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SEMANA A SEMANA


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...INTERNACIONAL


O presidente norte-americano, Bill Clinton, conseguiu ser reeleito para a presidência dos EUA com 50 por cento dos votos, ou seja foi escolhido por 32 Estados, enquanto o seu adversário, Bob Dole, apenas conseguiu a preferência de 19 Estados. O milionário Ross Perot, terceiro candidato presidencial, não conseguir vencer em qualquer dos Estados. Em termos percentuais, Clinton conseguiu 50 por cento dos votos, Dole 42 por cento e Perot apenas 8 por cento.

O chefe de estado da Rússia, Boris Yeltsin, retomou as rédeas do poder, 24 horas depois de ter sido submetido a uma operação cirúrgica ao coração. Yeltsin havia delegado no primeiro-ministro Viktor Chernomirdine os poderes presidenciais durante o período em que esteve nas mãos da equipa médica. Após sete horas de operação, durante a qual lhe foram colocadas cinco pontes coronárias (designadas correntemente por "by-pass"), Yeltsin iniciou um rápido processo de recuperação da saúde, que lhe permitirá voltar a jogar ténis no espaço de três a quatro meses, segundo o dr. DeBakey, especialista norte-americano que assistiu à operação.

A primeira-ministra do Paquistão, Benazir Bhutto, foi demitida do cargo na passada semana por decisão do presidente do país, Frooq Ahmed Leghari, que a acusou de corrupção, nepotismo e de ser responsável pela morte de vários milhares pessoas nos últimos anos.

Bhutto declarou que vai recorrer da decisão para o Supremo Tribunal e acrescentou que quem devia abandonar o cargo era o presidente Leghari. A ex-primeira-ministra afirmou, por outro lado, que vai opor-se à acção presidencial por todos os meios constitucionais, logo que tenha para tal oportunidade.

Continua a tragédia no Leste do Zaire, uma região isolada do mundo, onde os refugiados "morrem como moscas", segundo testemunhos de hutus ruandeses que regressaram ao seu país e informaram as Nações Unidas.

Enquanto a tragédia continua, a comunidade internacional tem dificuldade em pôr-se de acordo quanto aos meios e extensão da intervenção armada naquela região, única possibilidade de terminar com as mortes de cerca de mil pessoas por dia. Enquanto a União Europeia e a Organização de Unidade Africana defendem a intervenção armada com fins humanitários, a ONU continua sem tomar uma decisão, até porque os Estados Unidos, após as eleições, atravessam um período de reorganização da administração e a sua participação é considerada essencial.

O Chile foi o país anfitrião de todos os outros países sul e centro-americanos, de língua castelhana e portuguesa que, conjuntamente com Portugal e Espanha, se reuniram em Cimeira, a VI Ibero-Americana. Vinte e três países estiveram representados, entre eles Cuba, com a presença inédita de Fidel Castro, para se debruçarem sobre o tema da "governabilidade para uma Democracia eficiente e participativa". O próprio Fidel Castro apôs a sua assinatura no documento final que apela à instauração e consolidação da democracia no continente americano.

A Síria manifestou o desejo de ver a União Europeia ter um papel mais activo no processo de paz no Médio Oriente, através da presença na região de um enviado especial.

Entretanto, o clima socio-político na região abrandou um pouco devido ao facto de Israel ter decidido reabrir as suas fronteiras aos trabalhadores palestinianos da Faixa de Gaza, no próprio dia em que um palestiniano foi morto perto de Ramallah por soldados israelitas.

Ao mesmo tempo, a aviação israelita bombardeou posições de guerrilheiros pró-iranianos no sul do Líbano, em resposta a ataques da guerrilha do Hezbollah ao território judaico.
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PONTO DE VISTA

O que importa

É triste o espectáculo a que, nestes últimos dias, temos assistido. Os ataque ao procurador-geral da República, as acusações mútuas de violação do segredo de Justiça, a mediatização de um processo que devia correr sem quaisquer pressões, a mundanização do lançamento de um livro que se tornou acontecimento social, tudo isto a contrastar com o silêncio sobre os setenta hemofílicos que já morreram e os outros setenta que caminham para a morte, levam-nos a pensar em como tudo ganha evidência e se torna relativo consoante o estatuto social das pessoas.

Se se acredita na isenção dos tribunais, para quê toda esta agitação? Se não se acredita, então fará sentido a actual movimentação mediática. Mas a brecha assim aberta no edifício da Justiça é irreparável, porque, a partir daí, institucionaliza-se um processo de dúvida que pode atingir todos os juízes. Não há profissões virgens. E a magistratura - que está a perder a sua instangibilidade de vaca sagrada - também o não é. No entanto, as falhas que há não autorizam que se desacredite o fiel da balança dos nossos desentendimentos e das ilegalidades e crimes que se cometem.

O caso Leonor Beleza começa com a contestação generalizada à sua actividade como ministra da Saúde, uma contestação violenta, por vezes, suspeita. O problema, agora, é outro, tem a ver com pessoas. E se é disparate acusá-la de ter agido com dolo, importa, no entanto, saber se ela é responsável por não se ter evitado, a tempo, que cento e quarenta doentes recebessem sangue infectado. Setenta já morreram. A questão é esta. O resto é política.
Pacheco de Andrade
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