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De 4 a 10 de Outubro
TELEVISÃO - Na primeira semana de Outubro, o tema de "Cinco Noites, Cinco Filmes" ("o bom cinema sempre à mão" da RTP 2) será um pouco delicado: a homossexualidade. No entanto, dois filmes, mais leves, menos chocantes, podem ser aqui destacados, pela qualidade interpretativa dos protagonistas e pelo cunho artístico dispendido na sua produção: refiro-me aos dois dramas «A Minha Bela Lavandaria», do britânico Stephen Frears (1985), com Saeed Jeffrey, Daniel Day-Lewis e Roshan Seth, no qual um jovem paquistanês tenta sobreviver, com um negócio de lavandaria, em Londres, em plena era Thatcher, num meio onde não lhe desculpam nem a raça nem as suas tendências homossexuais (a exibir terça-feira, dia 8); e «Corações de Papel», filme incómodo mas sincero, do americano Paul Bogart (1988), com a veterana e excelente dama do teatro e do cinema, Anne Bancroft (mulher de Mel Brooks), o jovem Matthew Broderick e Michael Wilding, ambientado no universo do teatro e dos "travestis" (podendo ser visto na quarta, dia 10).
Porém, destaco um dos maiores clássicos assinados pelo génio inconfundível de Jonh Ford: «O Vale Era Verde», drama de 1941, com Walter Pidgeon, Maureen O'Hara, Donald Crisp e o jovem estreante Roddy McDowall, que a SIC agendou para a rubrica "Animatógrafo" (domingo, 5).
John Ford (1894-1973) era conhecido como o "pai do western", como aliás ele próprio se definia na célebre frase: "My name is John Ford. I make westerns!" (chamo-me John Ford e faço westerns!). Embora se tenha aventurado em outros géneros, incluindo comédias e dramas, ninguém jamais, em tempo algum, soube como ele retratar o Oeste inóspito e fazer emergir heróis tão fascinantes. Começou por assinar os primeiros filmes com o nome de Jack Ford e, depois, recebeu Oscars pelas obras «O Denunciante» (1935), o clássico «Cavalgada Heróica» (1939) e «As Vinhas da Ira» (1940), que deu voz à fúria de John Steinbeck. Foi-lhe concedido um outro Oscar, em 1941, pelo sentimento galês demonstrado em «How Green Was My Valley» (O Vale Era Verde), embora mais importante tenha sido a recriação de Wyatt Earp em «A Paixão dos Fortes» (1946). Uma das suas criações mais famosas foi «O Homem Que Matou Liberty Valance», de 1962, e que a mesma SIC agendou para o próximo dia 15, domingo. Com John Wayne, Woody Stroode, James Stewart, Lee Marvin e Edmond O'Brien, é por muitos considerado o maior western de todos os tempos. A cavalaria sustentou a carreira de Ford com uma série de épicos como a famosa trilogia «Forte Apache» (1948), «Os Dominadores» (1949) e «Rio Grande» (1950), mas foi a comédia irlandesa «O Homem Tranquilo» (1952), sempre com John Wayne e Maureen O'Hara, que arrebatou outra estatueta dourada de Hollywood. «A Desaparecida» (1956) foi o western mais forte de todos e «O Grande Combate» (1964), seu western de despedida, reparou alguns aspectos de suas representações anteriores dos índios americanos. Ford amava os heróis e considerava-se um deles.
Outros filmes para ver esta semana:
«Stargate», ficção-científica,
de Roland Emmerich (1994), com Kurt Russell e James Spader: a
porta das estrelas, descoberta numas escavações
arqueológicas no Egipto, dá passagem para um estranho
mundo paralelo no outro lado do universo (RTP 1, dia 4);
«Morangos Silvestres», drama, de Ingmar Bergman
(1957), com Victor Sjöstrom, Ingrid Thulin e Bibi Anderson,
será a escolha de Victor Constâncio na noite de sábado,
dia 5, em "O Filme da Minha Vida", na RTP
2; «O Fugitivo», acção, de
Andrew Davis (1993), com Harrison Ford e Tommy Lee Jones: adaptação
ao cinema da popular série televisiva dos anos 60, na qual
um médico, acusado de ter assassinado a sua mulher, era
procurado pela polícia, ao mesmo tempo que perseguia um
maneta que acreditava ser o verdadeiro criminoso (RTP 1,
dia 7).
