Liturgia:

A MESA DA PALAVRA

III DOMINGO ADVENTO

15 de Dezembro


Leitura do Livro de Isaías Is 61, 1-2a. 10-11

O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, a promulgar o ano da graça do Senhor. Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que cinge a fronte com o diadema e a noiva que se adorna com as suas jóias. Como a terra faz brotar os germes e o jardim germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante de todas as nações.


Salmo Responsorial Lc 1, 46-48. 49-50. 53-54 (R. Is 61, 10b)

Exulto de alegria no Senhor.

A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
porque põe os olhos na humildade da sua serva:
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada
todas as gerações.

O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração
sobre aqueles que O temem.

Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu-os de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrando da sua misericórdia.


Leitura da Primeira Espístola do apóstolo
São Paulo aos Tessalonicenses 1 Tes 5, 16-24

Irmãos: Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus. Não apagueis o Espírito, não desprezeis os dons proféticos; mas avaliai tudo, conservando o que for bom. Afastai-vos de toda a espécie de mal. O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser - espírito, alma e corpo - se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. É fiel Aquele que vos chama e cumprirá as suas promessas.


Aleluia. Aleluia.

O Espírito do Senhor está sobre mim:
enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo
segundo São João Jo 1, 6-8. 19-28

Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: «Quem és tu»? Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: «Eu sou o Messias». Eles perguntaram-Lhe: «Então, quem és tu? És Elias?» «Não sou», respondeu ele. «És o Profeta?». Ele respondeu: «Não». Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?» Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: 'Endireitai o caminho do Senhor', como disse o profeta Isaías». Entre os enviados havia fariseus que lhe perguntaram: «Então, porque baptizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?» João respondeu-lhes: «Eu baptizo em água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». Tudo isto se passou em Betânia, além Jordão, onde João estava a baptizar.

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SUGESTÕES LITÚRGICAS

1. As leituras de hoje prestam-se à maravilha para ajudar a comunidade cristã a viver a dinâmica de preparação para o Jubileu. Um dos melhores comentários que se podem ler à primeira leitura é feito pela Carta Apostólica Tertio Millennio Adveniente 11 e ss. É igualmente precioso o contributo das leituras deste Domingo para um aprofundamento do tema central deste ano: quem é Jesus Cristo? Tenha-se em conta também que este é o «domingo da alegria», outro tema típico do «Jubileu».

2. Neste 3º Domingo do Advento a atenção começa a centrar-se nas circunstâncias e significado do nascimento histórico de Jesus, com relevo para o testemunho de João Baptista. Será esta a perspectiva dominante na Liturgia a partir do dia 17, numa oitava de preparação toda ela voltada para a celebração iminente do Natal. Esta dinâmica de preparação pode estimular práticas novas e antigas, ajudando as comunidades a uma celebração mais frutuosa. Entre as práticas tradicionais que se podem revitalizar conta-se a novena do Menino, a enriquecer com o contributo do leccionário ferial da Missa e com elementos da Liturgia das Horas, como as célebres «antífonas do Ó», que acompanham o Magnificat na Hora de Vésperas. Recomendamos também a realização de celebrações penitenciais incluindo o Sacramento da Penitência: o respectivo Ritual oferece um esquema de celebração para o Advento.

3. Leitores: 1ª leitura: Este poema de Isaías requer um tom de voz apropriado, nomeadamente na 2ª parte: «Exulto de alegria...». Atenda-se, na 1ª parte, à enumeração que segue o verbo «enviou», fazendo uma cesura no fim de cada frase, sem deixar cair o tom de voz. A 2ª parte tem um ritmo próprio imposto pelo paralelismo (a segunda frase reforça o sentido da primeira: paralelismo sintético). Faça senti-lo, enquadrado no pivot de cada frase: 1º «exulto de alegria...»; «Deus fará brotar a justiça e o louvor...».

2ª leitura: O texto pode ser dividido em duas partes: 1ª «Vivei... espécie de mal»; 2ª «O Deus da paz...». A primeira parte reduz-se a uma série de enumerações que devem ser destacadas por cesuras. Exemplo: «...alegres/ cessar/ circunstâncias// Jesus/// Espírito/ proféticos// bom/// mal///». Na segunda parte, suspenda o tom em «vosso ser», para dizer claramente: «espírito, alma e corpo».

