Sociedade:

SEMANA A SEMANA


Início

INTERNACIONAL



ARGÉLIA
O presidente argelino, Liamine Zéroual, obteve o "sim" de cerca de 11 milhões de compatriotas a um projecto de revisão constitucional que lhe confere mais poderes e exclui os islamistas da política nacional.

Os resultados do referendo indicam que cerca de 80% dos eleitores participaram no escrutínio (uma percentagem elevadíssima e sem precedentes no país, desde a instituição do multipartidarismo, em 1989) e que mais de 85% dos votantes aprovaram as propostas de Zéroual.

Segundo alguns observadores, o resultado vai permitir a Liamine Zéroual chefiar uma "espécie de ditadura institucional", sendo o poder detido pelo Exército, com uma aparência parlamentar.

Resta saber se os islamistas aceitarão este resultado ou se vão aproveitar-se da "grande decepção" reinante no país, o que pode conduzir a uma "explosão social", segundo o investigador francês Bernard Ravenel, citado pelo jornal "Público".


CUBA
O embaixador indigitado pelo governo espanhol para representar a Espanha em Cuba, José Cordech, foi rejeitado pelo Governo de Fidel Castro, descontente com o facto de o diplomata espanhol ter declarado que permitiria a entrada, na embaixada espanhola na capital cubana, de opositores ao regime de Fidel.

Este facto veio reavivar o clima de azedume existente entre os governos de Madrid e de Havana desde que Jose Maria Aznar assumiu o cargo de primeiro-ministro espanhol e suspendeu créditos de curto prazo a Cuba, no valor de 50 milhões de dólares anuais.

Todo este clima provocou uma concentração de estudantes cubanos junto da embaixada espanhola em Havana, o que determinou a montagem de um rigoroso dispositivo de segurança em redor daquelas instalações diplomáticas.


BÓSNIA
Os dezasseis países da NATO chegaram a acordo sobre um mandato de 18 meses para a missão da nova força de manutenção da paz que substituirá a IFOR na Bósnia. A nova força deve ter cerca de 31 mil homens e dará pelo nome de SFOR (força de estabilização).


TCHECHÉNIA
As últimas tropas russas deixarão a Tchechénia até ao próximo dia 25 de Janeiro, em consequência de um decreto do presidente russo, Boris Yeltsin. Esta retirada deve ser, pois, concluida antes das eleições locais a nível legislativo e presidencial previstas para 27 de Janeiro de 1997.


ÁFRICA DO SUL
O presidente Nelson Mandela anunciou, em Joanesburgo, que é inviável a continuação das relações diplomáticas entre o seu país e a Formosa, cedendo, deste modo, a pressões exercidas pelo governo de Pequim.

"O reconhecimento diplomático da Formosa é incompatível com a política externa sul-africana", declarou Mandela que anunciou para Dezembro de 1997 o rompimento das relações com o regime de Taipé.


RÚSSIA
A Rússia, através do seu ministro da Defesa, Igor Rodionov, anunciou que pode apontar de novo os seus mísseis nucleares aos países de Leste que antes gravitaram na esfera de influência soviética se estes vierem a aderir à NATO.

A proposta de expansão da NATO aos países do Leste europeu criará, segundo aquele responsável, um clima semelhante ao que vigorou durante a "guerra fria". Os russos sentem-se particularmente vulneráveis a hipotéticos ataques aéreos da NATO ao coração da Rússia, o que seria possível se o alargamento da aliança militar ocidental se vier a verificar.

Esta posição foi assumida em vésperas da Cimeira da OSCE (Organização de Segurança e Cooperação na Europa) que reuniu em Lisboa nos dias 2 e 3 deste mês.


ZAIRE
Uma força internacional comandada pelo Canadá iniciou a distribuição, por via aérea, de material sanitário e de vacinas na região dos Grandes Lagos africanos onde se encontram centenas de milhares de refugiados em fuga ao conflito que ainda grassa na zona fronteiriça entre o Zaire e o Uganda.


CABO VERDE
O secretário-geral do PAICV, Aristides Lima, criticou a "desgovernação de Cabo Verde" e apelou aos seus militantes para um maior empenho no trabalho partidário para ser possível a alternância de poder nas próximas eleições.

Aristides Lima considerou que o partido no governo "não respondeu à chamada do desenvolvimento e da solidariedade" e não cuidou suficientemente da cultura, que é "fonte de identidade nacional e força para resistir à globalização".


ISRAEL
Israel e a Turquia assinaram recentemente um novo acordo de cooperação militar que prevê a realização de manobras conjuntas no ano de 1997 e o treino da aviação dos dois países nos respectivos espaços aéreos. Este acordo foi, de imediato, criticado fortemente pelos vizinhos árabes do dois parceiros, nomeadamente o Iraque, a Síria, o Egipto e o Irão.
Início


PONTO DE VISTA

Falso proprietário

Acabo de ler e custa-me a acreditar!... Afinal, não foi só na ex-URSS que as pessoas foram testadas como cobaias para se avaliarem os efeitos da radioactividade em seres humanos. Recordo imagens que, não há muito, a televisão nos deu sobre as deformações e doenças a que populações de algumas províncias da antiga União Soviética foram condenadas, para que o Estado-patrão soubesse que poderia com eficácia a sua paranóplia nuclear. Também nos Estados Unidos, em 1945, doze pessoas, e sem o saberem, foram injectadas com urânio e plutónio!... Ressalve-se que o governo federal indemnizou com 60 mil contos cada uma das vítimas, embora isso, em termos de vida, não lhes valesse de nada.

Apenas uma sobrevive. Mas também na Grã-Bretanha, conforme o admite o próprio Ministério britânico da Defesa, no decurso dos últimos 40 anos foram feitas experiências para se avaliarem os efeitos da radiação nuclear em seres humanos. Este Ocidente...

Em causa, como sempre, a vida. O curioso é que a pessoa humana, quer pelas Nações Unidas quer pelos Estados, é considerada intocável na sua dignidade e nos seus direitos. No entanto, a violação dessa dignidade e desses direitos está à vista. Nunca como agora se discutiu tanto a vida humana. Mais, porém, para a pôr em causa do que para a defender. Quando se encara a vida como propriedade sobre a qual se tem direito absoluto, não há limites para nada. O aborto, a eutanásia, as experiências de risco em pessoas usadas como cobaias são opções de um pseudo-proprietário, que o não é. Apenas administrador. Em quem Deus delegou poderes que não são absolutos. É isso. Deus delegou...
Pacheco de Andrade
Início


Primeira Página Página Seguinte