| Pacheco de Andrade |
A partir de agora, e com a dilatação do prazo para a sua inscrição legal, os milhares de imigrantes que, até hoje, correram o risco de ser extraditados ficam com uma porta aberta para se integrarem na sociedade em que vivem. Registe-se que não só lhes foi concedido mais tempo para legalizarem a sua estada em Portugal como também houve o cuidado de pôr à sua disposição quem os ajude a preencher uma documentação complexa que a ignorância o analfabetismo de muitos deles tornavam intransponível. Os quarenta e cinco postos de atendimento que foram abertos por todo o país denotam uma vontade séria de resolver este problema, que vem de longe.
É o fim de uma grave injustiça que, por sua vez, gerou, ao longo dos anos, uma série de injustiças igualmente graves. A clandestinidade dos imigrantes não é saudável para ninguém e constitui um factor de insegurança social para todos. Com esta abertura do Governo, os imigrantes que até aqui não fruíam de direitos nenhuns adquirem o estatuto de cidadania, têm ao seu alcance «um melhor acesso à saúde, ao ensino e à habitação», ficam socialmente mais protegidos, e deixam de ser os trabalhadores impunemente explorados por empresários sem escrúpulos que os chantageavam com a ilegalidade da sua situação. E é caso para perguntar: porquê, antes, tantas dificuldades para reconhecer que as pessoas são pessoas, e para lhes dizer isso?
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