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...INTERNACIONAL


A Rússia e a NATO vão assinar "uma carta ou um acordo" definindo as suas relações, "até ao princípio de 1997", segundo revelou o secretário-geral da NATO, o espanhol Javier Solana.

O documento deverá incluir três partes: uma declaração de princípios, uma secção sobre os mecanismos de conduta mútua e uma terceira que estabelecerá os termos da cooperação entre as duas partes.

O presidente cubano, Fidel Castro, esteve reunido durante três horas com o enviado do Vaticano, Cardeal Jean-Louis Tauran, que visitou oficialmente Cuba.

O encontro decorreu em ambiente "cordial e de respeito", e nele foram discutidos "os esforços do povo e do governo de Cuba para continuarem a trabalhar para o desenvolvimento económico do país", segundo informação oficial cubana.

A visita do cardeal Tauran, que durou quatro dias, é tida internacionalmente como o prelúdio de um futuro encontro entre o Papa João Paulo II e o líder cubano, Fidel Castro.

O número de soldados da IFOR, força internacional multinacional encarregada de manter a paz na Bósnia, deve ser reduzido para menos de 50 mil homens, nestes dias, segundo fontes da NATO, em Buxelas.

Esta redução, que será efectuada antes do início do rude Inverno dos Balcãs, significa que se está a consolidar o clima de paz na região, onde foram criados, após as eleições presidenciais de Setembro, grupos de trabalho que devem elaborar propostas, aceitáveis pelas três comunidades étnicas, relativamente à política externa e ao futuro governo.

É cada vez mais intolerável o clima de guerra que grassa na fronteira entre o Zaire e o Ruanda, com centenas de milhar de pessoas em fuga, em direcção à Tanzania. Apesar de as forças dos dois países negarem o confronto directo, a verdade é que grupos armados de um e outro lado, com fortes conotações éticas, têm semeado a violência e a morte na região.

As organizações humanitárias internacionais têm sido incapazes de actuar por falta de meios adequados, sendo já evidente o mal estar mundial quanto à situação na região. Uma mini-cimeira dos países com fronteiras comuns na região dos grandes lagos centro-africanos, aprazada para esta semana, pode encontrar uma solução, embora o Zaire se mostrasse relutante em participar.

Na Europa são muitas as vozes que pedem uma intervenção armada que propicie a abertura de corredores humanitários para socorro às vítimas, mas o consenso tem sido dificultado pela realização das eleições presidenciais norte-americanas, já que se torna imprescindível a participação dos EUA numa operação que se afigura de grande vulto.

Entretanto, chegou a notícia de que entre os milhares de vítimas do conflito figura o Arcebispo de Bukavu, Mons. Christophe Munzi Hirwa, assassinado no passado dia 29 de Outubro.

Um avião das linhas aéreas brasileiras TAM despenhou-se, pouco depois de levantar voo, sobre um bairro situado nas imediações do aeroporto de Congonhas, nos arredores de S. Paulo. O acidente causou cerca de 100 mortos.

A justiça chinesa condenou a uma pena de 11 anos de prisão um dos mais conhecidos dissidentes, Wang Dan, de 27 anos, que se encontra detido desde Maio de 1995, "por conspiração para subverter o governo chinês". Wang Dan foi um dos animadores da manifestação da Praça de Tianamen, em 1989, e a sua condenação levantou um coro de protestos em todo o mundo. Estas críticas foram rejeitadas pelo governo chinês, sob pretexto de que os estrangeiros não têm que se pronunciar sobre este assunto que, na opinião dos dirigentes chineses, "nada tem a ver com questões de direitos humanos."
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PONTO DE VISTA

Mais fácil...

A intolerância usa termos como «hipócrita» e outros assim, quando fala da questão do aborto e vê que alguém defende a vida dos nascituros.Poucos temas, ou mesmo nenhum, desencadeiam uma polémica tão apaixonada. Digamos que é toda a sociedade que está em causa e que controverte sobre a continuidade, ou não, de viver.

Nesta discussão tão intensa e tão extensa, a vida quase entra em eclipse, porque o debate corre-lhe à margem e fica circunscrito à sua área marginal, que é a do processo em que ela, a vida, se apresenta à sociedade e é aceite ou recusada por esta. Isto é, discutem-se os ramos, silencia-se sobre o tronco.

Quando ouço falar de hipocrisia em relação à Igreja - e aqui anda outro equívoco, que é o de pretenderem localizar este tema na sacristia - penso em uma outra hipocrisia, essa, clamorosa mas engavetada, e de que já ninguém fala. E, no entanto, ela está na raiz de toda esta polémica universal, como o está na dos grandes cataclismos sociais que comprometem a paz e tornam instáveis os governos. Refiro-me ao escândalo dos que têm tudo e dos que não têm nada, à riqueza concentrada numa pequena percentagem da população, aos gastos multimilionários com o armamento, ao egoísmo desenvolvimentista que cega as grandes potências, ao descaramento com que, por exemplo, os Estados Unidos, ao dizerem que se trata de um «problema africano», se alheiam da tragédia do Zaire, onde mais de um milhão de pessoas estão em risco de morrer à fome. Um mundo em que todos, em todos os continentes, podiam ter alguma coisa - mais do que o suficiente - se todos os governos quisessem e se entendessem. Dizer quem não deve nascer é mais fácil.
Pacheco de Andrade
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