| Liturgia: | |||
28.º DOMINGO-A TEMPO COMUM
13 de Outubro
Leitura do Livro de Isaías
Is 25, 6-10a
Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de
preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos,
um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos
puríssimos. Sobre este monte, há-de tirar o véu
que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações;
destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará
as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer
da terra inteira o opróbio que pesa sobre o seu povo. Porque
o Senhor falou. Far-se-á naquele dia: «Eis o nosso
Deus, de quem esperávamos a salvação; é
o senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos
e rejubilemos, porque nos salvou. A mão do Senhor pousará
sobre este monte».
Salmo Responsorial Sal
22
Habitarei para sempre na casa do Senhor.
O Senhor é meu pastor: nada me falta.
leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.
Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós
estais comigo;
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem
de confiança.
Para mim preparais a mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça
e o meu cálice transborda.
A bondade e a graça hão-de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.
Leitura da Epístola do apóstolo
S. Paulo
aos Filipenses Filip. 4, 12...20
Irmãos: Sei viver na pobreza e sei viver na
abundância. Em todo o tempo e em todas as circunstâncias,
tenho aprendido a ter fartura e a passar fome, a viver desafogadamente
e a padecer necessidades. Tudo posso n'Aquele que me conforta.
No entanto, fizestes bem em tomar parte na minha aflição.
O meu Deus proverá com abundâncias a todas as vossas
necessidades, segundo a sua riqueza e magnificência, em
Cristo Jesus. Glória a Deus, nosso Pai, pelos séculos
dos séculos. Amen.
Aleluia. Aleluia.
Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo
ilumine os olhos do nosso coração,
para sabermos a que esperança fomos chamados.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo
segundo S. Mateus Mt
22, 1-14
Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: «O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: 'Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas'. Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos. O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. Disse então aos servos: «O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes'. Então os servos, saindo peso caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados. O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial e disse-lhe: 'Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?' Mas ele ficou calado. O rei disse então aos servos: 'Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes'. Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos»..
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«Está posta a Mesa da Festa!» (Isaías)
O nosso texto vem do chamado Apocalipse de Isaías, a secção mais recente (séc. IV a.C.). O profeta evoca o Dia Novo da Salvação final sob a forma dum Banquete em Sião. Refeição de aliança e comunhão, desenrola-se na Jerusalém messiânica que já no Salmo 87/86, é a mãe de todos os povos. O Senhor do Universo convocará todos os povos que verão a salvação de Deus ao seu povo (e o castigo de Moab. Os textos da época não esquecem este ajuste de contas ... ). Banquete de vitória, o inimigo para sempre esmagado é a Morte. O véu, o pano que cobre o rosto, pode ser sinal de luto; a destruição da morte fará desaparecer os sinais de luto. Mas o contexto é de revelação; pode tratar-se do véu que impede de compreender: Deus revela às Nações o Seu amor salvador (para com Israel).
Embora o texto não fale explicitamente de ressurreição (pode referir-se imediatamente à restauração do povo que o exílio deixou como morto, cf. Ez 37,1-14), o profeta diz a certeza de que Deus é o Senhor absoluto da morte e da vida. Para os convidados ao Banquete messiânico em Sião, a morte deixa de existir. O N.T. recorda este texto, ao falar da vitória realizada na Ressurreição de Jesus, que será estendida a todos os crentes (1Co 15, 54-55).
A perspectiva do profeta é a do seu povo humilhado diante dos pagãos; mas as expressões prestam-se a uma leitura francamente universalista.
O Povo salvo canta a sua acção de graças ao Senhor que não desiludiu a confiança nele depositada. É a atitude dos «Pobres de Yahvé», tão frequente nos Salmos. Aliás, toda a perícopa reflecte a espiritualidade dos «Pobres». O Salmo responsorial que se segue (22/21) é a mais bela expressão da piedade dos «Pobres» que viviam à volta do Templo. «Este Monte» é o centro da sua vida religiosa.
Nós, cristãos, não podemos esquecer o Banquete eucarístico, festim dos eleitos, que Cristo inaugurou no «monte Sião» (o Cenáculo), agora celebrado na Igreja de todos os povos, e que vai conduzindo, dia a dia, até ao Banquete eterno.
