenvolvimento cultural".


Sindicalistas com João Paulo II

João Paulo II reafirmou o valor da solidariedade no encontro que teve, há pouco, com sindicalistas de todo o mundo. Os novos problemas levantados pela globalização da economia e pela introdução das modernas tecnologias exigem, como afirmou o Papa, que se repense o papel dos sindicatos e novas formas de representação dos trabalhadores, "nas suas diversas situações".

O encontro que decorreu em Roma ao longo de dois dias, foi promovido pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz e serviu para se estudarem novas formas de diálogo entre a Igreja e o mundo do trabalho, e para analisar o contributo que a Doutrina Social da Igreja pode dar aos actuais problemas do mundo do trabalho.

Confirmando o importante papel dos sindicatos "na representação e defesa dos direitos dos trabalhadores", João Paulo II não hesitou em lembrar que "a via a seguir é, inegavelmente, a da solidariedade" e que a função dos sindicatos deve ser a de serem instrumentos eficazes dessa solidariedade, que só pode alcançar-se "através do diálogo, da cooperação e de uma correcta e ampla convergência entre os diferentes sectores da sociedade".


A Paz em prémios Nobel

O Prémio Nobel da Paz foi atribuído a primeira vez, em 1901, a J.H. Dunant, da Suíça, que foi o fundador da Cruz Vernelha. Desde então, muitas tem sido as individualidades e instituições distinguidas com tão nobre galardão, entre as quais: Instituto de Direito Internacional do Gand, T. Roosevelt (Estados Unidos), Secretariado Internacional da Paz, Cruz Vermelha Internacional (1917), Comissão Internacional de Nansen para os Refugiados,

Cruz Vermelha Internacional (1944), "The Friend' s Service Council" e "The American Friend Service Committee", A. Schweitzer (França), Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, G. Pire, O. P. (Bélgica), Cruz Vermelha Internacional e Liga Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha (1963), M. Luther King (Estados Unidos), UNICEF, Organização Internacional do Trabalho, Le Duc Tho (Vietname) e Henry Kissinger (Estados Unidos), Andrei Sakharov (Rússia), Amnistia Internacional, Menahem Begin (Israel) e Anward Sadat (Egipto), Madre Teresa de Calcutá (1979), A. Perez Esquivel (Argentina), "Office of the United Nations High Comissioner for Refugees (Genebra), L. Walesa (Polónia), D.Tutu (África do Sul), Médicos Internacionais para a Prevenção da Guerra Nuclear, Forças Militares da ONU, Dalai Lama (Tibete), Mikail Gorbachev (Rússia), Rigoberta Menchu (Guatemala), Joseph Roblat (Inglaterra) e agora D. Ximenes Belo e Ramos-Horta, de Timor-Leste.

Início


Primeira Página Página Seguinte