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SEMANA A SEMANA


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PONTO DE VISTA

Jogos de Liliput

Ao espectáculo fulgurante da inauguração seguiu-se o espectáculo dos atletas. Os Jogos Olímpicos são sempre um cenário de perfeccionismo em que os países concorrentes adestram os seus representantes para subirem ao pódio. Só alguns o conseguem, mas nem por isso deixa de ser admirável o esforço que todos demonstram diante de um público habituado aos mais altos níveis de exibição.

Durante os anos da guerra fria entre as que eram, então, as duas superpotências mundiais, a área olímpica toldava-se de uma névoa que, de algum modo, desvirtuava o espírito que inspirou estes jogos. Desfeito o Muro de Berlim, corrida a Cortina de Ferro, esfumaram-se as razões que envenenavam uma atmosfera que devia manter-se à margem da política. No entanto, o mesmo espírito de competição que não respeitava barreiras na escolha dos atletas continua a vigorar. Vejamos. Devia ser impensável que qualquer país apresentasse equipas com ginastas de 14 ou 15 anos. Figurariam num conjunto de infantis ou, quando muito, de juniores. Mas as provas de ginástica têm sido protagonizadas, acentuadamente, por adolescentes com aquelas idades. Começam, desde crianças, a treinar-se oito horas por dia, em seis dias por semana, conforme revelava o «Público», recentemente. Não têm infância, é-lhes retirada, para poderem funcionar como roldanas na máquina de propaganda dos seus países.

Por este andar, não causará espanto que nos Jogos Olímpicos do ano 2000 vejamos crianças do ensino básico a maravilharem os estádios. Nada impossível. Com este refluxo e olhando os horizontes da engenharia genética, tempo há-de chegar em que os futuros campeões, quando disputarem as provas, em vez de irem a pé serão levados ao colo.
Pacheco de Andrade
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