4. Sugestão de cânticos: Entrada: Alegrai-vos sempre, F. Santos, BML 38, 11; O Senhor vem, M. Luís, NCT 25; Salmo Resp.: A minh alma exulta, F. Santos, BML 43, 14 ou M. Luís, SR(B), 24; Aclam. ao Ev.: O Espírito do Senhor, F. Santos, BML 33, 17 ou M. Simões, NCT 36; Ofertório: Sabedoria infinita, F. Santos, BML 43, 19; Povo de Deus, M. Luís, NCT 40; Comunhão: Dizei aos desanimados, F. Santos, BML 43, 17; Maranatha, aleluia, F. Santos, NCT 44; O Senhor nosso Deus, F. Santos, NCT 45; Fim: Ó céus, dai-nos o Justo, BML 43, 10; Descei, Senhor Jesus, M. Luís, NCT 52.

5. Sugestão de cânticos para a celebração comunitária da Penitência: Entrada: Despertai adormecidos, M. Luís, NCT 430; Deus está diante do homem, F. Santos, BML 13, 8; Vinde, Senhor, vinde salvar-nos, M. Luís, NCT 431; Salmo Resp.: Voltai para mim o vosso olhar, M. Luís, NCT 434; Aclam. ao Ev.: Preparai o caminho do Senhor, F. Santos, NCT 436; Durante as Confissões: Despertai, Senhor, o vosso poder, M. Faria, NCT 438; Senhor, compadecei-vos de mim, M. Luís, NCT 442; Tende compaixão de mim, M. Luís, NCT 443; Povo de Deus, M. Luís, NCT 40; NCT 456, 457, 458, 459, 466, etc. ...; Proclamação do louvor pela misericórdia de Deus: O Senhor nosso Deus virá, F. Santos, NCT 45; NCT 465; Fim: Rorate coeli, NCT 59; Vinde, vinde, não tardeis, NCT 51.
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Exulto de alegria no Senhor!

A alegria que caracteriza este Domingo está ligada ao motivo de que «o Senhor está perto» (Fl 4, 5), mas apoia-se, sobretudo, no facto de estar perto o Messias dos «pobres» (Is 61, 1), isto é, daqueles que põem toda a sua confiança, esperança e expectativa apenas em Deus. À alegria destes «pobres» associa-se a alegria de Maria, a «serva» que vê premiada na divina maternidade a sua «humildade» (Lc 1, 46-48). À pergunta: quem é Jesus?, a liturgia de hoje responde: É Aquele que foi «enviado a dar a boa nova aos pobres» (Is 61, 1; cf. Lc 4, 18).

1. O ano da graça do Senhor (Is 61, 1-2a.10-11)

Esta leitura do «Terceiro Isaías», em que ecoam os cânticos do Servo de Yahweh (cf. Is 42, 1.7; 49, 9; 50, 4-11), tem duas partes: na primeira (vv. 1-2a) o profeta descreve a sua vocação e resume o conteúdo da «boa nova» de paz, amor e libertação que recebeu de Deus para transmitir ao povo dos «pobres» de Yahweh; na 2ª (vv. 10-11) apresenta-nos a acção de graças de Sião pela salvação de Deus, expressão do Seu amor esponsal.

Característica tanto da boa nova como da acção de graças é a alegria. Trata-se da alegria própria dos tempos messiânicos, motivada pela presença do Salvador e da Salvação. Renovado pelo «jubileu» («o ano de graça») em que se restabelece um mundo novo na justiça, na liberdade e na paz, Israel vive com Deus numa Aliança de amor indefectível. Israel-esposa, recebe de Deus-Esposo a veste da salvação, o manto da Justiça, a coroa nupcial da fidelidade... A alegria é a respiração normal desta vida feliz.

Ambas as partes do poema encontram o seu eco no NT: na sinagoga de Nazaré é o próprio Jesus que faz sua esta missão profética de arauto da «Boa Nova» (Lc 4, 18-19); o júbilo de Sião é retomado pelo magnificat da humilde serva do Senhor, radiante pelas maravilhas que o todo poderoso nela operou (cf. Lc 1, 46 ss.: neste domingo proposto como Salmo Responsorial).

2. Alegres e irrepreensíveis, por ocasião do Advento do Senhor (1 Tes 5, 16-24)

A 2ª leitura propõe-nos um excerto do final do mais antigo escrito do NT. O texto inclui as recomendações finais do Apóstolo e uma última oração, antes da saudação de despedida.

