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A Secretária de Estado da Educação parece querer pôr agora ombros à tarefa de estruturar o ensino da língua portuguesa em países como a França e Alemanha, onde residem mais de um milhão de compatriotas nossos. Reconhece que, conforme afirmou, não se encontra em funções um coordenador do ensino do português em França há seis anos e na Alemanha há dezassete. Isto não é apenas uma constatação, é motivo para uma "espantação". É o resultado de uma alegre inconsciência dos responsáveis ao longo de todos estes anos. Agora, importa não reduzir o problema apenas à existência de coordenadores, mas às suas competências e capacidades, e sobretudo à definição e implantação no terreno de políticas de acção que conduzam a um ensino não apenas de qualidade, mas de necessária amplitude. O estabelecimento de protocolos de colaboração com o governo francês é uma exigência adiada, e convém não esquecer que Portugal ensina a língua francesa nas escolas à nossa própria custa, formando professores e remunerando-os. Uma reciprocidade neste campo torna-se indispensável e é uma exigência de justiça.
2. Ano fora, ano dentro. Retomando uma prática cuja invenção se deve à anterior titular da pasta, o Ministério da Educação veio em peso falar do novo ano lectivo. Propósitos formulados, projectos bem intencionados, mas visivelmente indefinidos. Uma revisão dos programas de todas as disciplinas, articulando-as horizontal e verticalmente, eis um dos propósitos da equipa do Ministério. Uma exigência que temos manifestado, neste local, com alguma frequência. Mas essa tarefa demorará muito tempo e deve ser realizada por pessoas conhecedoras das realidades pedagógicas das escolas, que tenham leccionado ao longo de anos os programas em vigor e os anteriores, isto é, por pessoas que sejam "portadoras" (dizem eles) de duas qualidades ultimamente esquecidas pelo Ministério: que sejam professores e experientes. Não caia o senhor Ministro no erro de atribuir essa tarefa, que irá condicionar toda a acção governativa no futuro (da qual se terá de queixar se não for bem feita), a técnicos que falam do alto dos canudos de certos mestrados apressados ou dos doutoramentos teóricos, tão profundos como teóricos, geralmente feitos em universidades estrangeiras que conhecem mal a realidade nacional e lhes aplicam soluções estranhas.
Professores, informados, experientes: três dos requisitos essenciais para a tarefa opotuna, mas delicada, que se propõe realizar o Ministro. Muitas outras qualidades e condições serão, igualmente, necessárias: indispensável independência e honestidade intelectual que proporcionem a fuga aos grupos de pressão e aos interesses corporativos numa essencial redução de disciplinas; integração dos assuntos e dos saberes, em vez de os esboroar e esmigalhar de forma desintegrada, como agora acontece; capacidade de diálogo e de interacção, que acabe de vez com os programas descoordenados de disciplinas interrelacionadas; redução de currículos, para evitar o emaranhado de disciplinas que repetem os mesmos assuntos. E finalmente, por ser o mais importante, preponderância e prioridade ao conhecimento da língua portuguesa, como elemento essencial da comunicação, tanto nas letras como nas artes, tanto nas ciência exactas como nas ciências sociais. É um imperativo da Lei de Bases. Mas não se lhe tem ligado positivamente nada.
Atenção, senhor Ministro. A capacidade de diálogo é-lhe reconhecida, até pelos seus adversários. O conhecimento do sistema de ensino e os princípios da pedagogia também. A força política, porém, é débil. Não há nada mais pernicioso do que permitir que as manobras políticas (a que se tem assistido em profusão nos últimos dias, quando qualquer habilidoso encartado da política se permite debitar teorias e propostas descabeladas, como anular os exames ou repeti-los, entre as menos chocantes) dêem cabo dos projectos educativos. É a isso que temos vindo a assistir nas últimas décadas: nunca se afirmaram os projectos porque as políticas os destruíram ou fizeram desmoronarar. Não me parece que seja desta que a reforma vai avante. Oxalá me enganara.
