| Recreativa: | |
Vamos por partes.
Antes de mais lembremos a vitória (2-0) do Benfica sobre o F. C. Porto, no Estádio da Luz, em jogo para a Taça de Portugal. Justificou a vitória o Benfica num jogo de tudo ou nada, jogo que lhe valia toda uma época (frustrante para os "encarnados" a nível de campeonato e de competições europeias). Apesar de os portistas se poderem queixar de alguns erros de arbitragem, logo no início do jogo, a equipa agora comandada por Manuel José merece seguir em frente e estará na final do Jamor. Aguarda para isso, um adversário que sairá do trio Sporting, Maia e Boavista, já que o Maia-Sporting referente aos quartos-de-final está em atraso.
No que concerne ao Campeonato, os "dragões" do F. C. Porto comandam, à vontade. Apesar de se verem privados do seu treinador, por questões de saúde, os jogadores "azuis-e-brancos", venceram (2-1) sem contestação o Leça, num campo encharcado pela chuva, em dia de frio e vento. Os dois golos dos portistas renderam mais três pontos em direcção ao terceiro título consecutivo, e valeram "a dobrar", uma vez que o Sporting, que tão boa figura tem feito sob o comando de Octávio (eliminou, com toda a justiça, o F. C. Porto da
Taça de Portugal), perdeu em Leiria por 1-0, um golo marcado nos derradeiros minutos da partida.
Assim, os "leões" estão a 11 pontos do F. C. Porto e a sete pontos do Benfica que mantém o terceiro lugar. Os benfiquistas, de resto, talvez deslumbrados pela vitória na Taça perante o Porto, e jogando no Estádio do Boavista (por interdição do Estádio da Luz), não conseguiram derrotar o Rio Ave. O empate a zero foi um excelente prémio para a equipa de Vila do Conde, agora a fazer pela vida. Isto é, a turma vilacondense, há muito "sentenciada" a descer de divisão (tendo, por isso, dispensado um bom lote de jogadores), tem vindo a
surpreender: foi empatar às Antas (2-2) e com este empate perante o Benfica aproximou-se do Espinho e está a um escasso ponto de entrar no lote das equipas que se manterão na I Divisão.
Nas próximas jornadas dois grandes
jogos em perspectiva, ambos com o F. C. Porto em campo: primeiro,
em Guimarães, com o Vitória, depois, nas Antas,
com o Benfica.
Felizmente que há muito, desde que um personagem que se assume como jornalista, afirmou, sem pestanejar, baseado apenas na sua observação em campo e, depois, nos "replays" em que a Tv é pródiga, que determinado árbitro, em dado jogo, teve a intenção de prejudicar certa equipa (como se o árbitro fosse imune ao erro... ou o jornalista fosse especialista em telepatia...), deixei de ver tal "programa".
Mas os ecos do que recentemente ali se passou, desde o tempo de antena dado a um tal Fernando Barata que disse de um dirigente do F. C. Porto o que Mafoma não disse do toucinho (afinal sem qualquer prova, uma vez que a UEFA, alertada para a situação, averiguou os "factos" e arquivou o processo por nada ter encontrado...), até ao mais recente e despudorado, pornográfico mesmo, depoimento de uma prostituta que alegou ter estado
com vários jogadores da selecção portuguesa (embora só se recordasse de ex-jogadores e técnicos ao serviço do F. C. Porto), obrigam-me a escrever, pouco mas firme, sobre tal assunto.
O que incomoda, para além de aquela televisão ter descoberto que todo o mal do futebol incarnou no F. C. Porto e seus dirigentes, treinadores e, agora, pelos vistos, jogadores, o que merece ser fustigado é a invasão da intimidade de pessoas cujos nomes são citados perante audiências, dizem, de milhões de pessoas, com pormenores escabrosos.
Ora bem, a ser verdade que os jogadores fazem "bacanais", que elas são organizadas por dirigentes ou funcionários dos clubes ou da Federação, tal comportamento merece ser repudiado e condenado. É um comportamento que cabe na vida pessoal, privada de cada indivíduo que aceita participar em tais actos. Haverá, por certo, espaço na "justiça desportiva" para sancioanr tais comportamentos, para além da evidente condenação moral que merecem.
Publicitar os nomes dessas pessoas, num caso onde nem sequer está em causa o interesse público ou o desempenho por essas pessoas de cargos públicos, é que parece condenável.
Leio e assino por baixo, com licença do jornalista do "Público" Francisco J. Marques, a crónica que este publicou naquele jornal em 04.Maio.97, destacando: "este foi o último degrau a que pôde descer este estilo de "jornalismo" rasca que ridiculariza regras tão elementares como a da confirmação de acusações que põem em causa a reputação das pessoas. (...) No plano da ética jornalística, a popularidade dos futebolistas em questão
deveria ser, para o efeito, irrelevante." Ou seja, nada há na pessoa dos jogadores atingidos que justifique "a exposição em praça pública de detalhes da sua vida íntima, e em especial desse último reduto da intimidade que é a vida sexual das pessoas."
Não vi, repito, por opção há muito feita, o programa. Mas perante o que li, nomeadamente no "Público", não hesito em subscrever a palavra certa para a atitude da SIC: "Um nojo!"
| Bernardino Chamusca |
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