| Pacheco de Andrade |
Um crime com sabor a «made in England» foi cometido, há dias, no posto da GNR de Sacavém. Depois de morto a tiro, um homem de 25 anos, detido por suspeita de furto, foi decapitado, tendo, mais tarde, sido encontrado o seu corpo. Estamos perante um acontecimento que não vai além da fronteiras de um indivíduo, mas que mexe com a sociedade a que pertencemos.
Assustadoramente, estão a declarar-se, no nosso país, os clichés de algumas monstruosidades que julgávamos impensáveis num povo «de brandos costumes». E há dois perigos. Um, o de que nos convençamos de que é normal que isto também aqui aconteça. O outro, o de que aquilo que, até agora, constituiu excepção entre nós se torne moeda corrente no território nacional.
Tudo, porém, é mais grave, se a violência gratuito ocorre numa área oficial a quem cabe, precisamente evitá-la e preveni-la. É com actos criminosos, de que este surge como amostra, que se desfalca o crédito de instituições que foram criadas para nos defender. E não pode ser assim. Porque a brutalidade de alguns não deve cancerar a reputação daqueles que, institucionalmente, se comportam como cidadãos que servem, com profissionalismo e dignidade, o seu país.
Entretanto, uma questão continua de pé,
embora as autoridades se esforcem por resolvê-la: a do modo
como se recrutam homens a quem é confiada a nossa segurança;
e a da formação que lhes é dada. Uma formação
que deve ser permanente e sem hiatos. Porque a experiência
diz, a cada um de nós, que a ética dos comportamentos
não tem dias de folga.
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