
Esta decisão é o resultado de um processo que decorre desde 1993, altura em que o Estado português, com a aprovação dos técnicos do ICOMOS (Internacional Council of Monuments and Sites), apresentou a candidatura do Centro Histórico do Porto, por iniciativa do presidente da Câmara, Dr. Fernando Gomes. Uma tal classificação, ainda que não traga, automaticamente, garantias financeiras, colocará o Centro Histórico Porto «ao abrigo das ideias modernistas de um qualquer executivo municipal do futuro», como lembrou Fernando Gomes, e põe o Porto «na rota do turismo cultural do mundo». Este Centro Histórico abrange as zonas da Lada, Barredo e Sé, e integra o Mosteiro da Serra do Pilar, Ponte D. Luís e as denominadas "Muralhas Fernandinas", e cerca de um cento de monumentos, entre os quais a casa do Infante e Palácio da Bolsa, a igreja de S. Francisco, a Igreja e Torre dos Clérigos, a Estação de S. Bento, a Igreja de Santa Clara, a Sé, Paço Episcopal e Igreja de S. Lourenço (impropriamente designada "dos Grilos"), além de várias ruas, praças e vielas do antigo burgo.
As mais destacadas entidades, depressa manifestaram o seu aplauso a este acontecimento de relevo internacional, entre as quais Jorge Sampaio, António Guterres, o Governo e todo o Conselho de Ministros.
Como disse o ministro da Cultura, Manuel Carrilho, surgem novas responsabilidades para a autarquia e para o Estado no tocante à preservação do Património da cidade do Porto e prometeu estudar esse assunto com a Câmara do Porto, tendo em vista um maior apoio do Governo a esta perspectiva de interesse cultural.
O acontecimento foi assinalado na Cidade de forma solene, com o tocar dos sinos das igrejas, às 12 e às 18 horas dessa 5ª-feira. A Câmara Municipal do Porto, por sua vez, procedeu à inauguração de uma iluminação especial das fachadas das casas da Ribeira, providenciou para a colocação de um cartaz na Ponte de D. Luís com a inscrição "Porto Património Mundial", e marcou para o dia 14, sábado, uma sessão solene nos Paços do Concelho que contará com a presença do Presidente da República, Jorge Sampaio, bem como de Almeida Santos, António Guterres e outras personalidades nacionais e mesmo estrangeiras.
O Porto vem juntar-se, agora, a Évora e Angra do Heroísmo, os dois municípios portugueses que têm centros históricos classificados, desde 1983 e 1986, respectivamente, como Património da Humanidade.
Como disse o primeiro Ministro, "a UNESCO colocou à cidade do Porto um diadema na cabeça", o que deve ser motivo de alegria "para todos os portugueses".
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