... E FORA DE CASA
Com o início da (antiga!) temporada cinematográfica chegam os filmes quentes do verão americano, e com eles apareceu nos ecrãs da cidade o último grande trabalho dos irmãos Coen, «Fargo, Um Crime Imperfeito», onde a poderosa Frances McDormand dá uma magistral lição de interpretação como a atarefadíssima chefe de polícia, Marge. «Fargo» é um competidor difícil de bater: prémio da Melhor Realização no último Festival de Cannes, a seus méritos se unem não só os excelentes "brigões" Steve Buscemi e Peter Stomare, como também um ritmo trepidante e uma fotografia de neve e surpresa que se convertem num antídoto eficaz contra o aborrecimento. «Fargo» é também o regresso dos melhores irmãos Coen. Com Joel sempre atrás da câmara, Ethan ocupando-se da produção e os argumentos escritos a quatro mãos, os Coen voltam a tratar a cobiça, a mentira e o crime que impregnaram o seu «Sangue por Sangue» ou sua «História de Gangsters». O argumento, baseado num facto verídico, gira em torno de um crime ocorrido durante o rígido inverno de 1987. Um vendedor de automóveis, Jerry (William H. Macy), contrata dois malandros (Steve Buscemi e Peter Stomare) para raptarem a sua própria mulher, para assim conseguir dinheiro fácil, com o resgate que o sogro se compromete em pagar. Mas nem tudo corre bem no plano de Jerry. Galardoados em Cannes 1991 com a Palma de Ouro para o Melhor Filme e o Melhor Actor por «Barton Fink», os Coen nunca duvidaram do seu talento compartilhado nem da força das suas imagens. O elenco de «Fargo» tão pouco lhes provocou qualquer quebra-cabeças: Frances McDormand, mulher de Joel na vida real, foi a única opção possível. E desde o princípio, a mais acertada. "É a primeira vez, brinca ela, depois de doze anos a dormir com o realizador, que me dão o papel sem me fazerem qualquer pergunta".
Um filme que só visto se pode
perceber a trama, de tão enredada que é, bem ao
estilo Coen. Distribuído por Vitória Filme,
é um exclusivo Ecofilmes Audiovisuais.
| Vasco Martins |
| Início |
Inventar o Amor
- Piero Balestro; Edições São Paulo - Este
livro pretende ajudar-nos a recuperar a importância da afectuosidade,
descobrindo-a como elemento revelador dos nossos desejos mais
intímos. Conhecendo melhor cada acto de amor e a mensagem
implícita de cada carícia, gesto ou olhar, poder-se-á
manter uma relação mais frutuosa com os outros.
Pais e Filhos
- Giacomo Mezzena; Edições São Paulo - Partindo
da sua experiência de muitos casos de consulta e de reuniões
de trabalho, Giacomo Mezzena dá a orientação,
em estilo pergunta-resposta, que muitos pais procuram, na ânsia
de acertar a educação para os filhos.
O Desafio dos Vinte Anos
- Jeannine Guindon e Juliem Alain; Edições São
Paulo - Este livro reúne as principais questões
que as jovens põem no limiar da vida adulta, na altura
em que elas começam a emancipar-se da família, para
se afirmarem em tudo o que a identidade própria exige.
As duas cidades
- Pinharanda Gomes; Editora Multinova - Trata-se de uma resposta
à «urgência» de uma pastoral da Cultura,
na linha do apelo do Papa João Paulo II na Exortação
Apostólica «Christifideles Laici», quando diz
que "os fiéis leigos são pessoas que vivem
a vida normal do mundo, estudam, trabalham, estabelecem relações
amigáveis, sociais, profissionais, culturais, etc".
