SEMANA A SEMANA
- O marechal António de Spínola,
primeiro presidente da República depois do 25 de Abril,
morreu aos 86 anos em meados de Agosto,
tendo sido sepultado no cemitério do Alto de S.
João, depois de crimónias
fúnebres na Basílica da Estrela. A imprensa internacional
lembrou
o seu contributo para a resolução
do problema colonial. Depois de escrever um editorial
sobre o Marechal morreu a jornalista
Vera Lagoa, directora do semanário «O Diabo».
-
O Governador Civil de Braga, Pedro
Vasconcelos, apresentou queixa-crime contra os
populares de Cervães,
Vila Verde, que o insultaram, cuspiram e tentaram agredir na sua
tentativa de ali instalar os ciganos
de Oleiros.
-
O serviço de fronteiras de
Vilar Formoso devolveu a Espanha 17 emigrantes clandestinos
que tentavam encontrar residência
em Portugal. Seis são indianos e os outros são do
Paquistão, Senegal, Gabão,
Mauritânia, Guiné-Conacri. Nas últimas semanas
foram 68 os
pedidos de legalização
de gente que teve de sair de França e de Espanha por ter
já
terminado o período de legalização.
-
Um nova Escola Secundária
vai ser construída em S. Pedro da Cova e outra em Fânzeres,
concelho de Gondomar. Na povoação
mineira vão ser investidos ainda 800 mil contos em
infra-estruturas e em 72 habitações.
-
O Governo vai promover a limpeza
da floresta, particularmente nas áreas protegidas e
nas
de maior risco. Uma tal proposta
do secretário de Estado dos Recursos Naturais apareceu
na sequência do incêndio
que destruiu cerca de 500 hectares do Parque Natural de
Montezinho, Bragança.
-
A instalação da fábrica
Siemens no concelho de Vila do Conde, em detrimento do Parque
de Ciência e Tecnologia da Maia, animou, por algumas semanas,
a cena política, com os responsáveis do PSD a acusarem
o Governo de influenciar a decisão da multinacional. Assim,
o Parque de Ciência e Tecnologia da Maia, criado no tempo
do governo de Cavaco Silva, continua a ser um projecto adiado,
à espera de melhores dias.
-
O partido socialista diz que não
vai optar por coligações, excepto para a
Câmara de Lisboa. O partido do Governo não tenciona
entrar em coligações nas próximas eleições
autárquicas, segundo o ministro adjunto, Jorge Coelho.
Para os partidos à direita do PS, as coligações
são um assunto a debater, dando a entender que se estará
a pensar numa reedição da Aliança Democrática.
-
Dez milhões de contos foi
quanto renderam ao Estado as multas das estradas, desde o seu
último agravamento. Mas, apesar do aumento da vigilância
policial e da melhoria das estradas, Portugal continua a ser líder
em sinistralidade rodoviária.
-
A praga dos incêndios continuou,
embora em menor escala que nos anos anteriores. A par do trabalho
de prevenção também o tempo ajudou com temperaturas
não muito altas. Os incêndios continuam, contudo,
a ser muitos mobilizando as corporações de bombeiros
de norte a sul, como aconteceu no último fim de semana.
-
A produção do vinho
do Porto está em alta, devendo a produção
registar um crescimento em relação a 1995, o que
permitirá colocar no mercado 90 milhões de litros
o que deverá render cerca de 52 milhões de contos.
-
. A privatização do
Banco Fomento e Exterior foi um sucesso para as finanças
públicas com um encaixe de 130 milhões de contos.
O grande vencedor foi o Banco de Investimentos de Artur Santos
Silva escolhido pelo Governo, logo na primeira fase.
-
. A Brisa vai perder a exclusividade
da construção e exploração de auto-estradas,
quando o Governo concessionar 272 quilómetros de auto-estradas
no Norte e no Oeste a grupos privados que deverão investir
220 milhões de contos nas auto-estradas Braga-Guimarães-Amarante,
Esposende-Barcelos-Braga, Póvoa deVarzim-Famalicão-Guimarães-Fafe
e Fafe-Chaves e, no Oeste, nos troços entre Santarém-Rio
Maior-Caldas da Rainha, Caldas da Rainha-Alcobaça, Leiria-Marinha
Grande-Alcobaça e Torres Vedras-Caldas da Rainha.
-
. As sucatas terão os dias
contados na Área Metropolitana do Porto, com o desmantelamento
de sucatas nos concelhos de Gaia, Porto e Gondomar. Em
Valongo, a par da destruição das sucatas, está
previsto ainda a construção de um parque municipal
de sucatas que reunirá os 14 sucateiros do Concelho.