3. Despedida e fecho. Ao longo de vários anos têm surgido nestas páginas considerações, sugestões e críticas, geralmente fruto de reflexões em cima da marcha e ao sabor dos acontecimentos. Umas mais acertadas, outras menos defensáveis. Umas mais serenas, outras mais exaltadas. Umas que coincidem com a opinião do leitor, outras que a contrariam. Neste diálogo escrito se edifica a vida. Tudo o que escrevemos, porém, nasceu do desejo de confrontar os ideais nobres com a realidade inconstante. Todas as palavras procuraram semear no quotidiano as sementes da reflexão ética sobre os valores, sobre as formas de conduta, em ordem a um universo equilibrado, naquele conjunto convicções que insconscientemente vamos construindo. Mas isso já não é tarefa de quem escreve, mas de quem lê. Sentir, sinta quem lê, disse o poeta. Actuar, actue cada qual segundo a sua consciência. A grande liberdade dos homens situa-se nesse diálogo entre o que inevitavelmente somos e o que poderemos ser, se assumirmos ideais nobres. Convencido de que as pausas valorizam a música, deixo aqui numa hora de despedida, um abraço fraterno a todos os que tiveram a paciência de ler estas crónicas.
| C.F. |
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De 2 de Agosto a 5 de Setembro
TELEVISÃO - Já ninguém se entende, nem os próprios serviços de Relações Públicas das estações de televisão portuguesas, no que respeita às alterações de programação. Todos os meses recebo a listagem completa de propostas cinéfilas, e há sempre discrepâncias a que as próprias estações não dão resposta. Aqui recomendo um ou outro filme em destaque, e no dia marcado há trocas e baldrocas com atrasos e ausências. Este trabalho acaba por ser ingrato, prestar mau serviço informativo e apesar da culpa não me poder ser imputada, acabo sempre por me sentir prejudicado e incomodado, mais pelos meus leitores. Apesar de tudo, e como vamos estar ausentes de convívio durante todo o mês de Agosto, aqui ficam as sugestões cinematográficas para os próximos trinta dias. A RTP 2 agendou para a primeira semana um ciclo dedicado à cinematografia do francês Eric Rohmer, sendo exibidos, entre outros, «A Coleccionadora», drama de 1967, com Haydee Politoff e Daniel Pomereulle (dia 5); «A Minha Noite em Casa de Maud», comédia de 1969, com Marie-Christine Barrault, Françoise Fabian e Jean-Louis Trintignant (dia 6); e, «O Joelho de Claire», comédia dramática de 1970, com Jean-Claude Brialy e Aurore Cornu (dia 7). Segue-se um ciclo sobre o italiano Marco Ferreri, e entre os filmes seleccionados destacam-se «Não Toquem na Mulher Branca», western de 1974, com Catherine Deneuve, Marcello Mastroianni e Michel Piccoli (dia 20) e «Contos da Loucura Normal», drama de 1983, com Ornela Mutti e Ben Gazzara (dia 22). Os melhores westerns de grandes mestres de género serão alvo do ciclo que a RTP 2 preparou para a última semana: «Dodge City», de Michael Curtiz (1939), com Errol Flynn, Olivia de Havilland e Ann Sheridan (dia 26) e «Duelo ao Sol», de King Vidor (1946), com Jennifer Jones, Gregory Peck e Joseph Cotten (dia 27) são os principais destaques.
Comédia, acção e drama são os principais ingredientes da selecção da RTP 1, e aqui ficam alguns exemplos: «Agarrem Esse Detective», comédia policial, de Pat O'Connor (1989), com Kevin Kline e Mary Elizabeth Mastrantonio (dia 2); «Homens à Queima-Roupa», policial, de James Foley (1986), com Sean Penn e Christopher Walken (dia 9); «A Cidade da Alegria», drama, de Rolland Joffé (1992), com Patrick Swayze (dia17); e, «A Família Adams», comédia, de Barry Sonnenfeld (1991), com Raul Julia, Anjelica Huston e Christopher Lloyd (dia 30).
