| Pacheco de Andrade |
Sabemos o que se passa em algumas regiões de África e temos, também, conhecimentos da penúria a que estão sujeitas certas populações, pela desumanidade de um boicote internacional que visa castigar os seus governos. É o caso de Cuba e do Iraque.
A acrescentar a estes dramas, cujas vítimas são milhões de pessoas inocentes e não aqueles que as governam, os noticiários trazem-nos agora a crise alimentar da Coreia do Norte. Ali não há boicote, mas apenas a ortodoxia fanática de um executivo que se isolou internacionalmente, e que não pede ajuda do exterior para obviar às inundações do ano passado, que deram cabo das colheitas.
Uma das mais pesadas consequências de toda esta situação é a fome. Uma fome que devora o país, e para a qual não se vê outra saída que não seja a de o governo alterar o rumo da sua política e abrir fronteiras. O que ele recusa, apesar do risco de uma imensa tragédia social que se adivinha, e que pode destabilizar toda aquela região da Ásia.
Ao convidar as pessoas a alimentarem-se de ervas
e raízes, o governo de Pyongyang já nem sequer promete
«os amanhãs que cantam». Indica o apertar o cinto
como única solução para a actual crise. Uma
crise que não é de ideologia nem de segurança
de fronteiras, mas de estômagos vazios. E a fome, di-lo
a História, foi sempre, e em todo o lado, o rastilho para
uma explosão social.
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