| Pacheco de Andrade |
Estamos perante um problema cuja solução não é fácil, não porque a fidelidade a um comportamento ético, no mundo industrial, seja uma utopia inalcançável, mas porque a sociedade moderna está verminada por doenças difíceis de tratar. A actual situação em que nos encontramos herdou do passado alguns dos erros e desumanidades que hoje apresenta, mas criou, por sua vez, novos problemas, característicos de uma época em que as políticas de sucesso esquecem que na base da sociedade, e a fundamentá-la, está o homem. Porque este é tratado, cada vez menos, como um ser humano, e cada vez mais como coisa que se deita fora aos quarenta anos.
No congresso do Porto, impressionaram-me duas
afirmações. Uma, a de que «as pessoas eticamente
correctas vão ser, no futuro, uma minoria. Corre-se o risco
de serem uma classe à margem». Outra, a de um empresário
que disse não acreditar em códigos de ética,
sublinhando que «sabemos que agimos com ética se sentimos
satisfação com o que fizemos. Como se tivéssemos
comido um doce. Se o acto foi bom para o exterior, isso já
é secundário». Num colóquio no Vaticano,
realizado em 1991, e em que participaram alguns dos maiores economistas
mundiais, os prof.s Ignazio Musu e Stefano Zamagni, depois de
ponderarem a complexidade das questões que se levantam,
e de não as iludirem, concluíram que «a ideia
de que o comportamento moral produz resultados negativos não
tem fundamento». Não é difícil saber
quem está errado.
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