Os desafios dos outros-
António Posileno; Edições São Paulo
- António Posileno adverte o leitor do desejo que há
em nós de rotular os outros e mostra que muitos dos defeitos
que vemos nos outros podem não ser mais do que o reflexo
daquilo que nós próprios somos. Daí a necessidade
de nos vermos ao espelho, a fim de corrigirmos as nossas atitudes.
Aonde vais, Família? -Carlo
Maria Martini; Edições São Paulo - O Cardeal
Carlo Martini deixa-nos uma profunda análise da situação
e rumo que a família vai tomando nos nossos dias. O autor
fala da terceira idade, da educação dos filhos para
a fé, do diálogo em família, da solidariedade
e disponibilidade, da capacidade de perdoar, do respeito pela
vida e do futuro dos filhos.
Diálogo e Convivência
- Francesco Canova; Edições São Paulo - O
autor desta obra ensina o leitor a saber conviver nas diversas
situações ajudando a compreender melhor o significado
da vida e a aproveitar tudo o que de bom a vida nos pode dar.
Communio -A
experiência cristã, nº 4 - Fiel ao seu projecto
de reflectir o enconto da fé cristã com a cultura,
trata-se neste fascículo da "experiência cristã",
domínio privilegiado desse encontro. Olegário de
Cardedal e Julian Carrón dão o seu contributo teológico.
J. Cardozo Duarte, Joaquim Teixeira e M. Luísa Ribeiro
Ferreira introduzem a fundamentação filosófica.
De destacar ainda os artigos de Sidónio Paes sobre a experiência
cristã e as artes, e o de D. Manuel Trindade (bispo emérito
de Aveiro) que recorda a sua convivência com Vitorino Nemésio.
Didaskalia
- Revista da Faculdade de Teologia de Lisboa; fascículo
1, volume XXVI - O texto de abertura deste fascículo é
o "Simbolismo e linguagem actual em S. Paulo. Santo Agostinho
está no centro dos dois artigos seguintes: A doutrina diferencial
dos graus de perfeição segundo Santo Agostinho"
e "Santo Agostinho na perenética portuguesa seiscentista".
Este fascículo apresenta ainda um estudo sobre "Os
direitos do Homem e a Lei Natural em Jacques Maritain".
Atrium
- Revista dos alunos do Seminário Maior do Porto. Mais
uma vez em realce a elevação cultural deste Seminário.
No último número o apelo a uma comunhão,
cada vez
maior, no Mistério da Igreja
e à consequente superação das divisões,
pelo vínculo da
Caridade.
O Poder do Silêncio
- José F. Moratiel; Edições São Paulo
- Este livro mostra a utilidade e o poder do silêncio para
uma renovação da vida, alterando modelos de comportamento,
e para gozar a presença de Deus, visto que o Silêncio
é o lugar privilegiado de procura e encontro com Deus.
Um grande educador português do século XX -João Evangelista Loureiro; Editorial da
Casa do Gaiato - Este livro apresenta
os princípios educativos do Padre Américo. O que
mais ressalta é o sentido da liberdade humana e um pensamento
pedagógico bem fascinante, na simplicidade dos meios.
Inventar a Vida-
Giorgio Basadonna; Edições Paulistas - Este livro
pretende ajudar as pessoas a viverem e realizarem-se sempre numa
procura incessante de amor, igualdade, fraternidade, justiça
e paz. Trata-se de um desafio à preguiça e de vivo
apelo a acordar e viver.
Viver é Amar - Giorgio Basadonna; Edições Paulistas - São apontados aos jovens caminhos novos. Esclarecendo os mistérios da pessoa e do amor e penetrando nos segredos do coração humano, este livro é, antes de mais, um convite ao amor.
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