
É central, como diz o Concílio, o papel do padre na pastoral vocacional,vendo-se aí um eloquente sinal da sua fecundidade pastoral. A sua acção passa, antes de mais, pelo testemunho de uma vida feliz, pela oração e por uma série de iniciativas capazes de criar condições para que o dom de Deus da Vocação se derrame sobre pessoas concretas.
Em mensagem para a Semana, D. Júlio lembra que a vocação é uma resposta ao mundo em que vivemos, cabendo às famílias, seminários e paróquias dá-la pela oração, esperança e entrega à imensa tarefa da salvação da Humanidade.
O problema das Vocações deixou de ser, assim, uma questão simplesmente individual para se tornar comunitária, eclesial, com se lembra na preparação para o Congresso Europeu que decorrerá em Maio, em Roma. Será preciso passar da exagerada preocupação pela escassez das Vocações para uma mais profunda escuta de Deus que cumprirá os seus desígnios e que, de apelos genéricos, se passe a um chamamento personalizado. É ainda necessário acabar com o ar de propaganda feita por gente especializada para demonstrar que toda a comunidade está empenhada em conseguir que cada um acolha o chamamento de Deus, o que se conseguirá propondo caminhadas de discernimento vocacional e de encontro com Deus e experiências de fraternidade e de solidariedade.
De pouco adiantará também atirar as culpas da falta de padres para o ambiente social, pois a opção vocacional deve ser vista como «uma boa nova que seduz e torna feliz». E, em vez de esforços dispersos, importará desenvolver uma pastoral vocacional de comunhão e complementaridade de carismas e ministérios, que revele a pluriformidade dos serviços eclesiais e evidencie a unidade em Cristo Senhor.
Será preciso ainda ultrapassar
preocupações meramente quantitativas, para apelar
à liberdade de discernimento e docilidade à acção
de Deus. E cuidar de acolher os adolescentes e jovens como eles
são, respeitar a sua cultura e valores, percebendo que
Deus chama cada um na sua situação.
Mas ainda haverá gente nos seminários? Há adolescentes e jovens que querem ser padres?
Saiba-se que sim e em bom número. No Pré-seminário (que acolhe quem manifesta vontade de entrar no Seminário e ser padre, e que, em parte, substitui o que era o Seminário Menor) são 166, quando há dez anos eram 62. Eles são 21 nos 5º e 6ºanos de escolaridade; 98 nos 7º, 8º e 9º anos; 16 no 10º, 17 no 11º e nove no 12º anos, havendo ainda cinco na Universidade.
No Seminário menor do Bom Pastor, em Ermesinde, há ainda 28 adolescentes nos 10º, 11º e 12º anos de escolaridade, e no Seminário Maior (desde o 1º- em Ermesinde - ao 6º ano de Teologia), na Sé, Porto são 66 jovens assim distribuídos: 1º - 15; 2º - 15; 3º11; 4º- 8; 5º - 14; e 6º- 3. O Seminário do Porto tem ainda 38 alunos das dioceses de Bragança e de Vila Real.
Será interessante saber que, no Seminário e Pré-Seminário, há 11 alunos da cidade do Porto; 42 da região Porto - Aro Norte; 31 da região Porto - Aro Sul; 70 da região Nordeste; 36 da região Norte; 44 da região de Sobretâmega; e 25 da região Sul. Os dados que foram divulgados permitem ver ainda que das 34 vigararias que a Diocese tem há uma que não tem nenhum seminarista nem pré-seminarista e nove que não têm nenhum seminarista Maior. Pelo contrário a 1ª vigararia do Aro Norte (Matosinhos) tem 22 seminaristas, seis dos quais Maiores.
E há muitos padres? Com cerca de dois milhões de habitantes, a diocese tem 398 padres e com uma média de 60 anos. Com menos de 29 anos são 16, dos 30 aos 39 anos são 40 e dos 40 aos 49 são 22. Já dos 50 aos 59 são 89, dos 60 aos 69 há 118, dos 70 aos 79 são 79, e com mais de 80 anos são 34. Além disso, há um desequilíbrio entre os que se ordenam e os que morrem: se de 1950 a 1959 se ordenaram 154 padres e morreram 132, e de 1960 a 1969 houve 136 padres novos e morreram 123, já de 1970 a 1979 se ordenaram 41 e morreram 98, de 1980 a 1989 houve 34 novos padres e morreram 93, e de 1990 a 1996 ordenaram-se 29 e morreram 60. As vigararias com clero mais jovem são 3ª (Arouca) e a 6ª (Vale de Cambra) da região Sul com uma média de 48 anos. Das 477 paróquias que a Diocese tem, 298 tem pároco residente e 179 não o têm.
Se o Seminário Menor tem por fim ajudar os adolescentes e jovens que parecem possuir germens de vocação a mais facilmente os conhecerem e lhes corresponderem, já o Seminário Maior, apenas com alunos que estão no ensino superior, tem por fim apoiar os seminaristas na sua formação em ordem ao presbiterado e formar verdadeiros pastores no ensino, santificação e governo do Povo de Deus. No Domingo, dia 17, o ofertório de todas as celebrações reverte em favor dos seminários diocesanos.
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