O Banquete nupcial (Evangelho)
Esta parábola é paralela a Lc 14,16-24, em contexto bem diferente. Exprime bem a tonalidade festiva da Mensagem de Jesus, a Boa Nova do Reino de Deus. As Núpcias simbolizam a comunhão jubilosa e definitiva de Deus com o seu povo, na pessoa do Filho que desposou a Humanidade. Jesus gosta da imagem. Fala dos «amigos do Esposo» que não podem jejuar enquanto o Esposo está com eles (Mt 9,15). Muitos virão do Nascente e do Poente sentar-se a mesa com Abraão, Isaac e Jacob no Reino dos Céus; e não falta a nota polémica, porque os «filhos» serão lançados fora (8,11-12). A parábola corresponde à situação: os pobres, os pecadores, os marginais seguem Jesus; os fariseus e os escribas escandalizam-se por Ele conviver com tal gente! Jesus denuncia o escândalo farisaico: «atenção, quando o Evangelho vos é anunciado, o Reino de Deus está aí; não arranjeis desculpas: seria excluir-vos do reino. Realizai a necessária conversão!»
O contexto de Mt é o dos apelos de Jesus aos responsáveis de Israel que já planeavam a sua morte. Daí, os contactos com a parábola central dos vinhateiros homicidas: o envio sucessivo de servos que são maltratados e a destruição da Cidade. A parábola torna-se alegoria: o Rei é Deus; as Núpcias do Filho é a Vinda messiânica na pessoa de Jesus: Ele põe-se inequivocamente no centro de toda esta história! Os enviados são os profetas e, depois, os missionários cristãos. A cidade destruída é Jerusalém. Mt escreve depois do ano 70; os cristãos interpretam a destruição de Jerusalém pelos romanos como o Juízo de Deus. Significativo que o castigo da Cidade é motivado, não só pela recusa do Filho, mas também pelo assassínio dos enviados! Já se contavam três ali mesmo: Estêvão, Tiago de Zebedeu e Tiago irmão do Senhor! Os que são chamados na rua, depois dos pecadores que Jesus foi chamando, são os pagãos, a quem Jesus envia os Apóstolos.
Esta parábola, reflectindo a tensão entre Jesus e as autoridades judaicas, reflecte ainda mais a tensão entre a igreja de Mt e o judaísmo oficial que se reorganizou depois de 70, excomungando os cristãos.
A conclusão da parábola pode ser a sentença final, «muitos chamados, poucos escolhidos»; «lógion» que vem em vários contextos. Os Judeus foram chamados ao Reino de Deus pela pregação do Evangelho; mas poucos foram escolhidos para participar dele, na Igreja. Já os Profetas falavam do «pequeno resto» que seria salvo! Mt não identifica o Reino com a Igreja; mas a Igreja concreta é o lugar onde se manifesta, aqui e agora, a presença do Reino de Deus no mundo dos homens.
Antes da sentença final, Mt insere outra parábola, essa, para «uso interno»; preparando-a, aliás, ao dizer que os servos arrastaram todos os que encontraram, «maus e bons»! Jesus já não visa os que desprezam a graça do Evangelho, mas os que se apresentam como discípulos, sem realizar a necessária conversão. É um olhar lúcido sobre a realidade eclesial! Com a «inspecção» do Rei, Mt introduz o tema do «Juízo de Deus». A exclusão do indigno está na linha da teologia bíblica sobre as condições morais para entrar no Santuário (Sl 15/14, etc.). É a preocupação pela santidade na comunidade cristã: chamados gratuitamente, devem vestir a «veste da justiça» («revestir-se de Cristo», Gal 3,27). A vida tem de corresponder ao chamamento.
«Tudo Posso » (Apóstolo)
Com muito bom humor e, sobretudo, com muita fé, Paulo sabe conjugar a sua independência apostólica e a gratidão à comunidade de Filipos que lhe enviou uma ajuda mesmo na hora! O ministério apostólico iniciou-o a viver o essencial. Melhor que os filósofos estóicos, aprendeu a guardar a sua liberdade em relação às coisas e às circunstâncias da vida. Mas a referência essencial é Cristo. Só a sua força e a sua graça lhe permitem viver esta liberdade de espírito e serviço às igrejas.