O horizonte supremo e constante que qualifica a vida cristã é a iminência do «Dia da Vinda [= «Advento» ou «Parusia»] de nosso Senhor Jesus Cristo». É esse o fundamento perene da alegria; é essa a razão da oração incessante de súplica e acção de graças; também o incremento dos carismas que edificam a Igreja, o compromisso evangelizador, o discernimento dos autênticos valores e o empenho diligente na prática do bem se entendem melhor a essa luz. Tudo isso, afinal, conflui na «santificação», objecto da prece de Paulo: obra do Deus fiel, esta santificação plena e integral dos cristãos é invocada como preparação radical e indispensável para o grande «Advento».

3. No meio de vós se encontra Quem não conheceis (Jo 1, 6-8.19-28)

A 1ª parte do texto litúrgico integra-se no grandioso prólogo que serve de pórtico ao 4º Evangelho. Aqui (vv. 6-8; também v. 15) toda a missão do Precursor é definida como um «dar testemunho da Luz». E o Evangelista insiste na distinção entre a Luz - o Verbo - e a testemunha da luz. Note-se, desde já, que o tema do «dar testemunho» e a sua finalidade - «a fim de que todos acreditassem por meio dele» - é de capital importância em todo o corpo joanino (4º Evangelho, Apocalipse e Cartas).

A 2ª parte do texto proclamado apresenta-nos o «primeiro dia» do «testemunho» de João. O Evangelho abre com um autêntico processo em que o Baptista se confronta com as autoridades vindas de Jerusalém (vv. 19-28). Mas, no fundo, quem está em causa não é João e o seu Baptismo, mas sim Jesus e a sua obra salvadora.

Um pormenor significativo, que a nossa tradução não transmite: às diversas perguntas relativas à sua identidade, João responde sempre com um «não sou»; e mesmo à pergunta final («Quem és tu?...») não responde com o «eu sou a voz...» mas somente com «Eu[?] A voz de quem brada...». De facto, no 4º evangelho só Jesus pode dizer «Eu sou». E nesse «Eu sou» se vela e revela a sua condição divina (cf. Ex 3, 14).

Ao interrogatório acerca da identidade da testemunha segue-se a pergunta acerca do fundamento e sentido do seu baptismo. O baptismo de João é visto aqui em função da manifestação daquele que já está presente, mas ainda oculto. No 2º dia do testemunho de João apontar-se-á claramente o desconhecido e dir-se-á que é Ele quem trará o esperado e definitivo Baptismo escatológico: «Ele é que baptiza com o Espírito Santo» (v. 33).

Em suma, segundo o 4º Evangelho, o testemunho de João Baptista está orientado para a fé n'Aquele que é a Luz. Concretamente este testemunho cumpriu-se em termos de preparação (da manifestação do Verbo), anúncio (da sua presença oculta) e apresentação (vv. 29-37). Uma vez cumprida esta missão de «amigo do Esposo», João Baptista retirar-se-á, discreto e alegre por ouvir a voz do Esposo (cf. Jo 3, 29-30).

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A caminho do Grande Jubileu

«[Na Sinagoga de Nazaré, Jesus], deu a entender que o Messias anunciado pelo Profeta era Ele mesmo e que nEle começava o tempo tão ansiado: tinha chegado o dia da salvação, a plenitude dos tempos. Todos os jubileus se referem a este tempo e aludem à missão messiânica de Cristo, vindo como consagrado com a unção do Espírito Santo, como enviado pelo Pai. É Ele que anuncia a boa nova aos pobres. É Ele quem traz a liberdade aos que dela estão privados, dá vista aos cegos (cf . Mt 11, 4-5; Lc 7, 22). Realiza assim um ano de graça do Senhor, que Ele anuncia não apenas com palavras mas antes de mais com as suas obras. O Jubileu, ano de graça do Senhor, é uma característica da actividade de Jesus e não a definição cronológica dum certo aniversário (TMA 11).

A Liturgia do Advento, com o seu carácter de espera da vinda do Senhor, que é ao mesmo tempo a do passado e a do futuro, é um tempo apto para descobrir na própria vida o projecto de Deus e preparar-se para «aquela nova primavera de vida cristã que deverá ser revelada pelo Grande Jubileu, se os cristãos forem dóceis à acção do Espírito Santo (TMA 18)

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