| Recreativa: |
De novo Shusaku Endo. Uma espécie de testamento, este belíssimo e profundo romance. Um romance da vida. Uma história de pessoas entre o bem e o mal. Uma vivência do que é ser cristão e viver como tal na cultura japonesa. Uma enorme vontade de sobreviver. Uma eloquente reflexão sobre a reincarnação. Enfim, uma incursão numa teologia que apetece aceitar, a de que, para além das confissões institucionais, há "um Deus universal que aceita todos aqueles que sofrem"
Shusaku Endo, o autor de "O Silêncio", de "O Samurai", de "Uma Vida de Jesus", que partiu para a Eternidade em fins de 1996, deixa-nos em "Rio Profundo" uma envolvente pesquisa sobre o Deus cristão, reunindo a vivência de cinco japoneses que se encontram numa viagem, que não deixa de ser "peregrinação", às margens do Ganges, na Índia de Madre Teresa, esse "rio profundo" do hinduísmo, onde um sacerdote católico japonês, dedicado a sepultar os mortos, encontra no despojamento total da sua condição humana, na comunhão de (sub)vida com aqueles que a sociedade considera mais abjectos, uma porta para a corrente profunda do rio humano que conduz ao Deus Invisível.
Uma obra única, a não perder!
(Shusaku Endo, Rio Profundo. Traduzido do
inglês por José David Antunes. Col. Letras do Mundo.
Ed. Asa. Porto, 1997)
Catedrático de Direito e Direito Canónico na Universidade de Navarra, Pedro-Juan Viladrich "é considerado como um dos grandes especialistas em direito matrimonial canónico" e dá-nos nesta obra um excelente e minucioso estudo sobre as causas de nulidade do matrimónio católico.
Trata-se de uma obra de grande importância na medida em que salienta a necessidade de um consentimento matrimonial esclarecido e motivado, sendo que, em tempo onde é fácil dissolver o casamento, que às vezes mais parece um acto "ad hoc" do que uma decisão vital e sacramental, conhecer em pormenor até onde podem ir situações de nulidade se revela de grande importância não só para os especialistas em Direito Canónico como para os pastores em geral.
(Pedro-Juan Viladrich, O Consentimento Matrimonial.
Trad. José A. Marques. Braga, 1997)
Tratando assuntos de actualidade religiosa, sempre - directa ou indirectamente - relacionados com a Igreja Católica, Frei Bento, num estilo frontal e com louvável espírito de liberdade, consegue fazer chegar ao grande público uma visão desempoeirada da religião, embora se saiba que, nem sempre, as suas opiniões merecem consenso generalizado. Em todo o caso, é importante salientar a sua presença visível num grande órgão de comunicação social onde, utilizando a linguagem própria da imprensa, veicula a ideia de que a Igreja está em movimento, se transforma interiormente, na medida em que ela é "a casa dos cristãos de todas as tendências."
Frei Bento é uma voz por vezes incómoda dentro da Igreja; mas, talvez por isso, a sua voz seja também profética e, ainda por isso, seja uma voz que cumpre escutar, não vá o Espírito soprar daquele lado... Porque precisamos de "uma Igreja cada vez mais humana, atenta a todas as situações da vida, lugares da manifestação do Espírito Santo que sopra onde quer e como quer" (do prefácio). E sopra em verdade e em liberdade sempre que a Igreja consegue encontrar "formas concretas de escuta, conhecimento e colaboração entre todas as sensibilidades católicas".
(Frei Bento Domingues, O. P. A Igreja e a Liberdade.
Mário Figueirinhas Editor, Porto, 1997)
| Bernardino Chamusca |
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