De todos os canais a enviar documentação, a TVI continua a ser a que mais ou menos respeita as escolhas. Os destaques do mês são: «Alice nas Cidades», drama, de Wim Wenders (1974), com Rudiger Vogler e Yella Rottlander (dia 3); «Vidas Sem Rumo», um drama português assinado por Manuel Guimarães em 1956, com Milú, Eugénio Salvador, Madalena Sotto, Maria Olguim, Jacinto Ramos e Artur Semedo (dia 4); «Três Vidas Errantes», clássico de aventuras, de Fred Zinnemann (1960), com Deborah Kerr, Robert Mitchum e Peter Ustinov (dia 8); «Amor de Perdição», adaptação melodramática académica que António Lopes Ribeiro realizou e produziu da novela de Camilo Castelo Branco, em 1943, com interpretações de Assis Pacheco, António Silva, António Vilar, Eunice Colbert e Carmen Dolores: os jovens Teresa de Albuquerque e Simão Botelho tentam manter uma relação amorosa contra a brutal oposição das suas famílias (dia 11); «O Homem Que Queria Ser Rei», aventura, de John Huston (1975), com Sean Connery, Michael Caine e Christopher Plummer (dia 21); e, «Bebés Trocados», drama, de Alan Bridges (1987), com Ken Howard e Stephen Weber (dia 24).
Como sempre, a SIC não
envia documentação prévia e o que acabo por
saber da sua selecção cinéfila chega-me por
vias travessas, preferindo, portanto, abster-me de destacar qualquer
filme desse canal para este mês, apenas para não
errar.
VÍDEO - Quando
as escolhas dos canais não interessam, pode-se sempre variar
e procurar nos videoclubes soluções mais atraentes.
Um dos mais recentes lançamentos videográficos foi
o delicioso «Um Porquinho Chamado Babe», de Chris
Noonan, editado pela CIC Video/Edivídeo. Muitos
restaurantes americanos retiraram o leitão de suas ementas,
outros rebaptizaram as costeletas de "Babes".
De uma forma ou outra, o impacto desta deliciosa (digo, saborosa!)
fábula de animaizinhos com ambições humanas
revolucionou Hollywood, e o mundo inteiro. Sete nomeações
para os Oscars (entre elas, a de Melhor Filme do Ano),
a estatueta para os melhores efeitos especiais e o agrado unânime
da crítica tornaram este filme a maior revelação
da última temporada cinematográfica. Apresentado
como um conto de aparência bucólica, destila uma
ironia carregada de críticas ao mundo dos adultos. Não
estamos perante qualquer fantasia infantil, mas uma inteligente
parábola sobre as ambições que temos dentro
de nós. Todo o filme é um encanto para os nossos
sentidos.
Estas são as sugestões cinéfilas para ver em casa durante o longo período de férias, mas se preferir, vá ao cinema, onde certamente encontrará óptimas soluções. Desejo-vos os melhores momentos de boa disposição nestas férias e fiquem certos que voltaremos a estabelecer contacto em Setembro.
| Vasco Martins |
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Esta obra foi elaborada de modo a permitir uma identificação rápida, através de estampas de alta qualidade, acompanhadas de textos descritivos, quer ainda por meio de chave de identificação.
São abordados, ainda, aspectos da distribuição geográfica das espécies, assim como híbridos mais comuns. O leque de espécies abrangido refere-se, para além das autóctones, às espécies exóticas ornamentais mais comuns, introduzidas na Europa.
A tradução e revisão científica esteve a cargo de uma equipa de prestigiados botânicos da Universidade do Porto, garantindo-se, assim, a qualidade e rigor científico da obra agora apresentada.
Na sequência da publicação de outros guias que constituíram assinaláveis êxitos editoriais, o FAPAS cumpre outra etapa, no sentido de tornar mais prático e acessível o estudo e conhecimento da Natureza ao crescente número de naturalistas, ambientalistas, professores, biólogos, estudantes universitários, técnicos e profissionais de agricultura e silvicultura e ainda, ao público geral.
Pela sua qualidade, rigor científico, facilidade de consulta e preço acessível, cremos que constituirá mais sucesso no panorama editorial nacional, onde até ao momento, não existia qualquer obra do género.
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