-
. Estarreja vai tratar 60 mil
toneladas de lixo ao longo deste ano. A ERASE (Empresa de
Regeneração de Águas e Solos de Estarreja)
- um projecto de aproximadamente dois milhões de contos,
pioneiro na Península Ibérica - ficará instalada
no parque de lamas da empresa Cires, evoluindo, no futuro, para
uma estação de tratamento de águas.
-
. A crise das vacas loucas está
a desesperar os criadores de gado por falta de escoamento da carne,
pelos baixos preços do mercado e pela dificuldade de arranjar
rações. Por tudo isto, a FANORTE (Federação
de Associações de Agricultores da Região
Entre Douro e Minho) decidiu mostrar o seu descontentamento com
a criação, em Mindelo, de um campo de concentração
de vacas.
-
. A época futebolística
começou sob o signo da surpresa. Depois dos empates
inesperados das Antas (Futebol Clube do Porto/Setúbal)
e da Luz (Benfica/Braga), a selecção nacional foi
à Arménia inaugurar a fase de apuramento para o
campeonato do Mundo, com um empate a zero bolas.
...INTERNACIONAL
-
Uma tromda de água matou
72 campistas, deixando perto de duzentos feridos, no poarque
Virgem das Neves, em Biascas, nos
Pirinéus espanhóis no princípio de Agosto.
Cerca de
dois metros de lodo, água
e pedras soterraram um parque que tinha cerca de 800 pessoas.
-
O Exército Patriótico
Ruandês, dominado pelos Tutsis, matou nos primeiros dias
de Agosto
pelo menos 111 pessoas,
tendo desaparecido mais 52, segundo relatório das Nações
Unidas.
-
A Comunidade de Santo Egídio
permitiu o diálogo entre os sérvios de Belgrado
e os
líderes albaneses do Kosovo,
o que permitiu a reintegração dos alunos e professores
de
origem albanesa no ensino público
do Kosovo. Desde 1989 que os albaneses boicotavam as
escolas sérvias e tinham um
regime escolar paralelo em língua albanesa. Os alabaneses
são 90 por cento dos dois
milhões de habitantes.
-
O presidente do Conselho Pontifício
para a Família, cardeal Alfonso Trujillo, propôs
há dias
que a pedofilia seja declarada «crime
contra a humanidade» para que seja permitido ir
em busca dos culpados em todos os
países, desencadeando assim acções contra
europeus
que se dirigem a países asiáticos
para aí abusarem impunemente das crianças.
-
Os bispos anglicanos advertiram
o Príncipe Carlos para não contrair novo casamento
depois do divórcio com Diana,
acrescentando que isso provocaria mais uma cisão da Igreja
angicana, de que o «rei»
é chefe.
-
O mundo emocionou-se há duas
semanas com a morte de duas meninas belgas raptadas e
desrespeitadas. Enquanto decorriam
as exéquias da basílica de S. Martin de Líège,
os
sinos dobraram por todo o país
e um minuto de silêncio foi decretado pelo Governo. Os
culpados foram detidos em diversos
lugares.
PONTO DE VISTA
Fragilidades legais
Agosto, tradicional mês de férias,
em que o ar do campo e do mar nos tonificam a alma, foi também
um mês de horrores. Os casos de crianças raptadas,
violadas e mortas gelaram a Europa. Não foi só o
povo belga a sentir o sofrimento dessas crianças. Também
aqui, neste canto da península, ficamos abalados pelo seu
martírio, até porque ao sabermos o que lhes aconteceu
pensámos nos nossos filhos. Por alguma razão, quando
um violador entra numa cadeia, os outros presos agridem-no e seviciam-no,
porque se lembram dos seus filhos e das suas mulheres.
Do lado de lá do Atlântico, concretamente
nos Estados Unidos, no estado da Califórnia, e perante
a frequência destes crimes, a lei endureceu, e prevê,
a partir de agora, a castração dos violadores de
crianças. É uma pena bárbara, imprópria
da civilização em que vivemos, e já se fazem
ouvir protestos. Por sua vez, a opinião pública
considera insatisfatórias algumas sentenças dos
tribunais, porque as entende demasiado brandas. A lei portuguesa
ainda há poucos anos não tinha por violação
a de um menor do sexo masculino.
É lamentável dizer isto, mas o nosso
Código Penal é responsável por algum descrédito
que fragiliza, perante o conceito geral, a justiça portuguesa.
Sabemos que crimes que ferem a nossa sensibilidade e que suscitam,
por vezes, a reacção popular não têm
uma penalização adequada à sua gravidade
e ao que daí resultou. E sabemos, também, que uma
condenação fica reduzida a metade, desde que o preso
se porte bem. Isto para já não falar das amnistias,
que acabam - frequentemente contra a vontade do próprio
juiz - por tomar meramente simbólicas algumas sentenças.
Entretanto, e já agora, convém que não esqueçamos
que a Bélgica também pode ser cá.