Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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...INTERNACIONAL


PALESTINA - Confrontos violentos entre palestinianos e tropas israelitas em várias cidades da Palestina provocaram cerca de 60 mortos, situação que se revela comprometedora para o prosseguimento do processo de paz na região.

O pretexto para os confrontos foi a decisão de Israel em abrir um túnel arqueológico que passa sob o monte do Templo, onde se situam as duas grandes mesquitas de Jerusalém - a mesquita El-Aksa e a Dom do Rochedo, lugares sagrados para os seguidores do Islão.

O túnel datado de há mais de dois mil anos foi reaberto às visitas turísticas, o que foi entendido como uma ofensa àqueles lugares santos do Islão.

A ameaça de guerra generalizada que chegou a pairar no ar foi, segundo tudo o indica, travada pela decisão de Yasser Arafat de pôr termo aos confrontos utilizando a polícia palestiniana e pela decisão de se encontrar com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, sob patrocínio dos EUA a fim de encontrar uma saída para mais esta crise.


ARMÉNIA - Dias depois das eleições presidenciais na Arménia que permitiram a reeleição de Levon Ter-Petrosian (com 51,75 por cento dos votos), cerca de dez mil adeptos do candidato derrotado, Vazguen Manukian, invadiram as instalações do Parlamento e espancaram o presidente da assembleia e o seu adjunto que tiveram de ser hospitalizados.

Em resposta unidades de elite do exército ocuparam posições na capital, Erevan, guardando, nomeadamente, o palácio presidencial e o edifício da televisão, para tentarem evitar qualquer tentativa de golpe.


AFEGANISTÃO - Os rebeldes afegãos, denominados "taliban" - estudantes de Teologia islâmica e fundamentalistas dessa religião - tomaram pela força a capital do país, Cabul, e instalaram o regime islâmico, revogando todas as leis e costumes que entendem estar em oposição à leis do Corão. O presidente afegão - Najibullah - foi enforcado na praça pública e o novo regime suspendeu o mandato de todos os representantes do Afeganistão no estrangeiro.


BÓSNIA - Os resultados das eleições do dia 14 de Setembro na Bósnia, apesar das controvérsias que se geraram à sua volta, foram confirmados pela OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa), responsável pela sua realização e organização.

Em consequência, a presidência colegial da Bósnia para a qual foram eleitos o muçulmano Alija Izetbegovic, o croata Kresimir Zubak e o sérvio Momcilo Krajisnik já realizou a primeira reunião, tal como havia sido previsto nos acordos de Dayton.


ARGÉLIA - Um atentado com um carro armadilhado ocorrido no passado dia 27, num mercado de Boufarik, a 20 quilómetros de Argel, provocou cerca de 27 mortos, apesar de as informações oficiais falarem apenas de sete. O número mais elevado de mortos foi referido por elementos de grupos de autodefesa e ficou a dever-se ao facto de, no momento, se encontrarem no mercado, além dos clientes habituais, os convidados de um casamento. Este será, assim, um dos mais sangrentos atentados ocorridos na Argélia.


BIRMÂNIA - A Junta Militar que detém o poder na Birmânia decretou um bloqueio de três dias à residência de Aung San Suu Kyi, a líder oposicionista da Liga Nacional para Democracia (LND) e deteve cerca de 300 militantes e simpatizantes deste movimento. Os militares birmaneses contestam a reunião promovida por aquela Nobel da Paz para comemorar o oitavo aniversário da LND. O bloqueio impediu que cerca de 120 delegados se deslocassem a casa de Aung Suu Kyi e cerca de 100 pessoas foram detidas pela polícia quando para lá se dirigiam.
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PONTO DE VISTA

Eutanásia

Era possível. Depois de acolhido legalmente o aborto, não constitui assim uma surpresa tão grande que a eutanásia tenha a mesma aceitação por parte daqueles que entendem que uma pessoa pode dispor da vida de outrem. Se pode dispor de uma vida que não é a sua, por que não, também, da sua?

Numa civilização de prazer como a nossa, que anacronizou valores que são intemporais, é difícil, praticamente impossível, se se adoptarem critérios em moda, estabelecer barreiras á livre escolha. A determinação e a vontade de cada um deixam de ter limites. Dir-se-á é que é quase impensável saber aonde poderá levar esta cavalgada sem fronteiras, que vê tudo na horizontal e que não suporta que se lhe anteponham os valores da vida. Há uma lógica desgraçada em toda esta confluência de desastre que, assumindo um hedonismo que ultrapassa tudo, estabelece uma anarquia de critérios em relação àquilo que no essencial valoriza e autentica o ser humano.

Pela primeira vez, um país, a Austrália, legaliza o suicídio, ao admitir a prática da eutanásia. E, também pela primeira vez, usufruindo a lei, um doente decide pôr termo à vida. Perante este facto, por enquanto insólito, os políticos daquele país reagiram negativamente, ao condenarem a morte por contra própria. Que consequências, que abusos, que interpretações, que aproveitamentos e, sobretudo, que desvalorização da vida decorrerão de uma liberdade pessoal que a ela mesma se suicida?

A vida é um dom, não é uma posse. Todos a administram, ninguém é senhor absoluto dela. Porque, se nos convencermos de que não é assim, então ficam abertas todas as portas para a aventura e para o apocalipse.
Pacheco de Andrade
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