Mas não se faz rogado em reconhecer que a ajuda da Comunidade é uma autêntica comunhão no serviço do Evangelho: ontem e hoje! E a promessa dos bens divinos à colaboração generosa continua em aberto ...
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2. O acto penitencial inspirar-se-á, utilmente, no Evangelho e na 1ª leitura (ex.: Senhor que viestes reunir todos os homens Cristo que nos envias a revelar o amor do Pai Senhor que és a força do nosso apostolado). Para a liturgia eucarística sugerimos o uso do Prefácio dominical do Tempo Comum I, juntamente com a oração eucarística III (A anáfora II da Reconciliação refere esta reunião de todos os povos e línguas). Dê-se mais ênfase ao convite para a comunhão («Felizes os convidados...»). Antes da despedida, o celebrante poderá dirigir novamente aos presentes a frase do Evangelho: «Ide às encruzilhadas dos caminhos e, a quantos encontrardes, convidai-os para o banquete!».
3. Leitores: 1ª Leitura: O carácter lírico do texto é evidente. Podemos dividir o texto em duas partes: 1ª - «Sobre este monte Porque o Senhor falou»; 2ª - «Dir-se-á naquele dia sobre este monte». A 1ª parte é um poema: requer um tom declamativo. Há uma expressão que une todo o texto: «sobre este monte». O leitor saberá realçá-la devidamente, fazendo-a seguir de um tempo suficiente de silêncio. Na última frase, fará uma cesura breve antes de voltar a dizê-la. Há uma riqueza sonora e evocativa nas palavras: banquete, manjares, suculentos, deliciosos, gordura, puríssimos, véu, cobria, envolvia, destruirá, enxugará, lágrimas, opróbrio A articulação das palavras é sempre essencial, mas, neste caso, ainda mais.
2ª Leitura: Numa primeira parte, o texto joga com antíteses: pobreza - abundância; ter fartura - passar fome; viver desafogadamente - padecer necessidade. O leitor fará ouvir estas importantes antíteses, separando-as por breves cesuras. A 1ª parte concluiu-se com a frase «Tudo posso nAquele que me conforta». Após uma pausa mais longa, dirá o restante texto. Cuidado com algumas palavras: abundância, circunstâncias, desafogadamente, magnificência.
4. Sugestão de cânticos: Entrada: Deus vive na sua morada santa, BML 47, 9; Eu vi a cidade santa, F. Santos, BML 42 e NCT 311; Deus fala de paz, F. Santos, NCT 216; Cantai ao Senhor, F. Santos, BML 75/76, 62 ou NCT 210; Salmo Resp.: Nós vos aclamamos, M. Luís, SR(A), 132; Aclam. ao Ev.: Deus Pai de Nosso Senhor, M. Luís, NCT 240; Comunhão: Eu estou à porta e chamo, F. Silva, NCT 260; Felizes os convidados, M. Luís, NCT 264; Buscai o alimento, M. Luís, NCT 393; Ó Sagrado banquete, C. Silva, NCT 266; Porque Ele está connosco, F. Santos, NCT 571
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Podemos, pois, dizer abertamente e com segurança que o Pai preparou as núpcias para o Filho-Rei quando uniu a Ele a santa Igreja no mistério da Incarnação. O ventre da Virgem Mãe foi o tálamo deste Esposo, tal como escreve o Salmista: «No sol colocou a sua tenda e ele é como um esposo que sai do tálamo» (Sl 18, 6). Deus, na Incarnação, saiu como um esposo do tálamo porque procedeu do ventre intacto da Virgem para se unir à Igreja.
Mandou, portanto, os criados para convidar os amigos para estas bodas. Mandou-os uma primeira e uma segunda vez, porque enviou primeiro os profetas e depois os Apóstolos a proclamar a Incarnação do Senhor. Mandou, pois, os seus criados por duas vezes a fazer o convite, dado que preanunciou pela boca dos profetas a Incarnação do Unigénito e a indicou como realizada através do testemunho dos Apóstolos. Uma vez, porém, que os primeiros convidados se recusaram a vir ao banquete das bodas, no segundo convite diz-se: «Eis que preparei o banquete; os touros e animais gordos foram abatidos e tudo está preparado».
(S. Gregório Magno, Homil. 38, 3)
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