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PONTAPÉ DE CANTO

Futebol - Campeonato da Europa

Com presença positiva de Portugal, os alemães sagraram-se campeões

Terminou no passado domingo, dia 30 de Junho, em Londres, no belo estádio de Wembley, após uma maratona de mais de duas semanas de jogos, o Campeonato da Europa de Futebol.

A equipa portuguesa teve uma actuação positiva, conseguindo atingir os qaurtos de final da prova (mostrou-se, assim,uma das oito melhores da Europa), mas não cumpriu o desejo de milhares de adeptos lusos que se deslocaram a Inglaterra e a queriam ver campeã da Europa.

A selecção portuguesa, recheada de jogadores de enorme valia técnica, conseguiu cativar os críticos e treinadores que acorreram a Inglaterra, mas no momento decisivo, frente à República Checa, nos quartos de final, não foi capaz de traduzir em golos a superioridade que evidenciou na primeira parte, acabando por sucumbir a um excelente golo de Poborsky, com culpas para defesa portuguesa, Vítor Baía incluído.

O regresso a casa ficou marcado por comentários nem sempre agradáveis, sendo poucos aqueles que viram na equipa portuguesa uma das oito melhores da Europa. Os adeptos nacionais facilmente passaram do oitenta - o título europeu era uma miragem tida como possível - para oito, criticando jogadores e treinadores por isto e por mais aquilo, revelando, de novo uns milhões de técnicos... de sofá.

A verdade é que os portugueses, senhores de excelente técnica, entraram frequentemente num futebol estéril, sem remates, e logo sem golos (os 3 marcados à Croácia foram um «engano d'alma ledo e cego» que os checos cedo fizeram esquecer...) que, mais tarde ou mais cedo daria no que deu: a equipa portuguesa não soube resistir ao contra-ataque checo e depois, a perder por 1-0, não conseguiu "dar a volta" e recuperar o domínio do jogo e, sobretudo, não obteve um só golo que fosse.

Fiquemo-nos pelo positivo: a equipa de Baía, Couto, Figo, Paulo Sousa, João Pinto, Rui Costa, Sá Pinto, Domingos, e outros mostrou que pode ir mais longe; mas, estar entre as oito melhores é algo que deve ser salientado e devidamente apreciado.

Ganharam, entaõ, os alemães, uma equipa sóbria, concentrada, possante e capaz de resistir ao desalento. Na final, frente aos checos, os alemães souberam chegar ao empate e, depois, gerindo bem os seus trunfos, conseguiram o golo da vitória. Curiosamemte marcado por um "suplente", um jogador frio, concentrado e com grande capacidade de finalização de lances. Um jogador lançado no terreno na hora própria por Vogts e cujo nome será recordado como o "herói" de Wembley. Bierhoff, de seu nome.

Pelo caminho haviam ficado a Itália, a Rússia, a Holanda, a Inglaterra, a Croácia, a França... todas grandes equipas que, no entanto, viram as suas ambições deitadas por terra e não chegaram à final de Wembley.

À margem do futebol

Nâo passaram despercebidos alguns factos ocorridos fora dos relvados deste Europeu.

Antes de mais a segurança montada pela polícia inglesa foi totalmente eficaz dentro dos estádios. Algumas cenas de pancadaria em plena rua foram quase insignificantes se compradas com o que vai por esse mundo. Apesar dos litros de cerveja ingeridos, os adeptos, em geral, souberam estar no espectáculo, dando-lhe um colorido impressionate. Relevo para os holandeses tidos como os que mais «fair paly» revelaram.

Menos «fair play» revelou o líder da direita francesa, Jean Marie Le Pen, que veio a público criticar, com laivos evidentes de xenofobia, o facto de a selecção francesa, ser constituida por vários jogadores oriundos de familias de emigrantes, vários deles negros. Nem a boa campanha da equipa gaulesa evitou este «arroto» xenófobo que não prestigia ninguém. Lamentavel...

Muito mais inteligentes e dignos de respeito foram os treinadores inglês, Terry Venables, e alemão, Berti Vogts. Pressionados pela insolente campanha de insulto aos alemães levada a cabo pelos conhecidos jornais britânicos, os "tablóides" onde só o escândalo vende papel, Venables e Vogst, através das declarações que fizeram à Comunicação Social, deram públicas lições de serenidade, de respeito e de apreço pelo adversário. Ao «Surrender!» (Rendam-se!) desses jornais responderam os alemães com um belo triunfo sobre os ingleses, demonstrando dentro de campo que é possível a convivência pacífica entre povos há bem pouco inimigos no teatro de guerra.

Jogos Olímpicos

Dentro de dias iniciam-se em Atlanta, EUA, os Jogos Olímpicos. A mais numerosa comitiva portuguesa de sempre - mais de 100 atletas - vai estar presente. A espernça de uma medalha vem do atletismo e, quem sabe, da equipa de futebol. Fernanda Ribeiro, a campeã do F. C. Porto, será a porta-bandeiar do grupo português; dela se espera que regersse com mais um triunfo.
B. Chamusca

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Informações: Escola das Artes, UCP, R. Diogo Botelho, 1327, 4150 Porto; Tel. 7170666, Fax 6101618.

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